Compressores – Avanço do gás natural reforça as vendas das máquinas de grande porte

Estudo do Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural (Prominp), de setembro de 2011, estima que até o final de 2014 o setor precisará de 3.400 novos compressores para acompanhar o crescimento da produção, exploração e comercialização do gás natural no Brasil.

A compressão do gás natural (GN) tem participação direta na cadeia do setor, desde a produção até o consumo. Além disso, os compressores são máquinas que interagem com os demais segmentos industriais do processo e os fabricantes apostam no aumento das vendas depois da divulgação do Plano de Negócios da Petrobras para os próximos cinco anos.

Anunciado em julho, esse plano prevê investimentos de US$ 13,2 bilhões entre 2011 e 2015 na área de gás e energia. No total, US$ 224,7 bilhões serão destinados para a conclusão e desenvolvimento de projetos até o final desse período. Entre os principais investimentos estão o Terminal de Regaseificação da Bahia, para 14 milhões de m³/ dia, previsto para entrar em operação em janeiro de 2014, e a Usina Termelétrica Baixada Fluminense, capaz de gerar 512 MW, prevista para março de 2014.

Em São Paulo, estão em andamento as obras dos gasodutos Gaspal II, ligando Guararema à estação de controle de gás de Mauá, com 55 km de extensão, e do Gasan II, com 39 km, ligando Mauá a São Bernardo do Campo. Já de Caraguatatuba-SP até Taubaté-SP, a Petrobras constrói o Gastau, com 96 km de tubulação, e entre Alagoas e Pernambuco surge o gasoduto Pilar- Ipojuca, com 189 km de extensão.

A petroleira conclui os gasodutos Urucu-Coari-Manaus, no Amazonas, com 661 km de extensão; o Gasene – o gasoduto da Integração Sudeste-Nordeste –, com 1.387 km, ligando Cabiúnas, em Macaé-RJ, a Catu-BA; o Gasbel II, com 267 km, ligando Volta Redonda-RJ e Queluzito-MG, que duplicou a capacidade de transporte de gás para a região metropolitana de Belo Horizonte e o Vale do Aço.

Para o início de 2015, está previsto o fornecimento total de 149 milhões de metros cúbicos de gás por dia no país. Esse volume subirá para 173 milhões de m³/dia em 2020, na estimativa da Petrobras. Atualmente a oferta é de 106 m³/dia, para uma demanda de 96 m³/dia.

Atenta ao que acontece no mercado de gás, a Mycom Chemical Process do Brasil construiu, em 2008, uma nova fábrica de compressores para gás natural na cidade de Arujá-SP, bem ao lado da rodovia presidente Dutra e a 15 minutos do aeroporto internacional de Cumbica,em Guarulhos-SP. Medianteinvestimento de US$ 20 milhões, a unidade de 11 mil m² de área construída fabrica compressores com tecnologia japonesa e dá suporte aos sete mil já instalados em território brasileiro. Esta é a segunda maior fábrica do grupo Mayekawa no mundo, que, além de São Paulo, tem escritórios em Lauro de Freitas-BA, Rio de Janeiro-RJ e Macaé-RJ.

“Estamos otimistas e estimamos que as nossas vendas de compressores para GN aumentem 50% nos próximos dois anos”, afirma Silvio Guglielmoni, gerente geral da multinacional no Brasil. Ele afirma que a Mycom detém 70% do mercado de compressores do tipo parafuso no Brasil, sendo líder principalmente nas Unidades Recuperadoras de Vapor (URV) instaladas nas plataformas petrolíferas e nas unidades de propano das plantas de tratamento de gás natural.

Petróleo & Energia, Silvio Guglielmoni, Gerente geral, Compressores - Avanço do gás natural reforça as vendas das máquinas de grande porte
Guglielmoni: fábrica de Arujá é a segunda maior do grupo

Nas plataformas, os compressores Mycom são utilizados para a recuperação de gases de baixa pressão que seriam queimados no flare. Esses gases são comprimidos para uma pressão intermediária, enviados para a sucção dos turbocompressores, pelos quais são levados para uma pressão adequada para transporte ou injeção nos poços. Como fator de crescimento, Guglielmoni aponta a construção e ativação de novas plataformas em alto-mar, juntamente com a entrada em operação das unidades de tratamento de gás de Cacimbas-ES e Caraguatatuba-SP.

A Burckhardt Compression, tradicional fabricante de compressores alternativos (a pistão), é outra empresa que acredita na expansão do setor e está disposta a garantir para si uma fatia do mercado, por meio da formação de mão de obra especializada, uma área carente em todas as fases da cadeia petrolífera no país. “Estamos contratando técnicos e engenheiros de campo, e formando profissionais de excelência para atuarem na consultoria, instalação, revisão de plantas, monitoramento e manutenção de compressores”, detalha Wanderley Simão Junior, gerente de contas e máquinas novas da filial de São Bernardo do Campo-SP.

Petróleo & Energia, Wanderley Simão Junior, Gerente de contas e máquinas novas da filial de São Bernardo do Campo-SP, Compressores - Avanço do gás natural reforça as vendas das máquinas de grande porte
Simão: equipamentos seguem a norma API 618 – 5ª edição

A Burckhardt investe no treinamento de peritos com formação continua como diferencial do seu produto e da sua marca. Sua rede de serviços é formada por 12 subsidiárias e 42 escritórios espalhados pelo mundo. A Burckhardt produz compressores há 167 anos. Todas as suas máquinas são projetadas e fabricadas em Winterthur, na Suíça, e em Pune, na Índia. Em 2012, seis compressores modelo Laby deixam a linha de montagem diretamente para o polo petroquímico de Wuhan, na China.

Fundada em1873, aAtlas Copco atua em praticamente toda a cadeia de petróleo e gás, fornecendo compressores, geradores, máquinas para construção e exploração, ferramentas industriais e sistemas de junção de peças e serviços relacionados com o setor. Estimulada pela demanda da Ásia e do Oriente Médio, a divisão de Gás e Processos do grupo sueco atingiu um número recorde de pedidos em 2006 e, no segundo semestre de 2007, fabricou o maior compressor da sua história, de 200 toneladas. Em2009, avenda de compressores respondeu por 51% do faturamento do grupo empresarial.

Petróleo & Energia, Roberto Becker, Gerente de produto da divisão GP em Barueri-SP, Compressores - Avanço do gás natural reforça as vendas das máquinas de grande porte
Becker: composição do gás define detalhes do compressor

“Temos conhecimento, sabemos o que fazemos e trabalhamos para encontrar a melhor solução para os nossos clientes”, diz Roberto Becker, gerente de produto da divisão GP em Barueri-SP, que prefere não fazer nenhuma projeção sobre os investimentos futuros da empresa em razão dos dados apresentados pela Petrobras. “Os estudos mostram que o gás natural tem potencial de crescimento, é uma energia limpa e mais eficiente, mas as oscilações do mercado e decisões políticas podem mudar o rumo dos investimentos aqui e no mundo”, avalia o gerente.

Apesar disso, Becker diz que a Atlas está preparada para responder a qualquer demanda. A empresa investiu cerca de US$ 23 milhões na ampliação de sua unidade de GP em Colônia, na Alemanha, para atender aos pedidos por compressores de grande porte.

Em novembro do ano passado, a Atlas Copco lançou uma linha de compressores portáteis com baixo consumo de combustível para operar em poços de petróleo. A novidade é o sistema “oiltronix”, que gerencia a temperatura do óleo, evitando o desgaste prematuro das peças. Números da empresa mostram que alguns rolamentos passaram a durar 40% a mais com o dispositivo.

De patinho feio a cisne – Mistura de hidrocarbonetos com predominância de metano (CH4), o gás natural passou de patinho feio a cisne branco na matriz energética mundial. No século XIX, nos Estados Unidos, era considerado um estorvo ao ser encontrado, pois exigia uma série de procedimentos de segurança que encareciam e complicavam as atividades de prospecção. Mas a partir dos anos 80, o seu consumo entrou em franca expansão e o gás natural se tornou a fonte de energia de origem fóssil a registrar maior crescimento no mundo. Hoje ele representa 21% da matriz energética mundial e deve suprir um quarto da demanda de energia no mundo até 2035, de acordo com a International Energy Agency (IEA).

Para se ter uma ideia dessa evolução, entre 1973 e 2007, a produção mundial passou de 1,227 bilhão de m³ para 3,031 bilhões, segundo a Key World Energy Statistics. No Brasil, a evolução no mesmo período foi ainda mais expressiva: 5,650%. O GN saltou de 0,2 bilhão de m³ para 11,3 bilhões, conforme dados do BP Statistical Review of World Energy de 2008.

O compressor para gás natural – É no transporte do gás que o compressor ganha maior destaque e importância no cenário da produção e distribuição. Para transportá-lo, é preciso aumentar a pressão para que ele vença a resistência inerente às tubulações dos gasodutos e seja levado com eficiência até o seu destino. O transporte do poço às unidades de consumo exige a construção de uma rede de gasodutos de capacidade e pressão variáveis, o que requer a presença constante de um compressor.

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A indústria de petróleo e gás depende cada vez mais de equipamentos específicos para produzir, refinar e distribuir os seus produtos. A Petrobras, por exemplo, não adquire compressores que não estejam em conformidade com certificações e normas técnicas nacionais e internacionais. Além disso, um pré-requisito é a inscrição do fornecedor no Cadastro Corporativo da Companhia, com o Certificado de Registro e Classificação Cadastral (CRCC) válido na data da entrega do pedido para poder participar de qualquer operação comercial com a companhia.

Uma das exigências da Petrobras para compressores para GN é o atendimento às normas de fabricação estabelecidas pelo American Petroleum Institute (API), associação com sede em Washington (EUA), que normatiza máquinas para o setor de óleo e gás. Os compressores centrífugos devem seguir a norma API 617; os alternativos, a API 618; e os de parafuso, a API 619. Essas normas especificam o tipo de material a ser utilizado na fabricação de compressores, qual a selagem, a eficiência mínima, o tipo de mancal, de filtro, qual o sistema de lubrificação, materiais periféricos e quais os testes de funcionamento e performance a serem realizados.

Silvio Guglielmoni, gerente geral da Mycom Chemical Process do Brasil, afirma que sua empresa só produz compressores conforme a API 619, contudo ele ressalta que essa determinação eleva os custos de produção em três vezes em relação a uma unidade padrão.

A Burckhardt faz questão de informar em seus catálogos e em seu site que só fabrica compressores de acordo com os requisitos de aplicação, especificações do cliente, e em conformidade com a API 618, que já está na 5ª edição.

O mesmo se aplica à Atlas Copco, que garante trabalhar só com peças genuínas pradonizadas e sob rígido controle de qualidade.

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O ramal principal de um gasoduto, aquele que liga o poço às instalações de distribuição, é dimensionado para o transporte de grandes volumes sob elevada pressão. Com o fluxo, há uma perda de energia por atrito, e a pressão vai caindo ao longo da tubulação, sendo necessária a instalação de estações de compressão para elevá-la novamente e permitir a continuidade do transporte.

Nos dutos para longa distância, as pressões usuais podem atingir de 100 kg/cm² a 150 kg/cm², logo após passar pela estação de compressão, caindo, ao longo do duto, até cerca de 30 kg/cm² a 40 kg/cm², quando será preciso instalar outra estação de compressão. Este ciclo pode se repetir várias vezes, permitindo atingir distâncias praticamente ilimitadas. A Rússia, por exemplo, envia GN da região dos Urais por um gasoduto de 4 mil km de extensão para o centro da Alemanha, operação com volume de 200 milhões de m³/dia. Por sua vez, os Estados Unidos possuem aproximadamente 500 mil km de dutos de GN, atendendo a quase 50 milhões de clientes.

Nessas estações normalmente não há operadores. O monitoramento é feito a distância. Elas são controladas por instrumentos informatizados, com sistemas de comunicação por satélites ou por rede de fibras ópticas. No caso de um acidente, válvulas automáticas bloqueiam o trecho afetado. Mesmo com esse aparato, regularmente são feitas inspeções terrestres e aéreas.

O espaçamento entre as estações de compressão resulta de avaliações econômicas, mas varia na faixa de150 kma600 km. À medida que o volume a transportar cresce com o aumento da demanda, novas estações intermediárias são instaladas.

Petróleo & Energia, Compressores - Avanço do gás natural reforça as vendas das máquinas de grande porte
Modelo GT050, de seis estágios, vendido pela Atlas Copco na Rússia

Os ramais secundários, que chegam ao consumidor final, são menores, mais pulverizados e, em geral, subterrâneos. Para controlar a pressão nos mais diversos ramais, desde o início do transporte, é necessário contar com compressores de alta precisão, que variam de estrutura e funcionalidade. Os principais modelos são o alternativo (pistão), o rotativo (parafuso) e o centrífugo. Podem ser de serviço, estacionário e portátil; e trabalham isoladamente ou em paralelo, de acordo com a necessidade.

Malha brasileira – O Brasil possui uma malha de dutos de GN de aproximadamente 12.500 km de extensão. Além da Transpetro, outras duas transportadoras de gás natural operam em território nacional. A Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia-Brasil (TBG), responsável pelo maior gasoduto da América Latina, o Gasbol, com 3.150 km –557 km na Bolívia e 2.593 km no Brasil – que, ao cruzar a fronteira, atravessa cinco estados, num total de 136 municípios e transporta 30,8 milhões de m³/dia.

A outra é a Transportadora Sulbrasileira de Gás (TSB), com dois gasodutos próprios, que fazem parte de um projeto de dutos de 615 km para interligar as cidades de Uruguaiana e Canoas, no Rio Grande do Sul. A primeira fase do projeto entrou em operação em 2000, com dois ramais. Um liga a fronteira com a Argentina até Uruguaiana. O outro vai de lá até Canoas e o Polo Petroquímico de Triunfo. A conclusão do projeto vai permitir a interligação das jazidas do Brasil, Argentina e Bolívia, consolidando a integração do mercado de gás do Cone Sul.

Gás líquido – No caso de não se ter um gasoduto disponível, o gás passa por um processo de liquefação, chegando a 160°C negativos. Esse processo reduz o seu volume em 600 vezes, permitindo o transporte em navios chamados “metaneiros”. Compressores para GN trabalham nesses navios para evitar perda do produto. No porto receptor, esse material é encaminhado aos terminais de armazenamento e regaseificação para posterior distribuição.

 

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