Petróleo e Energia

Adesivos – Soluções químicas substituem fixação mecânica em manutenção e reparo

Marcelo Furtado
13 de junho de 2013
    -(reset)+

    Petróleo & Energia, Adesivos - Soluções químicas substituem fixação mecânica em manutenção e reparo

    A aplicação de adesivos e selantes especiais nas indústrias petroquímicas e de petróleo e gás tem um grande potencial adormecido. Várias operações de manutenção e reparos, hoje feitas de forma mecânica, nessas indústrias poderiam encontrar substituição mais limpa e eficiente em um extenso portfólio de adesivos estruturais anaeróbicos, base epóxi, cianoacrilatos e selantes, ofertados por empresas detentoras de tecnologias de adesão mais sofisticadas, como 3M e Henkel.

    Petróleo & Energia, Sérgio Redondo, Henkel, consumo não é maior por dificuldade de comunicação com setor

    Redondo: consumo não é maior por dificuldade de comunicação com setor

    A explicação para a demanda adormecida, no entendimento do gerente de negócios para a América Latina da Henkel, Sérgio Redondo, tem a ver principalmente com um problema de comunicação entre os profissionais da manutenção desses setores. Normalmente comandados por engenheiros mecânicos, as empresas prestadoras de serviços e os departamentos de manutenção das petroquímicas e petroleiras não foram treinados e informados sobre as várias opções químicas que podem facilitar e melhorar os reparos e as reformas de tanques, bombas, tubulações e demais equipamentos desses setores com processos altamente agressivos.

    “É difícil tirar esses profissionais do ambiente em que eles foram acostumados a trabalhar e mostrar que uma gota de um produto altamente eficiente pode substituir uma porca ou qualquer outra fixação mecânica”, disse Redondo. Além dessa barreira, o executivo vê dificuldade de encontrar os canais certos dentro das grandes indústrias da área, que muitas vezes terceirizam ou “quarteirizam” a manutenção, deixando os interlocutores ainda mais distantes. Bom ressaltar que não ocorre essa dificuldade em toda a indústria pesada. Pelo contrário, Redondo nota crescimento de vendas das soluções químicas de adesão e selagem muito maiores na mineração, siderurgia e na indústria sucroalcooleira, em comparação com petróleo, gás e petroquímica. “Esses setores já são clientes contumazes de adesivos, em paradas programadas de manutenção ou nos serviços diários e emergenciais”, disse.

    Isso não significa que os fabricantes também não vendam para petroleiras e petroquímicas. A Henkel conta com canais de distribuição entre fornecedores de componentes e sistemas de manutenção por todo o Brasil, mas com mais ênfase nas regiões com grande produção de petróleo e petroquímica, como Macaé, Camaçari, Paulínia e Santos, por exemplo. Nesses casos, e principalmente para óleo e gás, o gerente da empresa acredita que a demanda mais significativa envolva os adesivos anaeróbicos, base acrilato, e os silicones oxímicos, ambos empregados para fixação, travamento e vedação de flanges e para fixar parafusos.

    No caso das flanges, há a vantagem de poder substituir as juntas sólidas (borrachas, papelão), que normalmente sofrem ressecamento com o tempo, provocando vazamentos. Na aplicação podem ser empregados tanto os anaeróbicos como os silicones oxímicos, que se moldam, aderem e vedam qualquer tipo de superfície da flange, ao contrário das juntas, que precisam ser personalizadas de acordo com cada equipamento. Normalmente, segundo Redondo, os adesivos anaeróbicos se voltam para flanges com folgas menores; e os silicones, para as maiores.

    Para substituir a fixação, os adesivos estruturais também podem fixar parafusos e entrar no lugar da contraporca. Nesta mesma linha da família Loctite, da Henkel, há a opção de cianoacrilatos (matéria-prima da cola SuperBonder) de alto desempenho, com faixa ampla de resistência à temperatura, flexibilidade e viscosidade, que podem fazer várias adesões nos mais diversos substratos, principalmente borracha e metal. Além disso, a empresa conta com soluções de vedação de base de tanques metálicos, usando silanos modificados para evitar a infiltração e a corrosão, que podem ocorrer no concreto por meio da abertura de fendas.

    Petróleo & Energia, José Aparecido Nunes, novo adesivo dispensa preparo do metal

    Nunes: novo adesivo dispensa preparo do metal

    Direto no metal – A 3M também foca a área de refino e petroquímica com uma linha de adesivos e selantes para manutenção e reparo. Os adesivos estruturais da linha Scotch-Weld são comercializados em mais de 20 tipos diferentes. Bicomponentes, usam bases epóxi, acrílicas e de poliuretano, segundo revelou o gerente de desenvolvimento de negócios para o mercado de petróleo e gás, José Aparecido Nunes. “Eles podem colar metal-metal, substituir rebites, porcas e parafusos”, disse Nunes.

    Mercado que atrai os esforços de pesquisa da empresa norte-americana, recentemente a 3M lançou o Scotch-Weld DT920, cujo diferencial é não demandar preparação prévia do metal com jateamento de areia, para criar rugosidade para a aplicação. Segundo Nunes, o desenvolvimento do epóxi bicomponente é ideal para manutenções e reparos em óleo e gás porque tem em sua formulação um componente que interage com o óleo e a graxa sem afetar a adesão. Para a sua aplicação, usa-se uma bisnaga especial com dois tubos e bico misturador dos dois componentes, que podem substituir rebites em colagens metal-metal.

    A 3M possui ainda linha de anaeróbicos para parafusos, que substituem trava-roscas e cianoacrilatos para diversos substratos e aplicações. Uma aposta recente da empresa, especificamente para o mercado de petróleo, são os selantes de poliuretano para selagem de heliportos de plataformas, utilizados para vedação das bordas. “O produto evita que o combustível querosene vaze do heliporto para os locais operacionais da plataforma. Com o calor do alto-mar, há dilatação nas bordas e contração à noite, o que aumenta o risco”, disse. Segundo Nunes, a alta resistência desse silicone a intempéries e principalmente a solventes, e também a sua natural flexibilidade, impedem as consequências desse fenômeno de risco. “Além disso, ele pode ser pintado”, completou o gerente. O desenvolvimento visa a substituir antigos selantes que não andam resistindo às altas agressividades climáticas e químicas presentes nos heliportos.

    Tanto a 3M como a Henkel aliam seus esforços de vendas de adesivos para óleo e gás com várias outras tecnologias químicas que podem e estão aos poucos sendo empregadas no mercado. Normalmente, são tecnologias de revestimentos protetivos (coatings), com potencial grande de uso em tubulações e outras estruturas de plataformas e refinarias. A 3M, por exemplo, fornece microesferas de vidro ocas (glass bubbles), misturadas em resinas ou concreto para aumentar o isolamento térmico de tubos e estruturas em grandes profundidades e diminuir o peso dos materiais agregados. Trata-se de produto quimicamente inerte, resistente à corrosão, podendo ser aplicado ainda em fluidos de perfuração, brocas com necessidade de flutuação, além de operações de cimentação para exploração.

    Petróleo & Energia, Adesivos, Henkel, Revestimento epóxi: mais vida útil às bombas

    Revestimento epóxi: mais vida útil às bombas

    Com fabricação local em Ribeirão Preto-SP, as microesferas garantem, por exemplo, melhor qualidade do cimento de poços em condições de temperatura alta e pressão hidrostática, também isolando tubos que transportam hidrocarbonetos em até 150ºC. Outra linha de negócios que a 3M pretende difundir no mercado de óleo e gás, com desenvolvimentos programados para breve, é a de filtragem de líquidos, visto que desde 2005 a empresa é dona da Filtros Cuno. “O pré-sal é estratégico para a empresa, tanto é assim que vamos abrir um posto avançado de pesquisa no Rio de Janeiro em 2014 para atender à demanda tecnológica da exploração em alta profundidade”, complementou Nunes.

    A Henkel enfatiza os fornecimentos de revestimentos especiais para recuperação de tubulações, tanques e bombas. É o caso da linha de rebuilding (reconstrução) Loctite Nordbak, composta de revestimentos (coatings) de epóxi que podem ser aplicados por spray e espátulas para aumentar a resistência química e à abrasão de estruturas metálicas. Em bombas, por exemplo, são aplicadas em manutenção no corpo do equipamento, aumentando a vida útil. “Há ocasiões em que as empresas trocam as bombas depois de 60 dias de operação, quando o revestimento poderia recuperá-las com melhor eficiência”, disse Redondo. Os revestimentos também podem ser aplicados em tubulações para aumentar a parede da estrutura em operações de recuperação e manutenção, o que foi feito para a Petrobras em Manaus, segundo Redondo.



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *