Biocombustíveis

Biodiesel – Muito além da soja, algodão e gordura animal

Nelson Valencio
13 de agosto de 2011
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    O mercado de biocombustíveis não se limita ao biodiesel derivado da soja ou do algodão, como prova a norte-americana Amyris. A empresa já produz diesel de cana, por meio do uso de leveduras atuando sobre o xarope de cana-de-açúcar. E faz isso mesmo sem ter inaugurado as duas usinas, projetadas para entrar em produção em 2012. Ambas serão ativadas no modelo de joint venture (uma com o grupo São Martinho e outra com a Usina Paraíso) e totalizarão uma capacidade anual de produção de 150 milhões de litros. Para efeito de comparação, Adilson Liebsch, diretor de marketing da Amyris, avalia que somente as frotas metropolitanas de ônibus têm capacidade para absorver cerca de 2 bilhões de litros de diesel de cana em 2018.

    Petróleo & Energia, Biodiesel - Muito além da soja, algodão e gordura animal

    Laboratório da Amyris testa o biodiesel de cana

    Até que as duas usinas entrem em produção, a Amyris resolveu terceirizar sua fabricação, apresentando uma capacidade atual que varia entre 3 milhões e 5 milhões de litros por ano. Esse volume é suficiente para os testes que a empresa tem realizado nas duas maiores cidades do Brasil.Em São Paulo, o experimento é feito numa frota de 160 ônibus, que adota uma mistura de 10% de diesel de cana e 5% de biodiesel, num projeto coordenado pela SPTrans. No Rio de Janeiro, cerca de 20 ônibus já trafegam com uma mistura de 30% de diesel de cana e 5% de biodiesel, projeto em parceria com a Fetranspor. O teste deve durar um ano e os resultados poderão ser apresentados na conferência mundial do clima que ocorrerá na cidade em 2012.

    Roberto Murat, diretor da Jetbio, empresa que atua no desenvolvimento e gerenciamento de projetos de energia renovável, acredita que há uma tendência de grande diversificação dos processos produtivos na área de biocombustíveis líquidos. “As tecnologias inovadoras de produção derivada de açúcares e biomassa serão o começo do conceito de biorrefinarias, que utilizam 100% dos coprodutos de processos existentes”, explica. Para ele, a escala de produção é um fator crítico de sucesso e apenas os grandes produtores terão capacidade de perpetuação. “Some-se a isso as grandes exigências técnicas dos combustíveis que precisam ser atingidas, de forma que os pequenos não irão representar uma parcela significativa da produção”, prevê.

    Petróleo & Energia, Roberto Murat, Diretor da Jetbio, Biodiesel - Muito além da soja, algodão e gordura animal

    Murat: bioquerosene pronto para decolar

    De acordo com Murat, o foco da Jetbio nos últimos anos tem sido a estruturação de projetos para o setor de aviação. A empresa foi coresponsável pelo fornecimento de óleo para o voo demonstrativo da TAM, que usou o bioquerosene de Jatropha no ano passado. O voo foi o início do estudo que analisa a viabilidade de produção de bioquerosene no Brasil, iniciativa que tem o apoio da Airbus, AirBP, BID e Yale. Além de cuidar da estruturação do projeto, a Jetbio é fornecedora de bioquerosene para as empresas aéreas interessadas. Para garantir o fornecimento de matéria-prima para os biocombustíveis, ela atua diretamente em projetos agrícolas por meio da Bioventures, na qual detém 50% de participação.

    Para registro, vale a pena mencionar que a Abrabio estima que somente o óleo de palma será responsável pela produção de 2,5 milhões de m³ de biodiesel em 2020. Na lista da entidade, ainda constam a mamona, o girassol e a canola como relevantes. Até lá, essas e outras oleaginosas juntas sustentariam um salto de produção de 3 milhões de m³ em comparação ao que se produz atualmente, considerando apenas as principais matérias-primas de origem vegetal, exceto, é claro, a soja e o algodão.

     

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