Energia Elétrica

Balanço Elétrico – Planejamento setorial garante suprimento nacional até 2020

Nelson Valencio
27 de janeiro de 2012
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    O Brasil vai sediar dois megaeventos esportivos até 2016, mas existem algumas incertezas no ar. Não se sabe se teremos uma infraestrutura aeroportuária compatível com a Copa de 2014 e com a Olimpíada, dois anos depois. Também há dúvidas se as arenas esportivas de fato estarão totalmente operacionais daqui a praticamente dois anos.

    Um dado interessante – pelo menos em relação à Copa – é que os estádios devem ser supridos energeticamente com geradores. As linhas tradicionais de energia elétrica funcionarão como backup, operação determinada pela cartilha da Fifa. Foi assim na África do Sul, por exemplo, e Montagem de gerador eólico na fábrica da Wobben em Sorocaba-SP será assim no Brasil. Se o suprimento seguisse uma lógica normal – linhas convencionais de energia abastecendo as arenas, secundadas por geradores –, não haveria problemas de apagão. Pelo menos é o que estimam os especialistas ouvidos nessa reportagem, ao fazer um balanço da oferta e demanda de energia nos próximos cinco anos.

    Para eles, os números da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), instituição responsável por estudos que subsidiam o planejamento na área elétrica, devem ser uma referência, mas não podem ser encarados como verdade absoluta. “É preciso que esse planejamento seja adaptado às condições de momento e reavaliado sempre”, explica Erik Eduardo Rego, executivo da consultoria Excelência Energética. “Não é culpa do planejador. Ele pode ser, por exemplo, otimista em relação às licenças ambientais de hidrelétricas. Pela avaliação mais recente, a UHE de São Manoel já estaria liberada, o que não aconteceu. Da mesma forma, foi prorrogado o prazo para licenciamento da UHE de Sinop”, detalha. Segundo ele, o inverso também acontece: a EPE não estimava o crescimento da oferta de gás natural, mas tanto a Petrobras como a MPX tiveram produção adicional, como apontou Rego.

    Para João Carlos de Oliveira Mello, presidente da consultoria Andrade e Canellas, existe um processo real de venda de energia em leilões públicos, o que confirma as contratações nos próximos cinco anos, mas é preciso vencer as limitações como o licenciamento ambiental. Para ele, o governo deve monitorar os gargalos e um deles é a transmissão, principalmente porque as linhas das grandes usinas em construção cortam a região amazônica, a mais vulnerável nesse segmento. O sinal amarelo deve ser ativado, na opinião dele, para projetos como Tapajós. “Nossa matriz continua predominantemente hidrelétrica, com um complicador adicional no fato de grandes projetos atuais serem usinas a fio d’água, sem reservatórios.” Mello avalia que, para garantir a segurança no suprimento de energia, as fontes complementares, caso das usinas termelétricas, precisam estar bem equacionadas.

    Charles Lanzi, presidente da Associação Brasileira de Geração de Energia Limpa (Abragel), avalia que existe um planejamento efetivo de forma geral, o que ele saúda como positivo. E mais: os números da entidade indicam que haverá um crescimento da participação de fontes alternativas de energia na geração, com destaque para a modalidade eólica, que poderá responder por até 7% da matriz nos próximos cinco anos. Ele também aposta no incremento da biomassa como fonte de geração, mas adianta que as pequenas centrais hidrelétricas ou PCHs vivem um sério momento de parada – ou mesmo retrocesso. No quesito diversificação, Lanzi está alinhado com os indicadores do Plano Decenal de Energia (PDE), preparado pela EPE como etapa do planejamento até 2020.

    O documento confirma o que os três especialistas argumentaram, estimando que as principais fontes geradoras de energia – hidrelétrica, biomassa e eólica – continuem renováveis. Mas, de acordo com a EPE, a participação das hidrelétricas cairá de 76% para 67% (entre 2010 e 2020), ao mesmo tempo em que o conjunto formado pelas usinas eólicas, térmicas (nesse caso, somente as acionadas com biomassa) e PCHs dobrará a participação, de 8% para 16%. Em suma, as fontes renováveis chegam a 83% em 2020, consumindo investimentos de R$ 190 bilhões, considerando as usinas já autorizadas. Os projetos não contratados ou não autorizados somariam outros R$ 100 bilhões.

    Para Mello, da Andrade e Canellas, considerando o papel das térmicas como fonte segura de suprimento, o setor precisa acompanhar o caso das usinas movidas a gás natural, levando em conta o papel da Petrobras como fornecedora. Ele explica que a empresa tem um grande potencial de exploração nos próximos dez anos. “Há um processo de formação do preço do gás, principalmente quando se desenha a primeira fase dessa exploração”, explica.

    Para Rego, da Excelência Energética, há uma estimativa de sobra de gás natural ao longo de 2014-16 em vista das descobertas que a Petrobras vem realizando, tendência comprovada pelo leilão realizado em agosto de 2012. “Tem havido uma discussão a respeito do equilíbrio da negociação de gás, uma vez que a Petrobras também possui térmicas usando esse combustível”, avalia o consultor. Para ele, como o Brasil não está vivendo uma situação de escassez de geração, o imbróglio a respeito de gás natural não deve ser priorizado agora.



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