Petróleo e Energia

Concessões – Aumenta o número das operadoras nas áreas de exploração de óleo e gás

Bia Teixeira
6 de agosto de 2011
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    Bem próxima de produzir os primeiros 100 mil barris diários de óleo e gás, a anglo-holandesa Shell vem escrevendo uma nova página na história da indústria petrolífera brasileira, ao lado de outras companhias estrangeiras como a estatal norueguesa Statoil, a britânica BG, a norte-americana Chevron, além das brasileiras Queiroz Galvão Exploração e Produção (QGEP), Alvorada, UTC Engenharia, entre outras.

    Em junho, as 25 operadoras – e nada menos que 41 consórcios – que atuam no país, entre grandes e pequenas, nacionais e estrangeiras, privadas e estatais, tiveram uma produção conjunta de mais de 200 mil barris de óleo equivalente por dia (boe/d), somando o volume de óleo e gás extraído por elas em campos terrestres e offshore.

    Os dados divulgados no início de agosto pela Agência de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que esses players estão fazendo a diferença. E começam a se destacar em um cenário em que reina quase que absoluta a Petrobras, apontada como a terceira maior companhia petrolífera do mundo pela consultoria internacional PFC Energy, superada apenas pela norte-americana ExxonMobil e pela Petrochina, companhia chinesa mista, com participação do estado e de investidores privados.

    Foi a primeira vez que as demais companhias superaram os 200 mil boe/dia no país, a despeito do forte crescimento da produção da Petrobras nos últimos três anos, período em que a produção das independentes começou a ganhar mais força. De acordo com a ANP, Shell, Chevron, Statoil e BP Energy produziram, juntas, em torno de 197 mil boe/dia dos 200 mil barris boe/dia. Algo que parecia impensável há 15 anos.

    A maior produção foi da Shell, com 84 mil boe/dia, somando-se os volumes extraídos de quatro campos (Ostra e Argonauta, no Parque das Conchas, e Bijupirá e Salema, que ela opera desde 2003). Individualmente, Frade (Chevron) foi o campo não operado pela Petrobras com maior produção – em torno de 67 mil boe/dia. Já a Statoil, que iniciou a operação no campo de Peregrino no início de abril, passou a figurar como a empresa com a quarta maior produção no Brasil, depois da Petrobras, Shell e Chevron.

    Na realidade, a produção das demais companhias cresce mais até que a da Petrobras, resguardando-se a diferença de escala entre elas. Em relação a maio, por exemplo, quando extraíram em torno de 183 mil boe/dia de seus ativos, o aumento foi de aproximadamente 9,5%. Mais que o dobro do percentual obtido pela Petrobras, que teve um incremento de 4% nesse mesmo período.

    O crescimento é ainda maior quando se compara a produção das operadoras privadas em junho (de 200 mil boe/dia) com a média dos cinco meses anteriores (janeiro a maio), que foi de 170 mil boe/dia – uma alta de 18%. Se comparada à média de 2010, que foi de 166 mil boe/dia, a alta chega a 20%.

    Em relação ao gás natural, esse incremento também foi significativo: a produção total das companhias, excluindo a da Petrobras, foi de 1,9 milhão de metros cúbicos por dia, representando um aumento de 6,9% em relação a junho de 2010, mas apenas 0,9% à frente do mês de maio, quando produziu 1,884 milhão de m³. Mas é expressivo o crescimento quando se compara a produção de junho desse ano à de setembro de 2010, que foi em torno de 1,5 milhão de m³/dia: um incremento de mais de 25% em dez meses.

    No total, a produção de petróleo no Brasil, em junho deste ano, foi de aproximadamente 2,137 milhões de barris/dia e a de gás natural, de 67,3 milhões de metros cúbicos/dia, totalizando em torno de 2,560 milhões (boe/dia) contra 2,491 milhões de boe/dia registrados em maio.

    Embora respondendo por mais de 90,6% da produção de petróleo (com 1,936 milhão de bpd) e 97% do volume total de gás produzido no país (65,364 milhões de m³/dia), a Petrobras divide a cena hoje com outros agentes, muitos dos quais associados à própria estatal brasileira.

    A produção nacional de junho foi gerada pelas 307 concessões operadas por 25 empresas – 82 são concessões marítimas e 225 são terrestres. Desse total, dez concessões se encontram em atividades exploratórias e produziram em seus testes de longa duração (TLD). Outras 11 estão em campos licitados contendo acumulações marginais.

    Petróleo & Energia, Flavio Rodrigues, Gerente de relações externas de exploração e produção da Shell, Concessões - Aumenta o número das operadoras nas áreas de exploração de óleo e gás

    Rodrigues: Parque das Conchas exigiu combinar tecnologias

    Em torno de 91,5% da produção de petróleo e 74,4% do gás natural foram extraídos de campos marítimos. O grau API médio do petróleo produzido no mês foi de aproximadamente 23,8°, já demonstrando uma melhoria efetiva da produção nacional, que até há pouco tempo ficava na média de 20º API, embora os óleos pesados ainda dominem o cenário.

    As 15 operadoras, que na realidade representam um número maior de companhias, uma vez que os consórcios sempre reúnem duas ou mais empresas, também marcam pontos em alguns rankings da indústria nacional. Dos 20 maiores campos produtores de petróleo e gás natural, em barris de óleo equivalente, três são operados por empresas estrangeiras: o de Frade, que está em 9° lugar, pela Chevron; o de Ostra (Parque das Conchas), pela Shell, ocupa a 11ª posição; e o de Peregrino, em 20°, pela Statoil – todos na Bacia de Campos. Pontos para a Statoil, que em apenas três meses já se posicionou como operadora de um dos 20 maiores campos produtores de petróleo do país.

    A Petrobras continua dominando a produção de gás natural, com os 20 maiores campos produtores desse energético no país. Mas quando se fala apenas em óleo, mais um operador entra em cena: a Devon, que opera o campo de Polvo, também na Bacia de Campos, figurando no 18° lugar entre os campos produtores de óleo.



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