Brasil Offshore: Bom resultado do leilão da ANP esquenta o clima para negócios

Petróleo & Energia,  Maquete de navio-sonda da Aker Solutions atraiu a atenção dos visitantes
Maquete de navio-sonda da Aker Solutions atraiu a atenção dos visitantes

Estimulada pelos R$ 7 bilhões de investimentos projetados pelo último leilão da ANP para os programas exploratórios mínimos durante os próximos 5 a 8 anos, a cadeia produtiva reforçou o portfólio exposto na Brasil Offshore 2013, que se consagrou como a maior de todos os tempos, reunindo potencial de negócios total de R$ 500 milhões. Com isso, o Norte Fluminense continua a abrigar o terceiro maior evento da indústria petrolífera mundial, a feira e conferência realizada há 13 anos na cidade de Macaé, base estratégica da Bacia de Campos, que ainda responde por mais de 4/5 da produção nacional de petróleo e gás natural.

Petróleo & Energia, Brasil Offshore: Bom resultado do leilão da ANP esquenta o clima para negóciosUm público recorde, superior a 51 mil pessoas, oriundo de mais de cem países, visitou o evento promovido pela Reed Exhibitions Alcantara Machado e pelo Instituto Brasileiro do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (IBP), realizado no Centro de Convenções Jornalista Roberto Marinho, o Macaé Centro, no qual foram expostas mais de mil marcas em 720 estandes (157 de outros países) e pavilhões – muitos deles abrigando mais de uma marca.

Com um programa técnico jamais visto nas seis edições anteriores, e tendo a questão da integridade dos ativos como tema central, a 7ª Brasil Offshore, realizada entre os dias 11 e 14 de junho, refletiu os desafios do setor. Mais ainda: a necessidade de o mercado disponibilizar soluções eficazes e seguras, dentro de prazos e custos mais competitivos, para superar impasses que levaram à queda da produtividade na maior bacia produtora do país – a de Campos –, impactando também a produção nacional, que ainda não voltou aos níveis do final de 2011.

O sentimento na cadeia de fornecedores de bens e serviços que se ‘aboletou’ no balcão de negócios é o de que a indústria está, pouco a pouco, recomeçando a ir às compras, como há cinco anos, antes do jejum dos leilões de blocos exploratórios. Prova disso foi o compressor de R$ 80.000,00 que a Bauer Kompressoren levou para expor e acabou vendendo durante a feira, que ainda vai render muitos negócios nos próximos meses, costurados nos quatro dias do evento.

O clima otimista foi influenciado, sem dúvida nenhuma, pela 11ª rodada de leilões da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) – realizada uma semana antes, com números recordes em todos os sentidos, até mesmo de players, bônus e investimentos programados para os próximos anos na etapa exploratória – e também pela promessa de mais dois leilões ainda este ano, um dos quais vai licitar o campo de Libra, no pré-sal da Bacia de Santos.

Para os organizadores, não importa saber qual é a bacia que está com mais destaque na mídia, pois a Brasil Offshore 2013 refletiu as diferentes demandas que o setor de petróleo e gás vive no país. “No passado, a Brasil Offshore estava direcionada à Bacia de Campos, mas hoje ela atrai empresários e autoridades de todo o país”, afirmou Paulo Octávio Pereira de Almeida, vice-presidente da Rede Exhibitions.

Ele lembrou que as principais bacias petrolíferas do país vivem momentos antagônicos, uma vez que a de Campos é uma região madura (com mais de 30 anos de explotação de óleo e gás), enquanto a de Santos se destaca pelas oportunidades de exploração do pré-sal. “Para os dois contextos, a Brasil Offshore foi decisória, tanto pelo conteúdo técnico de suas conferências quanto pelo poder de negócios e convergência gerado entre visitantes e expositores”, afirmou.

“Temos que abrir o mercado para que haja mais competitividade. O Brasil precisa disso e o setor de petróleo é pródigo neste quesito”, complementou o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico do Rio de Janeiro, Julio Bueno, que durante a abertura do evento tocou em um ponto delicado para o governo fluminense: a distribuição dos royalties.

Disputas à parte, o diferencial deste evento, além dos recordes em números, foram as rodadas de negócios, que totalizaram mais de 550 reuniões, com a participação de quase uma centena de fornecedores e 23 empresas âncoras: Aker Solutions, Akzo Nobel, Arprotec, Asca, Baker Hughes, Cameron, os estaleiros EISA, Mauá, TCE e Iesa, Forship, G-Comex, Kongsperg, Mills, Nuclep, Oceaneering Brasil, Schlumberger, Techint, Transpetro, UTC e WEG, além das operadoras Petrobras (representada pelas unidades operacionais da Bacia de Campos e de Santos) e a Shell.

Segundo a Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip), que comandou estes encontros ao lado do Sebrae-RJ, a expectativa de negócios em potencial gerados nestes encontros ficou bem próxima de RS$ 200 milhões – e o poder de compra do público credenciado passou de R$ 300 milhões. Isso projetaria um potencial total de vendas de R$ 500 milhões. Outra iniciativa da Onip foi a Rodada Tecnológica, realizada pela primeira vez em um evento brasileiro do setor, oportunidade na qual as empresas mostraram tecnologias nascentes e soluções desenvolvidas no Brasil.

Além das rodadas, a Onip montou um centro de atendimento em seu estande para receber o público interessado em obter informações sobre os cadastros Onip, CadFor e Navipeças, e ainda sobre formação de joint ventures para atuar no setor, a fim de atender também à exigência do conteúdo nacional.

Tecnologia subsea domina sessões – Pela primeira vez sem custos para os participantes, a conferência realizada pelo IBP e pela SPE (Society of Petroleum Engineers), simultânea à feira, reuniu 44 palestrantes e quase 1.100 congressistas para debater a questão da integridade dos ativos, principalmente os sistemas submarinos, reforçando a importância das tecnologias subsea. “Integridade: Quando Você Deve Se Preocupar?” foi o fio condutor das três plenárias e oito sessões técnicas, que abordaram temas como perfuração, completação e reservatório, entre outros.

“Tecnologia subsea é o grande tema a ser trabalhado nos próximos anos, pois a demanda por esses equipamentos é muito clara e intensa. Por isso, será fundamental a discussão em torno dos procedimentos, metodologias e novas tecnologias, para que a garantia da integridade desses equipamentos seja adotada já na fase de projeto, fortalecendo a cultura de prevenção na indústria de petróleo e gás”, destacou Carlos Victal, do IBP e membro do comitê técnico do evento.

A cadeia produtiva e os operadores reforçaram esse aspecto nas sessões técnicas. Na de “Intervenção Submarina”, por exemplo, foram apresentadas duas ferramentas para inspeção de dutos flexíveis: o Auri e o RIS (Riser Inspection System) 2000.

Do inglês Autonomous Underwater Riser Inspection Tool, o Auri é um veículo autônomo para inspeção de risers, desenvolvido para operar em águas profundas. Ele utiliza o próprio riser como guia, possibilitando maior controle de sua velocidade e tornando-o apto a carregar vários dispositivos de inspeção.

O primeiro protótipo Auri foi desenvolvido para realizar inspeção visual por meio de um sistema integrado de câmeras com Led (diodo emissor de luz), cobrindo 100% da superfície externa do riser. O protótipo foi criado para alcançar profundidades até mil metros, mas, em sua próxima versão, poderá chegar aos três mil metros. O equipamento possui um processador capaz de armazenar imagens em HD, além de mecanismos de segurança que garantem sua recuperação em caso de falha, minimizando também as chances de danos ao riser.

Complementando essa inspeção, outra tecnologia foi apresentada no painel: o RIS 2000, fruto de uma parceria da Petrobras com a mineira Orteng. O robô submarino tem capacidade de deslocamento controlado nos sentidos horizontal e vertical ao longo de linhas flexíveis a uma profundidade até dois mil metros para inspeção visual da integridade dessas linhas. A tecnologia, para dutos de 6 a 24 polegadas, já está pronta para o mercado.

Na área de perfuração, foi destacado o projeto de Infill Drilling, da Petrobras, voltado para campos maduros. Chamado de Sistema de Contenção de Areia e Revestimento Simultâneo, essa solução, que reaproveita poços existentes que estejam íntegros, minimiza a produção de areia, otimizando as etapas de construção do poço e aumentando o fator de recuperação de óleo.

A iniciativa foi aplicada pela primeira vez em Marlim, na Bacia de Campos, e consiste em reaproveitar um poço antigo, no qual se perfura uma janela, a determinada profundidade, para dar origem a um novo poço, aproveitando a estrutura existente e os equipamentos, como a cabeça de poço.

A integridade dos reservatórios de petróleo e gás foi outro tema debatido nas sessões técnicas. De acordo com as discussões, os problemas são, geralmente, de origem geomecânica e concorrem para a perda de produção. Para melhorar isso, foram apresentadas algumas soluções, como o uso de fibra ótica no monitoramento on-line dos reservatórios.

Texto: Bia Teixeira, Karol Lavareda e Maria Rodrigues

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