Aerogeradores – BNDES fiscaliza índice de nacionalização e estimula a fabricar mais no país

“É por isso que acreditamos na absorção e no espaço para os onze players atuais. Outros países e regiões estão investindo em projetos eólicos. Na América Central, embora cada nação apresente uma demanda pequena, o conjunto é representativo”, explica. Mesmo países como Chile e Argentina, que possuem mercados atrativos, não têm a escala equivalente à brasileira, o que nos beneficiaria como sede de fabricantes de aerogeradores e no estabelecimento de uma cadeia produtiva para o segmento. O desenvolvimento de equipamentos mais adaptados às condições locais é outro fator que favorece a base brasileira. Élbia cita a recente entrada da WEG nesse mercado, com uma tecnologia que poderá atingir um índice de nacionalização de 80%.

Petróleo & Energia, Eduardo Lopes, Executivo, Aerogeradores - BNDES fiscaliza índice de nacionalização e estimula a fabricar mais no país
Lopes: pás eólicas são produzidas em Pecém(acima)

De acordo com a empresa catarinense, a construção do primeiro protótipo já foi iniciada, os testes de campo e a certificação da turbina devem ocorrer em meados de 2013, com cada aerogerador previsto para ter capacidade de 2,3 MW. “A WEG está entrando neste mercado com um produto desenvolvido para as condições locais de geração de energia eólica, que exigem soluções específicas”, diz Harry Schmelzer Jr., diretor-presidente da fabricante brasileira em comunicado oficial. Nesse caso, ela se aliou à espanhola M. Torres Olvega (MTOI), criando uma joint venture que já tem contrato assinado com um parque eólico no Nordeste, cuja capacidade total seria de 90 MW, e que adotaria os novos aerogeradores adaptados às condições de vento da região. Infelizmente, a empresa não adianta outros detalhes.

Mais receptivas à reportagem, Wobben, Alstom e Semikron confirmam a avaliação da Abeeólica sobre a criação de uma cadeia local para a energia eólica. Eduardo Lopes, executivo da multinacional alemã, a mais antiga fabricante no país, explica que o modelo da empresa, com o estabelecimento de três fábricas complementares, permite que os cronogramas na área eólica sejam cumpridos. Ela distribui sua produção entre Sorocaba- SP (fabricação de aerogeradores), Pecém-CE (pás) e Parazinho-RN, onde está a linha de produção das torres de concreto. A cadeia de suprimento local nos três estados inclui 1,7 mil fornecedores credenciados, exigindo contar com um programa específico de desenvolvimento de parceiros, segundo Lopes.

Petróleo & Energia, Aerogeradores - BNDES fiscaliza índice de nacionalização e estimula a fabricar mais no país
Linha de produção de eletrônica de potência

O histórico da Wobben permitiu que ela atingisse 1 GW de capacidade instalada nos vários projetos em que é dona da tecnologia no Brasil e em outros países da América Latina. Outra marca é a operação de mais de 14 anos em usinas eólicas em Mucuripe, no Ceará, em condições agressivas de salinidade e temperatura. “Já temos um know how em tropicalização”, defende Lopes. Outra adaptação citada por ele, reforçando o modelo local, é a desativação do sistema de degelo para pás, recurso que não faz sentido instalar no Brasil, mas que precisa ser adotado para algumas regiões da Argentina, por exemplo.

Ele avalia que, sem esse conhecimento, a empresa não poderia fechar os contratos de manutenção dos parques, garantindo uma disponibilidade técnica de 97%, desde que haja vento suficiente para mover os aerogeradores. Como os contratos envolvem mão de obra regional, Lopes revalida a criação da cadeia de suprimentos para o setor e vê como positiva a iniciativa do BNDES em descredenciar quem não atenda os conteúdos de nacionalização. “É um tratamento equânime. Na verdade, deveria haver até o inverso: quem supera os níveis de nacionalização deveria ser bonificado com condições financeiras melhores”, argumenta.

Não tão antiga nessa área como a Wobben, a Alstom entrou agressiva no mercado brasileiro: sua fábrica localizada em Camaçari-BA, com capacidade nominal de produção para 300 MW em aerogeradores, implantou o segundo turno para poder entregar até 600 MW. De acordo com Marcos Costa, presidente da Alstom Brasil, o incremento da fábrica inaugurada em novembro de 2011 é resultado do crescimento do segmento eólico no país. O executivo aposta na diferenciação tecnológica para ocupar espaço, com destaque para o conceito Pure Torquer, um exclusivo projeto mecânico que protege o multiplicador e demais componentes ativos de receber esforços excepcionais oriundos da estrutura do aerogerador. “Nosso modelo ECO 122 gera 2,7 MW e possui o maior diâmetro de rotor dos diversos modelos de aerogeradores da plataforma ECO100”, detalha.

Petróleo & Energia, Edelweis Ritt, Presidente da corporação, Aerogeradores - BNDES fiscaliza índice de nacionalização e estimula a fabricar mais no país
Edelweis pode fabricar geradores para terceiros

A investida local da Alstom envolve o contrato para fornecer os aerogeradores aos novos parques eólicos da Casa dos Ventos, no Rio Grande do Norte, no valor aproximado de R$ 230 milhões, que inclui 68 equipamentos, além da operação e manutenção das instalações de 180 MW de capacidade. Ainda nesse ano, a multinacional já tinha assinado outro contrato de porte, equipando quatro parques da Odebrecht Energia: Corredor do Senandes II, III e IV e Vento Aragano I, localizados no Rio Grande do Sul e totalizando 108 MW. Nesse caso, a empresa fornece, instala e comissiona 40 aerogeradores com capacidade unitária de 2,7 MW. Além dos aerogeradores, a Alstom será responsável pelo fornecimento e montagem dos sistemas elétricos e subestações de todo o complexo, um contrato quase turn-key.

Dois outros grandes projetos formam o histórico da fabricante no Brasil: o primeiro é um complexo de R$ 200 milhões da Brasventos, no qual a multinacional entra com o fornecimento e a manutenção para três parques eólicos no Rio Grande do Norte. Formalizado em 2011, ele foi antecedido pelo projeto de Brotas-BA, assinado com a Desenvix, subsidiária do grupo Engevix. Composto por três parques eólicos, a instalação adota 57 aerogeradores com capacidade de 1,67 MW cada. Assim como em outras iniciativas, a Alstom assume a operação e a manutenção do conjunto – nesse caso, por um período de dez anos.

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