Petróleo e Energia

Biocombustíveis – Etanol e biodiesel projetam demanda aquecida

Hamilton de Almeida
30 de março de 2021
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    Petróleo & Energia - Biocombustíveis - Etanol e biodiesel projetam demanda aquecida e ambiente favorável aos produtores - Perspectivas 2021 ©QD Foto: iStockPhoto

    Perspectivas 2021 – Biocombustíveis – Etanol e biodiesel projetam demanda aquecida e ambiente favorável aos produtores

    Petróleo & Energia - Biocombustíveis - Etanol e biodiesel projetam demanda aquecida e ambiente favorável aos produtores - Perspectivas 2021 ©QD Foto: iStockPhoto

    Nastari: RenovaBio conseguiu superar os objetivos iniciais biocombustíveis

    O complexo industrial da cana-de-açúcar tem uma expectativa positiva para este ano, mesmo com a redução na oferta da matéria-prima. “Com um mix de produção para açúcar aproximadamente igual – 46,33% em 2020/21 e projetados 46,55% em 2021/22 –, o consumo de etanol anidro para uso combustível deve crescer de 9,72 bilhões para 10,35 bilhões de litros, e o consumo de etanol hidratado combustível deve se manter em 19,15 bilhões de litros/ano. O consumo para outros fins deve retroceder ligeiramente, de 2,228 bilhões para 2,028 bilhões de litros, com o relaxamento das medidas de isolamento”. As previsões são do presidente da consultoria Datagro, Plinio Nastari.

    Ele trabalha com a expectativa de que a moagem de cana na região Centro-Sul caia das 607,3 milhões de toneladas da safra 2020/21 para 586 milhões de t na safra 2021/22. “Essa queda deve ser atribuída em grande ao tempo seco observado em 2020, que ocasionou atraso no desenvolvimento fisiológico dos canaviais, ao aumento dos episódios de incêndio que aumentaram as falhas de brotação, e à maior infestação de pragas (broca e cigarrinha) e de mato”, afirma Nastari.

    Para o diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Antonio de Pádua Rodrigues, “vários fatores” contribuem para a redução na oferta de cana, principalmente o veranico de abril a setembro e o envelhecimento dos canaviais. Por isso, ele antecipa que a próxima safra, assim como a anterior, será mais açucareira. “Vai faltar açúcar no mercado mundial; o real está desvalorizado e muitas empresas já venderam grande parte do açúcar da próxima safra, que deverá ter de novo preços muito favoráveis. Hoje, o preço supera os 16 cents de dólar por libra peso”, considerou.

    Com muitos anos de experiência, Pádua se acostumou a ver uma safra diferente da outra. Mas confessa que assistiu, em 2020, algo “muito diferente”. Lembra que o ano começou com uma expectativa muito positiva e o mercado de açúcar já sinalizando bons preços e a possibilidade de o Brasil exportar mais.

    Em março, entretanto, começaram os abalos. “O primeiro foi o choque do petróleo em consequência da disputa entre a Rússia e a Arábia Saudita, que derrubou os preços a valores negativos. Como mais de 55% da nossa cana é dedicada à produção de etanol, a preocupação foi muito grande. Logo em seguida, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou para a pandemia do novo coronavírus, o que mexeu com a mobilidade em nível planetário”.

    Pádua relata que o setor se preparou para começar a safra em abril com maior produção de cana. E começou dentro de um cenário não muito claro na questão da mobilidade, mas bem definido na parte do açúcar. “Grande parte da oferta de cana estava comprometida na produção e exportação de açúcar”, recorda.

    Nastari analisa que, após um primeiro trimestre de 2020 muito tumultuado, com o pico da crise ocorrendo em abril, quando o consumo e o preço dos combustíveis caíram a níveis incrivelmente baixos – em 20 de abril, o preço do petróleo WTI fechou ao inédito nível negativo de US$ 43 por barril, e a gasolina RBOB (gasolina reformulada para a adição de oxigenados, como o etanol, equivalente à gasolina A no Brasil) a meros US$ 0,40 por galão –, ao longo do ano o preço e o consumo foram se recuperando. No acumulado entre janeiro e novembro, o consumo de etanol hidratado totalizou 17,313 bilhões de litros, queda de 15,2% em relação aos primeiros 11 meses de 2019.

    O consumo de gasolina C atingiu 3,218 bilhões de litros em novembro, totalizando 34,602 bilhões desde janeiro, queda de 7,2% em um ano. A mesma proporção foi observada para o etanol anidro, cujo consumo caiu 7,2% em relação ao mesmo período de 2019.

    Nastari conjetura que, para a safra de 2020/21, a ser encerrada em 31 de março, a demanda de combustíveis do ciclo Otto (gasolina C + etanol hidratado), em gasolina equivalente, deve cair 9,2%. O consumo de álcool para outros fins, impulsionado principalmente pelo uso em saneantes, como álcool 70% e álcool gel, aumentou de 1,925 bilhão para 2,228 bilhões de litros. O consumo para alcoolquímica deve encerrar o ciclo 2020/21 caindo de 0,2 bilhão para 0,14 bilhão de litros.



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