Biocombustíveis

Biodiesel – Revisão dos padrões oficiais de qualidade estimula produtores

Hamilton de Almeida
26 de fevereiro de 2012
    -(reset)+

    A ANP contabiliza também dez solicitações de autorização para a construção de novas plantas e 13 solicitações de autorização para a construção, referentes às ampliações de capacidade de fábricas existentes. Todas estão em processo de análise na Agência. No primeiro mês deste ano foram outorgadas três autorizações: uma para operação (Camera) e duas para comercialização (Bianchini e Camera).

    O óleo de soja é a principal matéria-prima utilizada para a produção de biodiesel (71,13%, em dezembro/ 2011). Depois, aparecem a gordura bovina (18,66%), o óleo de algodão (4,69%) e outros materiais graxos (4,08%), como gordura de frango, gordura de porco, óleo de palma e óleo de fritura usado.

    Petroleo&Energia, Unidade de biodiesel da Fiagril, em Lucas do Rio Verde-MT, Biodiesel - Revisão dos padrões oficiais de qualificade estimula produtores

    Unidade de biodiesel da Fiagril, em Lucas do Rio Verde-MT

    Petrobras – Em três anos e meio de atividades, a Petrobras Biocombustível aumentou em dez vezes a sua capacidade de produção. Passou de 170 milhões litros/ano de biocombustíveis (biodiesel e etanol), em 2008, para 1,7 bilhão de litros/ano, de acordo com informações fornecidas pela empresa.

    No ano passado, adquiriu 50% da usina da BSBIOS, em Passo Fundo (RS), integrada com uma unidade extratora de óleo vegetal, reforçando a sua presença no sul do país. Também deu continuidade ao desenvolvimento do projeto agroindustrial no Pará – base para a implantação de uma nova usina de biodiesel que irá atender a Região Norte – e ao acompanhamento do projeto Belém – parceria da Petrobras com a Galp –, cujo objetivo é a produção de green diesel em Portugal com óleo de palma produzido no Brasil.

    Em linha com o Plano de Negócios 2011-2015, a Petrobras Biocombustível investirá US$ 600 milhões no biodiesel e no suprimento agrícola. Os focos serão a implantação de operações no Pará e o incremento das cadeias de suprimento agrícola. Serão investidos também US$ 300 milhões em pesquisas na área de biocombustíveis, priorizando a consolidação da tecnologia do etanol de segunda geração e o desenvolvimento do BioQAV (querosene de aviação) e de tecnologias para o aumento da produção e da produtividade das oleaginosas utilizadas como matéria-prima para o biodiesel, bem como para a diversificação dessas espécies vegetais.

    A capacidade atual de produção de biodiesel da companhia, considerando o volume total de suas usinas próprias e parceiras, é de 721,4 milhões de litros/ano. Desse valor, a Usina de Candeias-BA pode produzir 217,2 milhões de litros; a Usina de Quixadá-CE, 108,6 milhões de litros; a Usina de Montes Claros-MG, outros 108,6 milhões; a Usina de Marialva-PR pode produzir 127 milhões de litros; e a Usina de Passo Fundo-RS pode oferecer 160 milhões de litros.

    Em 2011, os volumes entregues foram os seguintes: usinas próprias, 225 milhões de litros; e usinas em parceria, 139 milhões de litros. A Petrobras ressalva: as usinas de biodiesel operam com apenas 80% de sua capacidade, por determinação da ANP – o valor relativo às usinas parceiras está considerando para a Usina de Passo Fundo-RS apenas os meses de agosto a dezembro, pois a sociedade começou em julho de 2011. A meta da Petrobras, contudo, é chegar à capacidade instalada de produção de 855 milhões de l/ano.

    A Petrobras Biocombustível olha para o futuro com otimismo: “O PNPB é uma realidade que deu certo. O programa é referência, sendo admirado no mundo inteiro. Como a demanda por energia e a preocupação com as questões ambientais tendem a crescer nos próximos anos, a Petrobras Biocombustível entende que os biocombustíveis terão participação cada vez maior na matriz energética, seja ela mundial ou nacional.”

    Assim, “as perspectivas são as melhores possíveis. Os investimentos da companhia e sua forte presença no mercado nacional demonstram a aposta no setor. A Petrobras Biocombustível, considerando a produção de suas usinas próprias e de sua sócia no sul do Brasil, tornou-se, nos dois últimos leilões da ANP de 2011, a líder em vendas de biodiesel no país. No etanol, com foco no suprimento do mercado nacional, o objetivo da companhia é assumir, juntamente com suas parceiras e coligadas, a liderança do mercado em 2015”.

    Aditivo– O grupo do professor Cláudio Mota, no Instituto de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IQ-UFRJ), vem trabalhando no desenvolvimento de derivados da glicerina para uso como aditivos para combustíveis há cerca de sete anos. Os estudos visam a produzir éteres, acetais e ésteres da glicerina por meio de reações com etanol, acetona, benzaldeído e ácido acético, dentre outros reagentes. Estes derivados têm mostrado potencial de utilização como aditivos para combustíveis.

    A reação da glicerina com a acetona produz um cetal chamado solketal, que pode ser misturado à gasolina, aumentando a octanagem e reduzindo a

    formação de goma. Porém, a maior parte dos derivados de glicerina sintetizados tem potencial como aditivo ao próprio biodiesel. Um estudo verificou que acetais produzidos na reação da glicerina com aldeídos alifáticos, como butiraldeído, melhoram as propriedades de fluxo a frio (ponto de névoa, ponto de congelamento e ponto de fluidez) do biodiesel de sebo. Outro trabalho mostrou que acetais de glicerina e aldeídos aromáticos, como benzaldeído, são potenciais antioxidantes para uso em biodiesel, aumentando significativamente o tempo de indução no teste Rancimat, sobretudo quando em mistura com antioxidantes comerciais.

    Éteres produzidos pela reação da glicerina com etanol também se mostraram importantes aditivos para biodiesel. Estes derivados podem ser preparados em bons rendimentos com o uso de catalisadores ácidos e sua mistura no biodiesel de palma pode abaixar até 5oC o ponto de fluidez, que é um parâmetro importante a controlar em períodos de inverno, quando a temperatura ambiente é mais baixa.

    Os desenvolvimentos estão sendo custeados no âmbito da Rede Brasileira de Tecnologia do Biodiesel, com financiamento da Finep. Os estudos ainda estão em nível laboratorial, mas a ideia é buscar parcerias ou financiamentos de longo prazo para projetos de scale up e produção industrial dos derivados mais promissores.

    Leia também: Aditivos e catalisadores entram em produção local



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *