Petróleo e Energia

Bacia de campos – Maior produtora de óleo do Brasil recebe investimentos para rejuvenescer

Bia Teixeira
25 de junho de 2012
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    COM CERCA de 100 mil quilômetros quadrados, que se estendem do sul do Espírito Santo, no alto de Vitória, até o sul do Rio de Janeiro,em Cabo Frio, a Bacia de Campos continua sendo a mais produtiva bacia petrolífera do Brasil, do alto de seus 35 anos de atividades, nos quais a Petrobras já produziu, até hoje, quase 8,8 bilhões de barris de óleo equivalente (boe, que abrange pe­tróleo, condensado e gás natural). A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) registra 60 campos em produção nessa bacia: 47 em produção defi­nitiva (38 operados pela Petrobras) e 13 na etapa de desenvolvimen­to (dos quais, oito operados pela Petrobras). Esses ativos equivalem a 20% do total de concessões em ativi­dade produtiva no país atualmente.

    Esses campos produziram, em maio, como aponta o boletim da ANP publicado no início de julho, a média diária de 1,7 milhão de barris de petróleo e 25,7 milhões de m³ de gás, um total de 1,86 milhão de boe. A maior parte dessa produção na Bacia de Campos veio da Petrobras: 1,62 milhão de barris de óleo/dia e 22,6 milhões de metros cúbicos de gás. Há ainda 33 áreas sob conces­são, licitadas em nove rodadas, ainda na etapa exploratória.

    É nesta bacia que estão os cam­pos e poços de maior produtividade do país: em maio, dos 20 maiores campos produtores do país, 16 ficam na Bacia de Campos, sendo dois operados por companhias es­trangeiras – Peregrino/Statoil (13º) e Ostra/Shell (14º). Marlim Sul permaneceu no primeiro lugar do ranking dos maiores produtores de petróleo e em segundo lugar em gás natural, com média de 341,1 mil boe/dia. Nesse campo, a platafor­ma P-56 produziu, em sete poços, a média de 136,3 mil boe/dia, lideran­do o ranking das plataformas com maior produção. Já em gás natural, os números são mais equilibrados: dos vinte maiores produtores, oito campos estão nessa bacia.

    Mesmo com a forte produção, a Bacia de Campos tem conseguido renovar suas reservas provadas que, em 31 de dezembro de 2011, eram de 16,2 bilhões de barris de petró­leo, sendo 87% na costa do estado do Rio de Janeiro e em torno de 13% na costa sul do Espírito Santo. As reservas totais de gás somavam 245,5 bilhões de metros cúbicos. Esses volumes representam apro­ximadamente 62% das reservas provadas do país (de 25,943 bilhões de barris) e pouco mais de 31% das reservas brasileiras de gás natural (de 789,48 bilhões de m³ de gás).

    Não estão computadas nesse to­tal as reservas dos campos sem pla­no de desenvolvimento aprovado e que não iniciaram produção, ainda não formalmente reconhecidas pela ANP, que somavam 4,14 bilhões de barris de óleo e 117 bilhões de m³ de gás no final do ano passado. Em torno de 1,5 bilhão de barris de petróleo e 32 bilhões de m³ de gás estão na costa fluminense, sendo difícil computar qual o volume total da Bacia de Campos, uma vez que os números da ANP estão relaciona­dos apenas aos estados que seriam impactados por tais riquezas.

    Atualmente, cerca de 80 plata­formas estão operando na Bacia de Campos, perto da metade delas do tipo semissubmersível e 14 unida­des fixas, com mais de 20 e até 30 anos, como é o caso de Enchova, o primeiro campo a produzir, em 1977, e de Garoupa, a primeira descoberta, em 1974, dando ori­gem às atividades naquela bacia. Há ainda mais de duas dezenas de FPSOs (Floating Production, Storage and Offloading, ou Unidade Flutuante de Produção, Armazenamento e Escoamento), alguns FSOs (unida­des de transbordo e estocagem, que vêm sendo convertidas em FPSOs) e 16 FPUs (Floating Production Unit).Petróleo & Energia, Bacia de campos - Maior produtora de óleo do Brasil recebe investimentos para rejuvenescer

    Potencial redescoberto – Ainda que seja uma bacia madura, ela despon­ta como uma província petrolífera de duplo potencial, graças às des­cobertas que vêm sendo realizadas tanto na camada do pós-sal, onde estão as principais reservas em produção nesta bacia, como na do pré-sal.

    A última delas foi anunciada em maio deste ano, no BM-C-33, ope­rado pela parceria entre a hispânica Repsol e a chinesa Sinopec, locali­zado ao sul da Bacia de Campos, no prospecto Pão de Açúcar, com volumes recuperáveis superiores a 700 milhões de barris de petróleo de boa qualidade e 3 trilhões de pés cúbicos (545 milhões de barris de óleo equivalente) de gás natural. Nessa concessão, a Repsol-Sinopec e a norueguesa Statoil têm 35% de participação cada uma e a Petrobras, os 30% restantes.

    No bloco localizado a 195 quilô­metros de distância da costa do Rio de Janeiro, onde a profundidade é em torno de2.800 metros, foi iden­tificada uma coluna total de hidro­carboneto de cerca de500 metrosde espessura. Isso confirmou o enor­me potencial dessa concessão, onde já houve duas outras descobertas (Seat e Gávea). A Repsol-Sinopec também tem 10% de participação no campo de Albacora Leste (sendo os 90% restantes da operadora, a Petrobras), onde também houve descobertas no pré-sal.

    Nos últimos anos, outras petro­leiras, como a brasileira OGX, tam­bém têm tido sucesso exploratório nessa bacia, que reúne alguns dos principais players do mundo, como a anglo-holandesa Shell, segunda maior produtora do país, com dois ativos (Bijupirá-Salema e Parque das Conchas); a Statoil, terceira maior produtora, com o campo de Peregrino; e a francesa Total, que recentemente se tornou operadora de Xerelete, ainda em desenvolvimento.

    Sem falar na norte-americana Chevron, que paralisou suas opera­ções no campo de Frade, em razão de um acidente registrado no final de 2011, mas que se encontrava entre a terceira e a quarta posição entre os maiores produtores de petróleo e gás, até meados do ano passado.



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