Adesivos: Demanda mais sofisticada exige esforço da indústria nacional

Petróleo & Energia, Demanda mais sofisticada exige esforço da indústria nacional para atualizar portfólios - Adesivos

O consumo mundial de adesivos deverá alcançar a cifra de US$ 45 bilhões em 2019, segundo fontes consultadas pela H.B. Fuller. Calcula-se que o segmento vem experimentando um crescimento anual da ordem de 3% a 5% – e movimentou US$ 40 bilhões em 2014.

No Brasil, após amargar um ritmo mais fraco nas vendas no ano passado, os fabricantes apostam na retomada da economia em 2018, com aumento da demanda pelo insumo, situação que tende a ficar ainda melhor no futuro. Recentes incorporações de empresas também fazem parte do cenário dos adesivos de alta qualidade, povoado por inovações.

O presidente executivo da Artecola Química, Eduardo Kunst, é testemunha de que a produção brasileira teve um ano de menores volumes, como resultado da retração econômica. “Com os adesivos, não foi diferente, a grande maioria dos consumidores demandou menos adesivos em 2017”.

Petróleo & Energia, Kunst: novos hotmelts geram economia de energia
Kunst: novos hotmelts geram economia de energia

“Apesar das condições desafiadoras e voláteis, 2017 foi um ano de sucesso para a Henkel”, comemora Murilo Brotherhood, diretor de adesivos para os negócios de transporte e metal América Latina Sul. A empresa alcançou novos recordes em vendas e benefícios, bem como nas metas financeiras.

O executivo esclarece que, “por uma questão estratégica”, não se divulgam os resultados locais: “Mas, globalmente, superamos, pela primeira vez, os € 20 bilhões em vendas anuais e a unidade Adhesive Technologies alcançou um crescimento nas vendas orgânicas de 5%”.

Também coordenador da comissão de Colas, Adesivos e Selantes da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), Brotherhood acredita que 2018 será um ano positivo, em comparação com os anos anteriores. “Globalmente, a Henkel reafirma as metas financeiras para 2020: um crescimento orgânico das vendas de 2% a 4% em cada uma das unidades de negócios – Adhesive Technologies, Beauty Care e Laundry & Home Care”, revela.

Kunst vê como “saudável a retomada em busca de produtos de qualidade, se sobrepondo à busca por menores preços”. É natural, quando a situação está mais difícil, que os clientes “sejam mais sensíveis a preços”. O momento, entretanto, é de busca por produtividade, eficiência e qualidade, além de produtos diferenciados.

Na sua avaliação, as perspectivas a médio e longo prazos são “muito positivas”, pois em nível mundial esta indústria continua crescendo acima do PIB. “No caso brasileiro, o consumo per capita ainda é pequeno e tem muito a crescer”, frisa.

Após adquirir os ativos da brasileira Adecol, em novembro do ano passado, por valor não revelado oficialmente, a americana H.B. Fuller está voltada à integração dos portfólios com o objetivo imediato de continuar investindo na melhoria da qualidade para impulsionar o crescimento, não só em serviços, mas também em produtos, atendendo uma fatia maior do negócio de adesivos e selantes.

Em 2017, a Adecol, que já estava em processo de expansão, contabilizou um aumento de 10,5% no faturamento, relativamente ao exercício anterior, enquanto a H.B. Fuller registrou uma receita líquida fiscal de mais de US$ 2,3 bilhões. “Para os compradores das indústrias, ter um fornecedor de adesivos que reúna as melhores soluções com atendimento personalizado e logística de multinacional, é um diferencial único da H.B. Fuller no Brasil”, declara o diretor de vendas na América Latina, Roger Rebiere.

Completando 70 anos de produção de adesivos neste mês de maio, a gaúcha Artecola exibe um catálogo amplo e diferenciado. “Vai desde o primeiro produto, base solvente, até os adesivos reativos especiais, passando por uma ampla linha de hotmelt, aquosos e selantes. Estamos presentes em várias indústrias, como papel e embalagem, móveis, automotiva, calçados, construção e retail”, explica Kunst.

Os adesivos representam mais de 70% das vendas da Artecola. No último ano, a empresa fortaleceu a sua atuação na área química, que deu origem à empresa, em 1948, e segue representando importante fatia das receitas. A ordem é concentrar recursos no crescimento sustentável desta atividade, acrescenta o porta-voz.

No caso da Henkel, os adesivos respondem por 50% do seu faturamento global. Para os mercados de consumo e profissionais, destacam-se as marcas Pritt, Loctite e Cascola. Brotherhood salienta: “trabalhamos com grandes clientes internacionais para desenvolver inovações para a produção de adesivos para embalagens de alimentos e bens de consumo que atendam as normas e regulamentações mais exigentes. Na unidade de transporte, fornecemos às indústrias automotivas, de aeronaves e de processamento de metais resultados superiores, tecnologias e serviços técnicos especializados. Para a indústria geral, oferecemos produtos para a fabricação e manutenção de bens duráveis”.

Brotherhood ressalta que, em adesivos de transporte, a empresa oferece uma ampla gama de soluções aplicadas na montagem dos automóveis. “A estratégia envolve um investimento de longo prazo no Brasil”, diz. O empenho é no sentido de agregar mais valor aos clientes e reforçar a posição de liderança onde se atua.

Ele lembra que, no ano passado, a multinacional alemã começou a oferecer novas linhas da marca Loctite Liofol, voltadas para embalagens flexíveis, reforçando o compromisso em desenvolver produtos que levem mais segurança alimentar e atendam às regulamentações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e dos órgãos internacionais do Mercosul, Europa e Estados Unidos.

Brotherhood conta também que, em 2017, a Henkel fortaleceu a carteira de tecnologias adesivas para embalagens metálicas com a aquisição da Darex Packaging Technologies, passando a oferecer vedantes, esmaltes e vernizes para embalagens de aço – negócio em que não atuava –, bastante utilizados nas indústrias de alimentos, tintas e aerossóis.

Petróleo & Energia, Brotherhood: linha ampla supre as necessidades dos clientes
Brotherhood: linha ampla supre as necessidades dos clientes

Com relação às inovações, enfatiza “o desenvolvimento de uma tecnologia com alta performance para embalagens, que tem promovido mudanças na região latino-americana e integra a parte estratégica global para alimentos e bebidas”. Trata-se do adesivo hotmelt para fechamento de caixas e cartuchos, Technoment Supra 175.

Com a utilização desse sistema, criado em parceria com a Tap Out, “é possível reduzir 90% das paradas da linha de produção, trazendo ganhos de produtividade para toda a cadeia da indústria alimentícia e de bebidas”.

Já com os artigos voltados aos consumidores finais e profissionais, a Henkel segue desenvolvendo soluções inovadoras direcionadas à construção, reforma e reparos de diferentes objetos e de máquinas industriais. “Muitos de seus produtos, como Loctite Super Bonder e Loctite Durepoxi são conhecidos por sua categoria. Recentemente, foi lançado o Loctite Super Bonder Ultra, cola instantânea profissional à base de cianoacrilato, que proporciona maior força de colagem, resistência e rapidez aos usuários. É ideal para uso em metal, madeira, borracha, porcelana, alguns tipos de plástico, couro e cortiça”, evidencia.

Inovação – O presidente executivo da Artecola comunica: “a inovação está presente em nossa história e em nossa estratégia há várias décadas. Levamos ao cliente novas tecnologias para oferecer o melhor desempenho com produtos diferenciados e sustentáveis”. Ele garante que, diariamente, são desenvolvidas novas aplicações e usos para os adesivos, que cada vez mais têm as suas funções ampliadas: “Isso tem feito com que a indústria de adesivos cresça mais do que a economia mundial”.

No momento, a H.B. Fuller trabalha, principalmente, em duas frentes encaradas como “bem estratégicas”: Assembly e Package Converting Polymers. “Já temos produtos consolidados nesses mercados e estamos fazendo um forte trabalho de campo para oferecer suporte técnico e alcançar alta performance nas aplicações”, observa Rebiere.

Para madeira, aposta-se nos produtos com resistência à umidade D3 e D4, da marca Rakoll, “para que os clientes possam produzir com menor custo e mais qualidade”. Além disso, destaca-se a linha Rapidex para portas e pavimentação. Para embalagens, continua-se investindo na linha de hotmelt EVA e metaloceno (Advantra) e na gama de adesivos base água, muito utilizados.

Com foco em adesivos industriais desde 1887, a empresa “é uma das principais fornecedoras globais e seu compromisso com a inovação reúne pessoas, produtos e processos que respondem e solucionam alguns dos maiores desafios do mundo”, relata Rebiere.

Ele prossegue, entusiasmado: “o nosso serviço confiável e receptivo cria conexões duradouras e gratificantes com clientes em eletrônicos, descartáveis para higiene, remédios, transporte, aeroespaço, energia limpa, embalagens, construção, carpintaria, indústrias em geral e outros”. Recentemente, a companhia fez algumas “aquisições chaves”, o que lhe possibilitou, naturalmente, ampliar a oferta de produtos: “Temos diversas tecnologias que começamos a implantar e trabalhar aqui no Brasil”, comenta.

Com a aquisição da Adecol, “abrimos a oportunidade de introduzir outras marcas mundialmente reconhecidas, como a Rakoll, por exemplo (grande empresa de adesivos para o setor de madeira). Com a Royal, há uma diversidade de adesivos estruturais que antes não tínhamos no país. A ideia é unir as tecnologias e adaptá-las para o território latino. Além disso, estamos fazendo um trabalho de aperfeiçoamento na linha de produtos”, assinala.

Indagado sobre novas aplicações, Rebiere diz que elas estão diretamente relacionadas às possibilidades dos portfólios integrados das marcas adquiridas. Um plano de atuação está sendo efetuado para atingir mercados nos quais não havia tanta abertura, como o de adesivos estruturais.

Kunst afirma que a Artecola sempre está trabalhando em novos produtos e aplicações: “Isto faz parte do nosso DNA”. Ele cita as novas formulações de adesivos termoplásticos hotmelt desenvolvidos com a tecnologia de metalocenos, para papel e embalagem: as linhas Artemelt Supera.

“Elas oferecem alta performance com baixa oxidação e operam com temperaturas mais baixas que as dos hotmelts convencionais. Assim, além de reduzir custos com energia elétrica e gerar ganhos ambientais com o menor consumo, os novos produtos garantem redução de paradas de máquina, maior rendimento e redução de custos de manutenção. Isso mostra o perfil de produto com que trabalhamos: inovadores, com desempenho superior e ganho ambiental”, sublinha.

Outro exemplo: os lançamentos da Afix, a marca para retail. Recentemente, 10 produtos foram apresentados de uma só vez para a construção civil e revendas moveleiras e de materiais para construção. “Com as novas linhas, passamos a oferecer um pacote completo, com 85 itens atendendo as necessidades para unir, selar e construir. Os home centers, que atendem especialmente prestadores de serviço e consumidores adeptos do ‘faça você mesmo’, e os profissionais de marcenaria são os principais alvos destes lançamentos, que incluem adesivos instantâneos, para fixação de móveis e espelhos, vedação de calhas, entre vários outros itens”, assevera Kunst.

Petróleo & Energia, Adesivos industriais fabricados pela Adecol
Adesivos industriais fabricados pela Adecol

Investimentos – A H.B. Fuller está “investindo fortemente no Brasil, com o objetivo de se expandir para toda a América Latina”, declara Rebiere. É parte da estratégia a solidificação e a expansão nas principais regiões emergentes. Com a compra da Adecol, a ideia é unir a tecnologia e o recurso global com a fabricação e o suporte técnico local.

“Novas máquinas estão sendo instaladas e outras estão para chegar. Estamos aumentando a capacidade produtiva e a planta industrial; o leque de produtos já está sendo complementado. Todos os investimentos têm o objetivo de reforçar a segurança dos operários de planta e de abastecimento para os clientes e a qualidade dos produtos e serviços”, conclui Rebiere.

A meta da Artecola é seguir crescendo. “Estamos cada vez mais presentes nos diferentes campos em que atuamos. Temos uma capacidade de produção muito boa e os investimentos estão focados, especialmente, em novas tecnologias e produtos”, arremata Kunst.

“Para o ciclo que vai até 2020, a Henkel, globalmente, definiu quatro prioridades estratégicas: impulsionar o crescimento, acelerar a digitalização, aumentar a agilidade e financiar o crescimento. Todas as iniciativas para sustentar o crescimento estão em progresso para alcançar as metas propostas: por volta de 2020, espera-se gerar lucros anuais por eficiência de mais de € 500 milhões”, anuncia Brotherhood.

Petróleo & Energia, Sarah: cresce a demanda por adesivos com base em silicone
Sarah: cresce a demanda por adesivos com base em silicone

Dow – A gerente de marketing de packaging de consumer solutions da Dow, Sarah Valle, expressa que a empresa é líder no segmento de adesivos sensíveis à pressão, PSA. Em silicones, oferece soluções para os setores automotivo, eletrônico, médico e autoadesivos para etiquetas e fitas. O diferencial desse material são as propriedades únicas como aplicação em diferentes temperaturas, resistência ao UV, propriedades de isolamento elétrico e adesão a superfícies de baixa energia, por exemplo.

Dentre as opções em silicones, destacam-se as indicadas para a indústria de autoadesivos (PSA), que podem ser utilizadas na produção de fitas de alta performance para uso em altas temperaturas, fitas para mascarar, fitas de baixa adesão para filmes protetivos entre outras aplicações. No ramo de autoadesivos, a Dow oferece revestimentos de silicone (release coatings) para produção de liner, tanto para adesivos orgânicos quanto para adesivos à base de silicone.

Também são importantes, de acordo com Sarah, os seguintes nichos: eletrônico e automotivo (fixação de componentes eletrônicos, montagem de displays, vedação de smartphones para resistência à água, fixação de painéis solares fotovoltaicos e módulos eletrônicos, vedação de luminárias LED, faróis automotivos, motores e caixas de transmissão); e construção civil (fachadas de vidro, fabricação e instalação de janelas).

Para a área de autoadesivos, Sarah narra que o uso de adesivos de silicone tem crescido ao longo dos anos, especialmente com os avanços e o crescimento na indústria eletrônica. “De modo geral, observa-se uma crescente demanda por mais eficiência, aplicações cada vez mais exigentes tecnicamente e controle sobre os custos”, finaliza.

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