Energia

Aerogeradores – BNDES fiscaliza índice de nacionalização e estimula a fabricar mais no país

Nelson Valencio
14 de outubro de 2012
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    A modalidade de financiamento é o project financing, que envolve fiança pessoal do controlador na fase de construção. Quando entra em operação, o próprio parque eólico se torna a garantia. “Ao receber o desembolso do Finame, o parque automaticamente passou por um crivo rígido, avaliando vários fatores, inclusive a existência de contratos de longo prazo”, explica o executivo do BNDES, lembrando que o período médio de financiamento no caso dos projetos eólicos tem sido de 16 anos. Além desse critério inicial na fase pré-operacional, a instituição analisa a capacidade do empreendedor, tanto de aportar recursos próprios quanto em relação ao conhecimento específico do setor, entre outros dados. “Várias análises são empreendidas para validar os estudos apresentados pelos empreendedores, caso do histórico de ventos e de todas as licenças normais para operação do parque”, complementa Oliveira.

    Petróleo & Energia, Élbia Melo, Presidente da Abeeólica, Aerogeradores - BNDES fiscaliza índice de nacionalização e estimula a fabricar mais no país

    Élbia: fábricas locais poderão suprir a demanda regional

    De acordo com ele, 90% dos parques financiados pelo BNDES têm contratos assinados no mercado cativo, de longo prazo. A média de financiamento depende de cada projeto, mas oscila entre 65% e 70%, tendo como limite máximo 80%. Isso significa que um parque eólico com equipamentos estimados em 100 milhões poderia ter até 80 milhões financiados pela instituição. Com seis anos de operação nessa área, o BNDES não registra nenhuma inadimplência. Para o gerente do Departamento de Energias Alternativas, esse índice reflete a eficácia do filtro de avaliação dos projetos, processo que dura em média entre seis e oito meses.

    Essa avaliação não envolve a validação de conteúdo nacional, etapa realizada anteriormente e por outra área do BNDES. “Temos um departamento completo, com cerca de 30 profissionais entre economistas, engenheiros e contabilistas que se dedicam à avaliação dos dados apresentados pelos empreendedores”, adianta Oliveira. Para analisar temas específicos, a instituição contrata consultorias internacionais e brasileiras. Nesse caso, a checagem também é dupla. Como a performance de determinado fabricante de aerogerador em determinada condição de terreno, região e vento pode influenciar o êxito do projeto, pelo menos duas consultorias independentes se encarregam de fornecer ao BNDES sua avaliação.

    Ciente do quadro de acomodação do setor, a presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), Élbia Melo, avalia que o descredenciamento feito pelo BNDES é um processo normal do banco e que os fabricantes estão procurando se adaptar a ele. “Temos diferentes níveis de maturação na produção local de aerogeradores”, diz. “Antes da explosão do setor, em 2009, tínhamos apenas dois fabricantes com presença local, a alemã Wobben e a argentina Impsa, sendo a primeira especializada em energia eólica e a multinacional argentina um grande conglomerado com operações em outras áreas”, relata.

    Petróleo & Energia, Aerogeradores - BNDES fiscaliza índice de nacionalização e estimula a fabricar mais no país

    Içamento de rotor na montagem do parque de Cerro Chato-RS

    Segundo ela, os leilões realizados a partir de 2009 mudaram o cenário, atraindo vários players internacionais com ou sem presença no país. A crise europeia e a proteção dos mercados indiano e chinês amplificaram a importância do Brasil como oportunidade para a venda de aerogeradores. “Cada um deles está num estágio diferente, dependendo do tempo que aportaram no país e da estrutura que possuem localmente”, enfatiza. Ao lado das duas primeiras – Wobben e Impsa – os empreendedores brasileiros do setor eólico passaram a ser atendidos por fabricantes com presença local, embora em outros segmentos, caso da Alstom, da GE e da Siemens. Ao lado delas, outras companhias como a indiana Suzlon, a dinamarquesa Vestas e a espanhola Acciona resolveram entrar na briga.

    Para Élbia, a cadeia de suprimentos também começa a ser aprimorada e deve pesar favoravelmente no atendimento dos 60% de conteúdo nacional requeridos pelo BNDES. “Não contestamos as exigências porque o setor precisa trazer benefícios para o país. Como o financiamento agrega vantagens diferenciadas, a primeira coisa que um fabricante internacional faz ao entrar no mercado brasileiro é procurar se enquadrar no Finame, estabelecendo prazos para a construção de fábrica local”, argumenta.

    Dada a localização dos parques eólicos – atuais ou em projeto –, Élbia avalia que as instalações dos fabricantes devem se concentrar o mais proximamente possível deles. A logística de construção já dita até mesmo a adoção de torres de concreto ao lado das estruturas metálicas para suportar os aerogeradores.

    Além da estratégia de atendimento do mercado brasileiro, a presidente da Abeeólica enxerga um horizonte mais amplo para os fabricantes de aerogeradores: a transformação do Brasil num hub ou concentrador de players para suprir a América Latina. Isso independentemente de os produtores locais fazerem o processo completo, caso da Wobben, ou se concentrarem em determinada etapa, como acontece com a maioria deles. Nesse último modelo, as empresas focam na produção da parte principal do aerogerador, comprando pás e torres, entre outros sistemas, de parceiros. O país, aliás, tem um dos fornecedores globais na área de pás, a Tecsis, o que realça a estratégia de criação do hub citado por Élbia.



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