Petróleo e Energia

Balanço elétrico – Ventos fornecerão 12% da eletricidade nacional em 2020

Nelson Valencio
27 de janeiro de 2012
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    Destacada pelo potencial crescimento de participação na matriz de geração nos próximos anos, a energia eólica responde hoje por 0,9% da capacidade brasileira. De acordo com Elbia Melo, presidente executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), essa modalidade produz atualmente 1,3 GW. Em2014, a capacidade dos parques eólicos sobe para sete GW, elevando a participação da energia eólica para 5,4% da matriz de geração. Com a meta de vender dois GW ao ano nos leilões programados, a energia eólica poderá chegar em 2020 com 12% em termos de produção de energia no Brasil, somando cerca de 20 GW de capacidade. A pergunta é: existe uma limitação técnica?

    Para Elbia, o setor tem uma margem segura de crescimento. E ela rebate a afirmação de que existiria um teto – entre 10% e 20% da matriz – para a participação da energia eólica. Esse índice levaria em conta o fato de essa modalidade ser intermitente e sazonal como outras fontes de energia renováveis. A segurança de Elbia em afirmar que é precipitado falar em teto decorre do fato de o Atlas Eólico, mapeamento da capacidade do Brasil nessa área, ainda não ter sido concluído (previsto para o final de 2011). Mesmo que o índice máximo apontado seja 20%, os parques eólicos vão representar apenas 12% da matriz em 2020.

    Petróleo & Energia, Elbia Melo, Presidente executiva da ABEEólica, Balanço elétrico - Ventos fornecerão 12% da eletricidade nacional em 2020

    Elbia: custos para instalação de parques eólicos caíram

    Os benefícios da evolução tecnológica podem ser medidos, na avaliação da presidente executiva da ABEEólica. “Em 2004, o custo de instalação de um projeto era de R$ 6 milhões por MWh, valor reduzido para cerca dos atuais R$ 3,2 milhões”, explica. Acrescente-se a essa queda as condições favoráveis dos ventos na costa brasileira, que têm um fator de capacidade entre 45% e 50%. Isso significa que uma instalação com potência de 100 MW pode gerar efetivamente até 50 MW de energia no Brasil contra 30 MW em continente europeu.

    “Somente depois dessas duas considerações é que podemos adicionar o fator pontual da crise internacional”, complementa Elbia. Para ela, o cenário mundial negativo paralisou os projetos na área éolica, com exceção de três países, hoje grandes consumidores de equipamentos: China, Índia e Brasil. E, novamente, o Brasil teria sido favorecido, tornando-se o centro de atenção dos fabricantes internacionais. Isso acontece porque a China, como era de se esperar, produz internamente e não compra dos tradicionais produtores. A Índia é cliente de seus vizinhos chineses e complementa a demanda adquirindo dos players internacionais, mas em pequena proporção. Sobra o Brasil. Com uma indústria de bens de capital voltada ao setor, com cerca de dez fabricantes instalados, o Brasil contabiliza localmente 70% dos componentes que envolvem a cadeia.

    Essa última região, aliás, concentra 64 parques eólicos instalados, dos quais cerca de 500 MW de capacidade estão no Ceará. O terceiro maior parque é o do Rio Grande do Norte, com 206 MW. Fora do Nordeste, o Rio Grande do Sul possui um parque com 298 MW de capacidade instalada, ocupando o segundo lugar entre os produtores. Com os recentes leilões, o Rio Grande do Norte assumirá a liderança com 83 parques e 2,39 GW de capacidade.

    Petróleo & Energia, Balanço elétrico - Ventos fornecerão 12% da eletricidade nacional em 2020

    Montagem de aerogeradores na fábrica de Sorocaba

    Eduardo Lopes, diretor comercial da Wobben Windpower, não se espanta com a evolução da energia eólica na matriz brasileira. A empresa, segundo ele, foi pioneira em investir na tecnologia em 1996, antes mesmo do estabelecimento do Proinfa em 2004. O pioneirismo se estende também à operação, uma vez que ela também foi a primeira produtora independente a adotar a modalidade, possuindo quatro usinas eólicas ativas.

    Com três unidades no Brasil, a Wobben fabrica praticamente toda a cadeia de produtos para implementação das usinas. A planta de Sorocaba, por exemplo, produz os aerogeradores, que no caso da empresa são diferenciados. Ao contrário da tecnologia padrão, ela produz equipamentos com acoplamento direto, dispensando caixas de engrenagens comuns nos concorrentes para a conexão do gerador ao rotor.

    O executivo valida as informações de Elbia e lembra que a alta velocidade de evolução tecnológica das usinas eólicas é o grande diferencial da modalidade. As melhorias em curto prazo impedem os especialistas de avaliar como serão otimizadas as torres e os aerogeradores daqui a dois anos. “Vários detalhes são aperfeiçoados como diâmetro e formato de pás, adaptando-se às condições locais das usinas”, argumenta Lopes.

    Para ele, não se trata somente de aumento de potência, mas do desenvolvimento de projetos mais adequados e com maior aproveitamento do fator de capacidade. “O Brasil estrategicamente investiu em energia eólica e tem um aprendizado na área que, ao lado de pesquisas como a do Atlas Eólico, favorece essa modalidade de geração. Tivemos salto na tecnologia dos aerogeradores, que quadruplicaram sua capacidade desde que o país adotou a tecnologia. Tudo isso, em conjunto, criou um ecossistema positivo”, finaliza.



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