Energia

Aerogeradores – Grandes projetos se destacam

Nelson Valencio
14 de outubro de 2012
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    Embora com várias diferenças, a estatal Eletrosul e o grupo privado Renova têm superlativos na área eólica. A primeira por ser a empresa pública com maior participação no segmento. Por sua vez, a Renova se orgulha de ter inaugurado o maior complexo eólico da América Latina. Por trás dos dois empreendedores, existem os fabricantes de aerogeradores Wobben, Gamesa, Impsa e GE. A multinacional norte-americana, por exemplo, é a parceira do grupo privado, fornecendo nada menos do que 184 aerogeradores, distribuídos em 14 parques eólicos que formam o complexo de Alto Sertão I, na Bahia. No total, eles têm capacidade nominal para 294 MW, sendo que a presença da tecnologia deve ser aumentada na avaliação do superintendente de implantação da Renova, Rodrigo Bota. Ele destaca que a construção do empreendimento (que terá outras fases) pode ser dividida em três pacotes: o de obras civis, executado pela Mercurius; o de aerogeradores, a cargo da GE; e o de instalações elétricas, executado pela ABB.

    Contratada para o segundo pacote, a GE forneceu os aerogeradores de 1,6 MW, além de ser encarregada do transporte, montagem e comissionamento. De acordo com Bota, a parceria entre as duas empresas é de longa data e a favor da tecnologia americana consta o modelo de equipamento, cujo chassi permite a evolução para versões mais sofisticadas. Ou seja, o parque pode passar por um upgrade rápido, se for o caso, e isso será feito de forma escalonável. O monitoramento é outro aspecto que favoreceu a escolha, principalmente pela integração viabilizada pelas instalações da ABB. “Essa monitoração permite a manutenção preditiva dos aerogeradores, que antecipa, se for o caso, as paradas programadas”, explica o superintendente.

    Petróleo & Energia, Rodrigo Bota, Superintendente de implantação da Renova, Aerogeradores - Grandes projetos se destacam

    Bota: monitoramento ajuda a programar manutenções

    A manutenção dos equipamentos, aliás, faz parte do contrato com a GE, que programou um plano preventivo de intervenções a serem realizadas nas máquinas, bem como sua periodicidade. “Esse plano é executado por uma equipe que deve estar em linha com os profissionais de produção de energia, de maneira que as paradas de máquinas sejam realizadas no tempo mais adequado”, detalha Bota. De acordo com ele, o principal ponto de atenção está na coordenação das paradas de máquinas para manutenção durante os períodos de pouco vento, nos quais a produção de energia está baixa. A inspeção-chave, por sua vez, deve ser concentrada no conjunto rotor/ caixa multiplicadora (gear box), no eixo e no gerador.

    Ao contrário da Renova, a Eletrosul diversificou seus parceiros de forma estratégica. A estatal se posiciona oficialmente como uma das protagonistas do crescimento da energia eólica no Brasil e, com seus parceiros, investiu e está investindo mais de R$ 2,2 bilhões na construção de grandes complexos eólicos. No total, eles somam uma capacidade instalada de 570 MW, correspondendo a 35% da geração eólica atual do Brasil, segundo a própria empresa. Airton Silveira, assessor da diretoria da estatal, destaca que o complexo de Cerro Chato, resultado do leilão A-3 de 2009 e entregue em junho último, adota 45 aerogeradores da alemã Wobben, com 90 MW de capacidade instalada.

    “Nossa estratégia na época era ter um fornecedor que também se associasse ao projeto, o que acabou sendo feito com a empresa alemã, que detém 10% do empreendimento”, detalha o executivo. Como tem um perfil de engenharia avançada, a Eletrosul também participou ativamente dos estudos, além de contar com o histórico de ventos da região. Resultado: enquanto alguns projetos atuais precisam revisar para baixo o potencial de geração previsto, Silveira informa que Cerro Chato tem pontuado uma média de 5% acima da produção estimada.

    Depois de não ter pontuado no leilão de2010, aEletrosul se reestruturou para participar fortemente em 2011, abocanhando 492 MW dos cerca de 840 MW licitados pelo governo federal. A capacidade foi ajustada para 480 MW e, para esse projeto, a empresa conta com dois parceiros – a espanhola Gamesa e a argentina Impsa. Ambas foram escolhidas depois de várias rodadas técnicas e visitas a instalações fabris e parques com tecnologia de aerogeradores, que poderiam ser adotados no Brasil. “Não queríamos trabalhar com um único fabricante para reduzir os riscos dos complexos. As escolhidas passaram por um crivo de custo/benefício bem rígido”, adianta Silveira. Além dos projetos já ativados, os engenheiros da estatal se concentraram em quantidade de fornecimentos, capacidade técnica e logística de atendimento.

    No caso da Gamesa, a visita a projetos na Espanha, observando parques eólicos com mais de 20 anos de operação, foi um dos fatores determinantes na escolha da fabricante para o Complexo Eólico Geribatu-RS, que soma 258 MW. São 129 aerogeradores, com 78 metros de altura (do solo até o eixo) e rotor com 97 metros de diâmetro. O projeto tem participação do Fundo de Investimentos em Participações Rio Bravo(51%) e vai consumir R$ 1 bilhão de investimento. No caso da Impsa, os aerogeradores serão ativados no Complexo Eólico Chuí, somando 144 MW e com previsão de entrega em 2014. A Rio Bravo também é a acionista principal do empreendimento, com 51%.

    Alto sertão inova nos controles

    O pacote de obras elétricas no parque da Renova incorporou várias inovações na área elétrica, incluindo a instalação de religadores na rede aérea, que forma 90% das interligações com os aerogeradores. Com esse mecanismo, comum em redes de distribuição, a ABB criou um modelo que não existe nem mesmo nos parques europeus. Essa arquitetura permite o desligamento individual de cada aerogerador em caso de problema localizado, evitando a desativação de um conjunto inteiro de equipamentos. Outra inovação do projeto é o monitoramento ativo do parque de equipamentos. Isso foi conseguido porque a empresa recomendou a instalação de cabos de fibra óptica, lançados na rede aérea de interligação, os quais permitem a transmissão de dados em tempo real. De acordo com a ABB, além dessa rede fixa, a empresa estuda também, junto com a Renova, a adoção de rádios digitais, o que permitiria a redundância do sistema de transmissão de dados, até para monitoramento. Cada torre de aerogerador receberia um dispositivo desses.

     

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