Biodiesel – Com ociosidade nas fábricas, setor pede antecipação do B10

Município mais antigo do Rio Grande do Sul, Rio Grande, fundado em 1737, vive uma fase de muito progresso desde o início dos trabalhos para a construção da plataforma P-53, em 2006. A onda de encomendas prossegue agora com as montagens da P-55, P-63 e a construção de oito cascos para os navios de exploração do pré-sal.

A cidade, que no ano do início da construção da P-53 era a sétima da economia gaúcha, passou, já no ano seguinte, para a 6ª colocação, com um crescimento econômico de 27,88%, contra 12,85% do resto do estado. Chegou em 2008 à quarta posição, melhorando em 21,55% os seus dados econômicos, bem acima do desempenho gaúcho, que foi de 13,00%.

O primeiro impulso foi a P-53, concluída em 2008. Ela absorveu um investimento de R$ 2,5 bilhões, gerando 4.300 empregos diretos e 12.500 indiretos. A P-53 foi construída pela Quip S/A, uma associação entre Queiroz Galvão, Ultratec, Iesa, Construtora Camargo Corrêa e PJMR. Ela tem capacidade de produzir 180 mil barris/dia de óleo e 6 milhões de metros cúbicos de gás, além de tratar e injetar 245 mil m³/dia de água e gerar 92 megawatt-hora de energia. A P-53 deverá operar por 25 anos sem fazer docagem.

O casco da P-53 foi importado da Ásia, tendo 346 m de comprimento, 57,3 m de largura e altura de 76 m. Já os módulos da P-53 foram feitos em locais distintos: três em Cingapura (Ásia), oito no Rio de Janeiro e quatro em Rio Grande.

Também realizadas pela empresa Quip S/A, já estão em andamento as obras de construção e montagem das plataformas P-55 e P-63. AP-55, com previsão de conclusão para julho de 2011, recebeu investimentos de R$ 1,5 bilhão, empregando diretamente 3.000 pessoas e indiretamente mais de 6.300. A plataforma, a segunda feita no estado, está sendo executada no Estaleiro Rio Grande, onde foi construído o primeiro dique seco de grande porte do país.

As obras de construção e montagem da P-63, com uma previsão de aporte de recursos da ordem de R$ 1,5 bilhão, deverão estar concluídas até dezembro de 2012. A expectativa é de que a obra no seu pico gere até 3.000 empregos diretos e 7.000 ocupações indiretas. Elas estão sendo realizadas por uma joint-venture formada pela Quip e BW Offshore.

Com obras localizadas na ponta Sul do Porto Novo,em Rio Grande, a P-63 é uma plataforma do tipo FPSO (Floating Production Storage and Offl oading). Ela terá 334 metros de comprimento e deverá operar no campo de Papa Terra, na Bacia de Campos, no Rio de Janeiro. A P-63 terá capacidade para processar 140 mil barris por dia de petróleo e um milhão de Nm³/dia de compressão de gás. A unidade gerará 98 MWh de energia e armazenará até 1,4 milhão de barris de petróleo.

Petróleo & Energia, Gilberto Pinho, Secretário de Assuntos Extraordinários da prefeitura, Indústria naval - Rio Grande do Sul - Esforços locais atraem novos investimentos para rio grande
Pinho: município tem indústria diversificada

Pelo plano de construção e montagem da plataforma, a Quip S/A será responsável pela construção dos módulos de processo e completará a integração deles ao casco do navio-tanque BW Nisa, que está sendo convertido em casco desta plataforma na China, na cidade de Dalian, numa parceria com o grupo BW Offshore. A chegada do cascoem Rio Grandeestá prevista para acontecer entre setembro e outubro de 2011. O maior e mais duradouro investimento no polo naval de Rio Grande iniciou em março a construção de oito plataformas do tipo FPSO pela empresa Engevix.

A obra, com investimento inicial de R$ 6,4 bilhões, deverá estar concluída em seis anos, período em que os oito cascos deverão estar prontos. A expectativa é de que sejam contratados diretamente para a operação industrial seis mil trabalhadores, com doze mil indiretamente.

A parte física da construção das plataformas já está em andamento, com a chegada de 20 mil chapas de aço de quatro toneladas cada, vindas da Coreia do Sul. Essas peças são suficientes para a montagem de metade de uma plataforma ou casco. O restante das chapas deverá chegar nos próximos meses. A expectativa é de que, em 2013, dois cascos já estejam prontos. Para 2015, a previsão chega a quatro plataformas, com a conclusão total das obras em 2017 ou 2018.

Na manhã de 1º de abril, foi divulgado que a Quip construirá também a P-58, cujo casco está sendo fabricado em Cingapura, com previsão de chegada à parte sul do Porto Novo de Rio Grandeem outubro. Aobra, cujo valor não foi informado, deverá empregar 1,3 mil pessoas.

Mais investimentos – Os investimentos no polo naval de Rio Grande também envolvem outras empresas, não só por meio de encomendas da Petrobras. O grupo Wilson, Sons construirá um estaleiro mediante investimento de US$ 140 milhões. Ele atuará na construção de embarcações de apoio para a exploração marítima, rebocadores portuários e oceânicos.

Esse empreendimento deverá gerar, na primeira fase, 600 postos de trabalho e atingir 2 mil empregos quando estiver operando em plena capacidade. A Wilson, Sons, tradicional empresa com 170 anos de atuação na prestação de serviços aos setores do comércio marítimo nacional e internacional, pretende além do estaleiro – que ficará em uma área de 125 mil metros quadrados – ainda implantar um centro de treinamento para formação de mão de obra local, onde mais de 1,4 mil trabalhadores serão preparados até 2015.

Petróleo & Energia, Fábio Branco, Prefeito de Rio Grande, Indústria naval - Rio Grande do Sul - Esforços locais atraem novos investimentos para rio grande
Branco: 75% do pessoal da P-63 é de Rio Grande

No estaleiro da Wilson, Sons será feita a transformação de peças em blocos, e depois em navios. Para tanto, a estrutura contará com um pátio de peças, oficinas de submontagem e de acabamento, edificação e um dique flutuante para lançamento das embarcações na água. Já as oficinas terão capacidade máxima de produção de 16 mil toneladas de aço por ano, o que equivale à possibilidade de entrega de até oito embarcações de apoio a plataformas de petróleo. A obra deverá ser executada em um ano e meio.

Diversificação – A economia da cidade de Rio Grande conta ainda com um Distrito Industrial bastante diversificado na sua composição de empresas. Operam no espaço de2.000 hectares, com a capacidade quase toda instalada, indústrias de fertilizantes, alimentos, madeireira, energia e química e metalúrgica, sendo estas últimas na sua maioria empresas sistemistas das empresas que constroem as plataformas do polo naval.

De acordo com o secretário de Assuntos Extraordinários da prefeitura, Gilberto Pinho, o município também conta com projetos na área da energia eólica e GNL (gás natural liquefeito). Segundo ele, os investimentos em GNL compreendem a construção de um Projeto Integrado de Terminal de Recebimento e Regaseificação no Porto do Rio Grande pela empresa Gás Energy New Ventures.

A previsão de investimentos gira em torno de US$ 1,2 bilhão, devendo entrar em operação em três anos a contar da concessão da licença ambiental pela Fepam, prevista para o primeiro semestre deste ano. Segundo Gilberto Pinho, a planta deverá ocupar uma área de aproximadamente20 hectares, entre os postos Buffon e Ongaratto, na BR-392. Do investimento total de US$ 1,25 bilhão, US$ 800 milhões serão aplicados na termelétrica e US$ 450 milhões no terminal de regaseificação de GNL (Tergas).

O Tergas terá capacidade inicial de processar 6 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia, recebendo cerca de três vezes o volume de gás que o Rio Grande do Sul hoje traz por gasoduto, criando uma alternativa de recebimento de gás para suprir o estado. Já a UTE Rio Grande se constituirá numa alternativa para geração de energia no estado, pois, com uma potência instalada de 1.250 MW, terá condições de atender a 30% da demanda do Rio Grande do Sul, que enfrenta déficit na geração de energia.

Para receber todos os novos investimentos do polo naval, o município buscou se preparar para atender às novas demandas com a urgência necessária. Nesse sentido, a prefeitura criou um grupo de trabalho que se reúne todas as terças-feiras à tarde para tratar do tema. De acordo com Gilberto Pinho, são debatidos nos encontros temas como: capacitação profissional, mobilidade urbana, saúde, educação e habitação.

Desses encontros já foram definidas várias prioridades e garantidos recursos para investimentos nas mais diversas áreas. Foi obtido um empréstimo no Banco Mundial (BIRD) de U$ 50 milhões (dos quais 50% já foram liberados) para obras de pavimentação e saneamento básico. Na área habitacional, 3.450 novos apartamentos e 684 casas estão sendo construídos pelo Programa Minha Casa, Minha Vida, além de uma centena de investimentos privados.

Petróleo & Energia, Dirceu Lopes, Superintendente do Porto de Rio Grande, Indústria naval - Rio Grande do Sul - Esforços locais atraem novos investimentos para rio grande
Lopes: porto reformula planejamento estratégico

Uma das maiores deficiências da cidade é a oferta hoteleira, que conta com 2.090 vagas, insuficientes para atender à demanda. Segundo o secretário de Assuntos Extraordinários, já estão em construção dois novos empreendimentos, dos grupos Villa Moura (local) e do Swan Tower (Novo Hamburgo/RS), além de mais dois novos projetos em tramitação na prefeitura.

Otimista com as obras do polo naval, Fábio Branco, o prefeito da cidade, acredita que Rio Grande até 2015 verá sua população passar dos atuais 200 mil para 250 mil habitantes, com a geração de 40 mil empregos, o que fará o município chegar a ser o 3º ou 4º em arrecadação no estado, atingindo um orçamento municipal de R$ 500 milhões e uma frota de 120 mil automóveis, com um crescimento muito acima da média do país.

Fábio Branco acredita queem Rio Grandeexistam oportunidades em todas as áreas, desde restaurantes, hotéis, bares, passando por empresas de prestação de serviços, indústrias e informática. Ele ressalta que os números da construção civil são expressivos, com o crescimento em mais de 100% de um ano para o outro da quantidade de obras aprovadas em m² pela prefeitura.

Branco destaca que “a retomada do crescimento econômico da cidade baseado na cadeia do óleo e gás é consistente”, ressaltando que nas atuais obras da P-55 e da P-63 atuam 75% dos trabalhadores locais e 25% de fora, percentual invertido em relação ao da construção da P-53, na qual 75% dos operários eram de outras localidades e apenas 25% de Rio Grande.

Para o superintendente do Porto de Rio Grande, Dirceu Lopes, no cargo desde o início do atual governo estadual, a autarquia está preparada para atender às novas exigências impostas pelas obras de ampliação do polo naval. Lopes aponta que em 2011 serão investidos R$ 440 milhões, entre recursos próprios e do governo federal.

Lopes adiantou que, a partir de abril, durante um ano será realizado um pla com a fundação Maharishi, com sede na Holanda. Essa oleaginosa produz um óleo de alta estabilidade química e de baixo custo. Para dar início ao projeto de exploração, a empresa plantou um total de 2 mil hectares iniciais no Piauí, de onde vai recolher as sementes para ampliar o plantio para um total de 100 mil hectares.

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Petróleo & Energia, Paulo Soares, Diretor da Dedini, Biodiesel - Com ociosidade nas fábricas, setor pede antecipação do B10
Soares: rota etílica já está em uso comercial desde 2006

Para ele, os produtores têm capacidade para absorver facilmente a demanda por maior mistura de biodiesel ao diesel de petróleo, podendo adotar o B10 em curto espaço de tempo, de um a dois anos, considerando 2014 como data limite. “A melhor resposta para isso quem pode dar é a indústria automobilística, que já admite o uso de B20, demonstrando que a mistura de 10% de biodiesel ao diesel de petróleo não é um desafio tecnológico”, argumenta. Paula, da Granol, concorda com Soares e destaca que há uma superoferta de biodiesel. “O setor está maduro para absorver o B10, mas o governo ainda estuda essa ampliação. Acreditamos que teremos esse novo patamar de mistura em 2012 e esperamos que o governo defina um degrau intermediário, o B7, ainda este ano.”

Diego Ferrés, diretor industrial da Granol, explica que o maior uso do biodiesel pode acontecer com a progressão dos teores de mistura obrigatória começando com o B7, em 2011, e evoluindo até o B20 por volta de 2020. “Nas áreas metropolitanas, a introdução do B20 deve ocorrer ao lado da agenda de limitação da presença de enxofre no diesel de petróleo”, explica. De acordo com ele, o limite técnico do uso de biodiesel é o B100, mas “o limite do bom-senso, do razoável, num horizonte de algumas décadas, situa-se entre B20 e B30 na mistura obrigatória de uso geral”, explica. “Para os usos específicos, cada caso tem que ser definido pela disponibilidade, custo e logística do abastecimento”, finaliza.

Catalisadores e aditivos – O crescimento da produção de biodiesel causa reflexos na área de catalisadores, insumos que aceleram e tornam viável técnica e economicamente a reação química para produção do combustível renovável. É o caso da Basf, que vai começar a produzir o metilato de sódio no Brasil a partir de novembro. Será a primeira planta de escala global de fabricação do catalisador a ser ativada na América do Sul. Com uma capacidade nominal para 60 mil toneladas por ano, a unidade ficará alojada dentro no Complexo Químico de Guaratinguetá-SP, atendendo inicialmente aos mercados do Brasil e da Argentina.

“Nosso metilato de sódio é isento de água, evitando a formação de sabões que são indesejados no processo produtivo do biodiesel, pois dificultam a separação do combustível dos outros materiais”, diz Carlos Eggers, diretor do negócio de químicos industriais da Basf para a América do Sul. Segundo ele, além de qualidade e desempenho, a produção local agrega rapidez na entrega do insumo.

O executivo destaca que a decisão de fabricar o metilato de sódio localmente foi baseada em três fatores, sendo o primeiro deles o tamanho do mercado representado pelos dois países sul-americanos, considerados entre os maiores produtores globais de biodiesel. “A lei mandatória no Brasil exige uma produção de cerca de 2,5 bilhões de litros por ano de biodiesel”, avalia Eggers. A competitividade da Basf foi o segundo fator determinante na ativação da unidade, uma vez que a planta terá escala global e contará com a tecnologia inovadora da multinacional. O terceiro e último ponto que justifica a fábrica no Brasil é o ambiente favorável.

Petróleo & Energia, Biodiesel - Com ociosidade nas fábricas, setor pede antecipação do B10
Éster de ácidos graxos pronto para ser misturado ao diesel

Carlos Araújo, coordenador de negócios da Evonik, também destaca a predominância do metilato de sódio como catalisador mais usado mundialmente para acelerar a reação química que produz o biodiesel. “Ele apresenta uma eficiência superior a outros produtos como os hidróxidos, sendo adotado por cerca de 90% do mercado mundial”, detalha. Segundo Araújo, o metilato de sódio também oferece uma produtividade de 3% a 5% maior do que outros catalisadores e tem a vantagem de não necessitar de equipamentos para sua dissolução, além de não deixar resíduos no combustível.

A empresa fabrica, em sua unidade alemã, dois catalisadores utilizados na produção do biodiesel: metilato de sódio a 30% em metanol e o metilato de potássio a 32% em metanol, ambos indicados para o processo de transesterificação de óleos vegetais, gordura animal e óleos de reúso. Além deles, a Evonik fabrica os aditivos anticongelantes da linha Viscoplex, indicados para melhorar o desempenho do biodiesel, especialmente em baixa temperatura.

“As propriedades de fluxo em baixa temperatura da maioria dos tipos de biodiesel são inferiores àquelas do diesel fóssil, por isso há necessidade de incorporar aditivos para adequá-las aos padrões de especificação”, explica Araújo. De acordo com ele, determinados componentes do biodiesel começam a precipitar em baixas temperaturas, formando inicialmente pequenos cristais. Com a redução ainda maior da temperatura, os cristais crescem e aumentam a viscosidade, podendo causar a obstrução de filtros e de canais de condução do combustível. Ao alterar o processo de cristalização, o anticongelante melhora a fluidez do biodiesel.

A Lanxess, por sua vez, produz um antioxidante que pode ser aplicado tanto ao biodiesel como ao diesel tradicional. Com nome comercial de Baynox, o insumo químico possui um certificado de “não prejudicial”, emitido pela AGQM, organização que responde por cerca de 80% da demanda de biodiesel da Alemanha e mantém um sistema de controle de qualidade para o combustível renovável. A entidade testou todos os antioxidantes usados naquele país com o objetivo de identificar qualquer elemento que poderia ser prejudicial ao diesel.

De acordo com a Lanxess, a adição de antioxidante é especialmente importante para o biodiesel produzido com óleos vegetais com um alto índice de ácidos graxos poli-insaturados, cuja participação no mercado terá um grande aumento no futuro. A empresa projeta um forte crescimento do biodiesel obtido de plantas não comestíveis, como o óleo de pinhão-manso, da Índia e da África, e o óleo de karanja, da China, ambos muito suscetíveis à oxidação quando expostos ao ar. Os aditivos também apresentam alta solubilidade em biodiesel, podendo ser adicionados como formulações líquidas e prontas para uso, eliminando assim a necessidade de adição de solventes voláteis e odoríferos.

 

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