Engenharia de Processos

Água de Injeção – Membranas de nanofiltração removem sulfato da água do mar para melhorar extração em plataformas offshore

Marcelo Furtado
19 de agosto de 2012
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    O gerente de conta da Dow, André Belarmino, confirma que a empresa estuda o uso da ultrafiltração no pré-tratamento, mas confessa que ainda não encontraram o espaço dentro do módulo para encaixar a tecnologia. “As plataformas não têm espaço sobrando, então é preciso um esforço de engenharia para colocar os skids”, disse. Ainda de acordo com Belarmino, o Brasil é o foco principal para a venda das membranas de nanofiltração SR90, cuja linha possui variações de alta rejeição (HR), no modelo de 400 pés, atingindo até 99% de remoção de sulfato, contra 97% a 98% da convencional. “Sem dúvida o présal representa o maior mercado de águas profundas do mundo, o que significa uma alta demanda pela remoção de sulfato”, completou.

    SISTEMA COMPLEYO INCLUIO PRÉ-TRATAMENTO

    A unidade de remoção de sulfato, com as membranas de nanofiltração, na verdade, constitui um sistema com algumas etapas de preparação da água do mar. Ao entrar na unidade, a água do mar é inicialmente filtrada por filtros grossos (filtro tipo cesto), nos quais o material orgânico e as partículas até 80 mícrons são retidas. Posteriormente, a água passa por filtros finos (cartuchos), onde ocorre um polimento da água a 5 mícrons. Uma bomba centrífuga de alta pressão é usada para transportar a água do mar através das membranas de nanofiltração para remoção de sulfato.

    Segundo explica Claudia Boechat, gerente de tecnologia da Aker Solutions, uma das empresas de engenharia capacitadas a construir essas unidades, o sistema de filtração das membranas é composto de dois estágios, para um maior aproveitamento da quantidade de água. “Consideramos que, da vazão total de água do mar na entrada nas membranas, 75% sai especificado no teor de sulfato desejado e será usado para a injeção nos poços, enquanto que 25% será descartado para o mar”, disse Claudia. Tendo especificado a água com relação ao teor de sulfato e ao teor de sólidos, a água do mar é direcionada para a injeção.

    Também faz parte da unidade de remoção de sulfato o sistema de limpeza das membranas, conhecido como CIP (cleaning in place). Esse sistema é especificado para limpeza das membranas com solução básica e ácida, removendo depósitos orgânicos e inorgânicos decorrentes da operação normal da unidade. Ele é composto de um tanque com aquecedor embutido para preparo das soluções químicas, bomba e filtro fino para recircular a solução preparada no tanque pelas membranas.

    O sistema de injeção de água é composto ainda de uma coluna desaeradora, que recebe a água tratada da unidade de remoção de sulfato, e reduz o teor de oxigênio dissolvido na água para valores menores que dez ppb (partes por bilhões). Após o teor de oxigênio ser reduzido, a água está pronta para a injeção nos poços. Para a injeção da água nos poços, a pressão necessária é alcançada por meio de uma bomba centrífuga de múltiplos estágios que eleva a pressão até 250 bar.

    Ainda de acordo com a técnica da Aker, para que o sistema de tratamento de água para injeção funcione plenamente, é necessária a injeção de produtos químicos para prevenir o crescimento biológico, incrustações, depósito de material nas membranas e equipamentos, redução do teor de oxigênio da água do mar e remoção de cloro residual. “Por isso, uma unidade de injeção de químicos é especificada para atender às necessidades do sistema, com vasos, bombas dosadoras e sistema de controle dedicado para cada produto químico.”

    Três produtos químicos são injetados: biocida, inibidor de incrustação e sequestrante de cloro e oxigênio. O biocida reduz o crescimento biológico e deve ser aplicado entre a filtração grossa e a fina e a montante da torre desaeradora. O inibidor de incrustação inibe o depósito de sólidos nas membranas e deve ser injetado antes das bombas centrífugas de alta pressão. Já o sequestrante de cloro e de oxigênio é o mesmo produto químico usado para remoção de cloro livre da água do mar, pois a presença desse elemento danifica irreversivelmente as membranas e, no caso do oxigênio, ajuda a garantir o processo da coluna desaeradora, assegurando a redução do teor de oxigênio na água do mar para o nível necessário de dez ppb. 



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    4 Comentários


    1. gilberto evangelista

      desejo informacoes quanto a desalinizadora, onde comprar as pecas


    2. Maravilha,meu irmão querido! É muito bom ver uma publicação dessa natureza num momento em que nosso País está dividido, com metade vendo sòmente o lado negativo .Vamos vibrar nas novas conquistas e crescimento da Nação que tenho certeza podemos inverter essa situação e deixar para nossos filhos, netos e outros que virão depois o melhor de nós!
      Parabéns mais uma vez por você ser essa pessoa especial para mim e para o Planeta!
      Um beijo no coração.


    3. Sebastião Oliveira

      Trabalho em uma empresa especializada em Tratamento de Água e Efluentes. Na linha de tratamento utilizando a Osmose Reversa já forneceu para inúmeras empresas, inclusive à Petrobras em suas diversas refinarias. Já participei de diversos projetos, start-up e operação em plantas com Osmose Reversa. Estou agora entrando no tratamento de remoção de Sulfatos para a Petrobras e como primeira vez utilizando membranas de Nonofiltração. Esse site esclarece muito bem e abriu um leque de informações aos meus conhecimentos a cerca dessa tecnologia. Parabéns pela simplicidade e clareza nas demonstrações/explicações referentes ao tema.


      • Valdinei Romão

        Olá Sebastião Oliveira, Sou estudante de Tecnologia em Petróleo e gás, e gostaria de dialogar com alguém com experiência nesse tema para formulação de conteúdo a fim de incrementar conhecimentos para o meu TCC. Gostaria de dialogar com vc. Por Favor entre em contato: [email protected].



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