Brazil Windpower: Leilão confirma investimentos de R$ 5,5 bilhões

Petróleo & Energia, Brazil windpower: Leilão confirma investimentos de R$ 5,5 bilhões

Petróleo & Energia, Brazil windpower: Leilão confirma investimentos de R$ 5,5 bilhõesAgora não é mais brisa, nem ventos ocasionais: o setor de energia eólica está conseguindo captar uma verdadeira ventania para aumentar sua participação na matriz energética brasileira, hoje de 2%. Prova disso são os resultados obtidos no último Leilão de Energia de Reserva de 2013 (LER 2013), realizado dez dias antes da 4ª Brazil Windpower, maior evento da área de energia eólica da América Latina, realizado entre os dias 3 e 5 de setembro, no Centro de Convenções SulAmérica, no Rio de Janeiro.

Foram contratados 1,5 gigawatts (GW) em 66 novos projetos de parques eólicos, que negociaram a venda da energia elétrica a um preço médio final de R$ 110,51/MWh – um deságio de 5,55% perante o preço inicial de R$ 117/MWh. Cerca de R$ 5,5 bilhões serão investidos na construção desses parques, que deverão iniciar o suprimento elétrico em 1º de setembro de 2015, com prazo de 20 anos.

Petróleo & Energia, Elbia: resultado consolida fonte eólica na matriz energética nacional
Elbia: resultado consolida fonte eólica na matriz energética nacional

“O resultado desse leilão, em termos de demanda e preço, marca efetivamente a consolidação dessa fonte na matriz elétrica nacional”, afirmou Elbia Melo, presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica) na abertura do Windpower.

Um dos grandes defensores da energia dos ventos, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, confirmou que quer as usinas eólicas incluídas no segundo leilão do tipo A-5 deste ano, marcado para 13 de dezembro com o intuito de firmar contratos para início de fornecimento de energia em 2018.

“Temos energia elétrica suficiente para acompanhar o desenvolvimento e o crescimento da economia do Brasil”, observou o ministro na solenidade de abertura da Brazil Windpower, citando o Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa), lançado em 2010 pelo MME. “É inegável o avanço das fontes renováveis, incluindo as eólicas, na nossa matriz energética desde 2010.”

Mauricio Tolmasquim, presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), que também participou do evento, manteve o tom de entusiasmo do governo. “Existe espaço para a eólica crescer na matriz elétrica brasileira de forma sustentável”, afirmou.

Ele pontuou que em 2012 foram inauguradas 15 usinas, outras nove iniciaram operações este ano, interligadas ao SIN, e há 93 em construção, que irão agregar 2.300 MW ao sistema de energia do país. A EPE vai fazer um leilão específico para as linhas de transmissão para os novos parques eólicos, para melhorar o planejamento no fornecimento da energia eólica no país.

Petróleo & Energia, Tolmasquim: regras garantem que novos parques cumprirão contratos
Tolmasquim: regras garantem que novos parques cumprirão contratos

E o mercado continua sinalizando bons ventos: as fontes eólica e solar respondem pelo maior número de inscrições para o Leilão de Energia A-3/2013, que será realizado pelo Governo Federal em 18 de novembro, com o objetivo de contratar eletricidade para abastecer o mercado consumidor do país no ano de 2016.

De 784 projetos, que totalizam capacidade instalada de 19.413 megawatts (MW), os empreendimentos eólicos lideram, com 629 parques geradores e uma oferta de 15.042 MW. Pela primeira vez participando dos leilões de energia, a geração solar totaliza 109 projetos do tipo fotovoltaico, somando potência instalada de 2.729 MW. Também há dez empreendimentos do tipo heliotérmico, com 290 MW.

Brasil dos ventos – Com tudo isso, as projeções crescem. Nos próximos cinco anos, a previsão é a de que a capacidade instalada do setor eólico seja triplicada, passando dos 2,8 GW atuais para 10,5 GW em 2017, posicionando o Brasil como um dos seis maiores no ranking de países com geração por fonte de energia renovável.

Os 119 parques eólicos instalados, espalhados por onze estados brasileiros, têm 2% de participação na composição da matriz elétrica brasileira – índice que poderá chegar a 6% se confirmada a projeção de 10,5 GW para 2017.

O Brasil figura ainda entre as quatro nações do mundo que mais crescem no setor eólico, atrás somente da China, Estados Unidos e Índia. E ocupa a 15ª posição entre os países com maior capacidade eólica instalada, liderando o ranking do mercado latino-americano.

Petróleo & Energia, Brazil windpower: Leilão confirma investimentos de R$ 5,5 bilhõesCom um total de 8.999 MW (8,99 GW) de capacidade, os 377 empreendimentos eólicos habilitados do LER 2013 estão espalhados por oito estados: Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul – sendo que Piauí e Paraíba despontam pela primeira vez em um certame deste tipo.

“Há empreendimentos em novas regiões”, comemora Elbia Melo, da ABEEólica, entre os quais a mudança nas regras de conteúdo nacional no Finame/BNDES (principal mecanismo de política industrial de financiamento de máquinas e equipamentos), que pretende impulsionar a indústria local, e a própria metodologia dos leilões.

Teve efeito positivo a decisão do Ministério de Minas e Energia de adotar o índice de produtividade de geração em P90 – isto é, a entrega de 90% da garantia física. Antes, o índice era de P50. Havia uma preocupação do MME com o fato de as fontes estarem gerando menos que as suas garantias físicas.

Tolmasquim lembra que a regra introduzida aumenta o rigor no cálculo da energia que cada empreendimento poderá negociar. “Pelo novo procedimento, haverá apenas 10% de probabilidade de o parque produzir menos energia do que a quantidade vendida no leilão”, observa. A medida visa a aumentar o grau de confiabilidade da fonte eólica para o setor elétrico brasileiro. A mudança traz um aumento no preço da energia eólica, mas reflete a realidade – o que não tira a competitividade da fonte, que passa a ter o preço realista em relação aos custos.

O volume contratado de 1,5 GW equivale a 25% da capacidade de escoamento de produção, por meio das subestações às quais os parques eólicos estarão conectados, e que totaliza quase 6,3 GW. Outra mudança foi condicionar a contratação dos parques de geração de energia eólica à garantia de conexão com a rede de transmissão. “Isso elimina o risco de os empreendimentos ficarem prontos e não terem como escoar a eletricidade gerada”, observa Tolmasquim. Ou seja: a usina estar apta a gerar, mas não ter como despachar a eletricidade gerada pelo Sistema Interligado Nacional (SIN).

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