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15 de setembro de 2017

Agroquímicos: Safra recorde anima, mas entraves regulatórios freiam avanço tecnológico

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Petróleo & Energia, Agroquímicos: Safra recorde anima, mas entraves regulatórios freiam avanço tecnológico

    A atividade agropecuária brasileira continua trazendo boas notícias para o país. O recém-divulgado 9º Levantamento de Safra da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) prevê um incremento da produção brasileira de grãos de 25,6% na safra 2016/2017, em comparação com a anterior (2015/2016). Com isso, serão produzidas 234,3 milhões de toneladas de grãos, um recorde histórico, ultrapassando as 207,7 milhões de t colhidas em 2014/2015.

    O estudo prevê aumento de 20% para a produção de soja, muito embora a área plantada com essa cultura tenha sido ampliada em apenas 1,9%. A lavoura do milho terá aumento de safra ainda mais expressivo, de 41%. Nesse caso, a chamada safrinha responderá por 63,5 milhões de t neste ano, do total de 93,83 milhões de t esperadas.

    No entanto, esse aumento de oferta, somado à variação cambial, deverá produzir uma receita bruta total menor, de R$ 168,26 bilhões, quase 10% inferior à de 2015/2016, que somou R$ 187,56 bilhões, nas estimativas da Conab. A companhia aponta queda de receita de 7% para a soja e de 50,8% para o milho.

    Os produtores rurais estão animados com esse quadro. Isso pode ser verificado pela venda de tratores e colhedeiras agrícolas. Dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) registraram aumento de vendas de 45% nessa categoria de máquinas na comparação entre os primeiros trimestres de 2017 e 2016.

    Petróleo & Energia, Bojanic: produtividade agrícola precisa crescer

    Bojanic: produtividade agrícola precisa crescer

    Produtividade expandida – Nos últimos 40 anos, da safra 1976/77 até a 2016/17 (conforme estimativa da Conab), a produtividade agrícola nacional terá crescido impressionantes 207,9%, pulando de 1.258 kg de grãos por hectare para 3.874 kg/ha. Há 40 anos, a produção nacional somou 46,9 milhões de t, ocupando 37,3 milhões de ha. A safra em andamento deverá produzir 234,3 milhões de t em 60,5 milhões de ha. Enquanto a oferta de grãos foi multiplicada em quase cinco vezes, a área plantada nem chegou a ser duplicada, cresceu 62%. Ao todo, a produção de grãos ocupa apenas 9% do território nacional.

    Esse é o efeito local da chamada Revolução Verde, resultado da aplicação intensiva de tecnologia à produção agrícola, indispensável para garantir o suprimento de alimentos para a população mundial, com projeção de chegar a 11 bilhões de habitantes em 2050. Representante no Brasil da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO, da ONU), Alan Bojanic salientou que o Brasil terá 300 milhões de habitantes até 2050, com o incremento de um terço na população atual. “É preciso aumentar a produção, a safra recorde anunciada pela Conab ajuda, mas ainda é pouco em relação à demanda mundial”, afirmou. Ele salientou que, além da ampliar a oferta, é fundamental investir para reduzir as perdas durante e após a colheita, que representam 30% da produção mundial. “E também é preciso ser mais eficiente no aproveitamento dos insumos, como água, solo e energia.”

    Deve-se considerar que o recorde de produção esperado pela Conab é precedido por uma safra ruim. Em 2015/16 o clima prejudicou muito a atividade agrícola e foi o maior responsável pela produção de apenas 186,6 milhões de t, quase 10% abaixo das 207,7 milhões de t de 2014/2015.

    Petróleo & Energia, Leduc: dependência de ativos importados é risco para país

    Leduc: dependência de ativos importados é risco para país

    O sistema atual de produção oferece várias ferramentas ao agricultor para aumentar sua produtividade: máquinas, fertilizantes sintéticos, defensivos agrícolas, além de tecnologia de campo mais apurada. Nesse contexto, a indústria química contribui com importantes insumos, com destaque para os agroquímicos, também referidos como defensivos ou agrotóxicos.

    Embora sua importância seja inegável, os agroquímicos encontram ambiente hostil na burocracia governamental brasileira. “A aprovação de uma nova molécula ou de uma formulação modificada demora, em média, 7,5 anos no Brasil, isso significa um atraso de pelo menos cinco anos em relação aos demais países”, criticou Eduardo Leduc, presidente da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef). Ele explicou que a incidência de pragas (insetos, fungos, bactérias e plantas invasoras nocivos à agricultura) tem uma dinâmica específica. Ou seja: depois de amargar sete anos de fila, um produto químico pode ter deixado de ser útil ao setor, porque a praga mudou. “Isso compromete a segurança do produtor e também a rentabilidade dos fabricantes que investem no desenvolvimento de moléculas inovadoras”.


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