Acrilatos: BASF inicia produção de 2EH na fábrica de Guaratinguetá

Completou um ano de operação o conjunto de produção de ácido acrílico e derivados instalado pela Basf em Camaçari-BA. E a companhia iniciou em abril último a síntese do acrilato de 2-etilhexila (2EH), em Guaratinguetá-SP, acompanhando o crescimento da demanda pelo insumo, indicado para a fabricação de adesivos e tintas.

Petróleo & Energia, Traut: investimento no ácido e acrilatos manteve o ritmo
Traut: investimento no ácido e acrilatos manteve o ritmo

Planejado em 2011, quando a economia brasileira estava “bombando”, o investimento feito em Camaçari precisou se adaptar ao encolhimento do PIB e às fracas perspectivas de negócios atuais. “Não somos imediatistas, uma planta desse porte opera por 30 a 40 anos, os resultados virão no longo prazo, com certeza haverá retorno”, afirmou Alexander Traut, diretor regional de negócios petroquímicos da Basf S.A..

Ele comentou que o projeto é de escala mundial e conta com a mais avançada tecnologia do mundo, sendo idêntica a uma unidade construída na China pela Basf. “A partida foi muito bem sucedida, conseguimos produtos em especificação em um prazo de poucas horas e até agora não tivemos problemas”, informou.

A capacidade nominal de produção de ácido acrílico é de 160 mil t/ano, alimentando as linhas de produção de polímero superabsorvente (SAP) e de acrilato de butila, contíguas. Com um projeto bem concebido, o aproveitamento da energia é muito elevado em todo o conjunto, com excelente desempenho ambiental.

Embora o mercado local esteja debilitado, as exportações de produtos made in Bahia estão superando as previsões, mantendo a taxa de ocupação do conjunto próxima do esperado. “No caso do SAP, as vendas no Brasil continuam crescendo, pois havia uma demanda reprimida nas fraldas descartáveis para crianças e também para adultos”, comentou. A presença de um fabricante nacional do SAP incentivou investimentos a jusante por parte de clientes e permitiu substituir grande parte das importações.

Como explicou Traut, em média, a produção de SAP absorve metade da disponibilidade mundial de ácido acrílico, enquanto a síntese dos acrilatos consome outros 45%, ficando 5% do ácido disponível para venda, na forma pura (glacial), para produtores de poliacrilatos, domissanitários, vernizes de cura UV e outros.

Embora a venda de ácido glacial nunca tenha sido a razão para construir a planta de Camaçari, o diretor salienta que a sua comercialização é importante para os resultados do projeto. Essas vendas são realizadas diretamente pela companhia para grandes clientes, ou com o apoio de seus distribuidores. “Estamos entamborando nosso ácido acrílico nas instalações da Morais de Castro, mediante contrato de prestação de serviços, com bons resultados”, disse Traut. Mas a companhia desenvolve a ideia de colocar tanques nas instalações dos grandes consumidores do ácido, abastecendo-os com isotanques. “Cada tonelada de ácido ocupa cinco tambores, e temos clientes que consomem 20 mil t/ano do ácido, isso é muita coisa para transportar nesse tipo de embalagem”, avaliou.

A produção local do ácido não eliminou as importações, pois há companhias químicas integradas que preferem trabalhar com seu próprio insumo. “O volume total de importação baixou, pois atuamos com preços competitivos”, disse. A Basf fornece tanto o ácido quanto os acrilatos para seus competidores. “São áreas de negócios diferentes, comandadas por pessoas diferentes, não há conflitos nem favorecimentos”, enfatizou.

Ele salientou que os acrílicos derivam do propeno (C3), insumo cuja oferta mundial não foi ampliada pelo advento do shale gas norte-americano, uma fonte direta de metano (C1) e etano (C2, que é usado para fazer eteno). “A oferta de propeno é restrita, o preço varia muito nos Estados Unidos”, avaliou. A fábrica da Basf recebe propeno grau químico produzido pela vizinha Unidade de Insumos Básicos (Unib) da Braskem, mediante contrato de longo prazo.

Acrilatos – A fábrica de acrilato de butila de Camaçari tem o dobro da capacidade da unidade que operava desde 2001 em Guaratinguetá-SP, sendo capaz de atender a demanda nacional, embora Traut não cite os números de produção ou de mercado. “A unidade paulista ficou ociosa e resolvemos investir na sua conversão para produzir o acrilato de etilhexila”, disse.

Essa possibilidade foi aventada na época da elaboração do projeto da Bahia, mas dependia da evolução da demanda por esse acrilato no Brasil, que se confirmou. “O 2EH é o principal monômero que confere adesividade para adesivos sensíveis a pressão e também para os de base aquosa, são muito procurados pelos fabricantes de fitas adesivas”, comentou. Nas tintas, o 2EH é cada vez mais procurado para aplicações específicas. “Ele é considerado mais mole que o acrilato de butila e, por ser muito adesivo, pode reter mais sujeira na superfície pintada, não servindo para tintas imobiliárias em geral”, explicou.

A fábrica de Guaratinguetá consumiu investimentos e horas de engenharia para iniciar a produção do acrilato de 2EH. “São processos diferentes, as densidades são diferentes, bem como os pontos de ebulição; um reator carrega por cima e retira por baixo, o outro é ao contrário”, comentou.A possibilidade de produzir no Brasil outros acrilatos de uso industrial é considerada remota pelo diretor. A demanda por esses insumos seria muito pequena, incapaz de justificar o investimento. “Não dá para fazer uma unidade multipropósito, pois cada acrilato tem suas especificidades de síntese e purificação, talvez isso sequer fosse seguro”, avaliou.

A produção local de butanol e álcool 2-etilhexanóico é considerada para a síntese dos acrilatos em Camaçari e Guaratinguetá, respectivamente. “Avaliamos o suprimento local e o importado, mas usamos o que for mais vantajoso no momento, que hoje favorece o comprador”, comentou Traut.

O diretor entende que a sustentabilidade da produção química local depende de contar com algum grau de proteção contra a concorrência internacional predatória. “No mundo, as exportações são feitas a preço mais baixo do que o oferecido no mercado de origem, que é onde o produtor obtém sua maior remuneração”, salientou.

Na Ásia, região com muitos produtores, a competição é equilibrada, mas os preços se sustentam em um patamar adequado, porque os competidores não querem sacrificar suas margens. Mas isso não se verifica nas exportações asiáticas, com preços deprimidos e com flutuações muito amplas, criando insegurança nos compradores.

Ele aponta que o mercado brasileiro de acrílicos é diferente, com um único fabricante, porém com custos totais de produção muito maiores do que os verificados na Ásia. Com a entrada da fabricação local, o Brasil elevou para 10% a alíquota do imposto de importação do ácido e dos acrilatos, índice que chega a 12% no Mercosul (esses produtos estão na lista de exceções tarifárias do Brasil). “A ideia nunca foi aumentar o preço para prejudicar o cliente, mas de garantir condições mínimas de sustentabilidade, sem as quais não seria possível investir aqui”, finalizou.

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