Engenharia de Processos

Água de Injeção – Membranas de nanofiltração removem sulfato da água do mar para melhorar extração em plataformas offshore

Marcelo Furtado
19 de agosto de 2012
    -(reset)+

    Mas não é apenas remover o sulfato o objetivo da tecnologia. As membranas consideradas entre densas e porosas da nanofiltração (< 2 nm), que removem moléculas mais complexas, os íons bivalentes (caso dos sulfatos, do cálcio e do magnésio, estes dois últimos causadores de dureza) e multivalentes, deixam por outro lado propagar os sais monovalentes, principalmente cloretos e sódio. E com os desenvolvimentos (primeiro da Dow e, mais recentemente, da Hydranautics, do grupo japonês Nitto Denko), essas características foram aprimoradas. “Foi feito um grande desenvolvimento para capacitar ao máximo a remoção dos sulfatos, ao mesmo tempo em que um percentual de sais passa pelas membranas”, explicou o gerente-geral da Hydranautics do Brasil, Levy Polonio.

    Petróleo & Energia, Água de injeção - Membranas de nanofiltração removem sulfato da água do mar para melhorar extração em plataformas offshore

    Deixar os sais passarem para o poço, o que impossibilitou o uso das membranas de osmose reversa na aplicação, tecnologia dessalinizadora da água, tem explicação técnica. Isso porque se for utilizada água de baixa salinidade na injeção (como a água permeada da osmose) a formação argilosa das paredes dos poços se expandirá em virtude da pressão osmótica, causando baixa produtividade e podendo comprometer a integridade do poço no futuro.

    Brasil é o alvo – As vantagens da adoção da tecnologia com as membranas de nanofiltração, em detrimento de antigos tratamentos apenas químicos ou com água do mar in natura, fizeram-na padrão para as petroleiras nas altas profundidades, incluindo com destaque a Petrobras, considerada hoje o maior cliente dessa área justamente por concentrar sua produção no offshore e com destaque agora em áreas ultraprofundas do pré-sal. Segundo o gerente de conta da Dow, André Belarmino Sousa, hoje há mais de 50 unidades de remoção de sulfato com membranas da empresa espalhadas pelo mundo, em regiões como o Mar do Norte, Golfo do México, Oeste da África e Brasil. “Na última década, por causa da exploração profunda no Brasil e no Oeste da África, mais sistemas foram colocados em operação nessas regiões, mas ainda existem projetos em desenvolvimento em áreas maduras, como o Golfo do México e o Mar do Norte”, disse Belarmino.

    Os projetos no Brasil têm sido objeto de muita ganância das OEMs qualificadas pela Petrobras nessa área e pelas fabricantes de membranas, no caso, apenas duas, a Dow e a Hydranautics. Não é para menos: há muitos projetos concluídos, em andamento e outros em concorrência e planejamento. Todas as novas plataformas, tanto as da própria Petrobras como as das empresas afretadoras, preveem as unidades de nanofiltração. Um negócio e tanto.

    A partir de 2006, começaram a ocorrer vários fornecimentos no Brasil de OEMs estabelecidas localmente para atender aos requisitos da Petrobras de conteúdo nacional nas vendas para os chamados EPCistas (as empresas de engenharia responsáveis pela construção das plataformas). Antes disso, os fornecimentos eram mais esparsos e eram totalmente importados, voltados para algumas plataformas antigas com perda de pressão natural dos poços. As OEMs qualificadas para fornecer para a petroleira são a Aker Solutions, a Veolia, a Siemens e a Cameron. As quatro possuem contrato de exclusividade para projetar unidades de nanofiltração com as membranas da Dow. Mais recentemente, no final de 2011, também foi qualificada a Degrémont, que deve ser mais uma alternativa para os fornecimentos utilizando membranas da Hydranautics, também já homologada pela Petrobras.

    Construídas em estruturas metálicas de 15 a 20 metros de altura, as unidades contam, além dos módulos com as membranas de 8 polegadas e com 400 ou 440 pés quadrados de folhas, com um pré-tratamento com filtros grossos (malha tipo Corse) e finos (filtro cartucho), além de bombas de alta pressão (40 bar) e torres desaeradoras. Fora do conteúdo nacional, normalmente as unidades só contam com as membranas, sistemas de instrumentação e válvulas de controle.

    Petróleo & Energia, Levy Polonio, gerente-geral da Hydranautics, Água de injeção - Membranas de nanofiltração removem sulfato da água do mar para melhorar extração em plataformas offshore

    Levy Polonio: mais uma alternativa de membrana na Petrobras

    A partir do período em que a Petrobras passou a exigir a tecnologia em todas as novas plataformas e FPSOs, várias grandes unidades começaram a ser construídas em estaleiros para embarcar para a exploração de óleo e gás com alta produtividade. Em 2006, a Aker forneceu para a plataforma P50 uma unidade com 1.584 membranas. Em 2007, a Veolia entregou uma outra para a P51 com 2.088 membranas e vazão de 42 mil m3/dia e, logo em seguida, outra para a P52, com 2.160 membranas, e vazão de 48 mil m3/dia. Em 2009, a mesma empresa de origem francesa entregou outra unidade com 1.764 membranas (vazão de 39 mil m3/ dia) para a P53. Outra vez a Aker entregou no mesmo ano uma com 1.728 membranas para a P54.



    Recomendamos também:








    4 Comentários


    1. gilberto evangelista

      desejo informacoes quanto a desalinizadora, onde comprar as pecas


    2. Maravilha,meu irmão querido! É muito bom ver uma publicação dessa natureza num momento em que nosso País está dividido, com metade vendo sòmente o lado negativo .Vamos vibrar nas novas conquistas e crescimento da Nação que tenho certeza podemos inverter essa situação e deixar para nossos filhos, netos e outros que virão depois o melhor de nós!
      Parabéns mais uma vez por você ser essa pessoa especial para mim e para o Planeta!
      Um beijo no coração.


    3. Sebastião Oliveira

      Trabalho em uma empresa especializada em Tratamento de Água e Efluentes. Na linha de tratamento utilizando a Osmose Reversa já forneceu para inúmeras empresas, inclusive à Petrobras em suas diversas refinarias. Já participei de diversos projetos, start-up e operação em plantas com Osmose Reversa. Estou agora entrando no tratamento de remoção de Sulfatos para a Petrobras e como primeira vez utilizando membranas de Nonofiltração. Esse site esclarece muito bem e abriu um leque de informações aos meus conhecimentos a cerca dessa tecnologia. Parabéns pela simplicidade e clareza nas demonstrações/explicações referentes ao tema.


      • Valdinei Romão

        Olá Sebastião Oliveira, Sou estudante de Tecnologia em Petróleo e gás, e gostaria de dialogar com alguém com experiência nesse tema para formulação de conteúdo a fim de incrementar conhecimentos para o meu TCC. Gostaria de dialogar com vc. Por Favor entre em contato: [email protected].



    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *