Abrafati 30 anos: Estimulando a inovação e a circulação do conhecimento

Petróleo & Energia, Abrafati 30 anos: Estimulando a inovação e a circulação do conhecimento

A Abrafati conduz uma série de programas e ações que têm por objetivo a busca do desenvolvimento setorial sustentável. Essas iniciativas desempenham papel chave na construção do futuro da cadeia de tintas, que evolui e se renova continuamente. Ao mesmo tempo, representam uma significativa contribuição para o desenvolvimento econômico e social do Brasil.

Em uma série de artigos, a Associação apresentará um resumo dos avanços dos últimos 30 anos e do que está por vir, relacionados a temas essenciais como a inovação tecnológica, a sustentabilidade, a melhoria da qualidade e a competividade. Nesta edição, o tema é o que a Abrafati faz em prol da evolução tecnológica e da capacitação técnica dos profissionais que atuam no setor.


Entre os objetivos centrais da atuação da Abrafati, sempre estiveram em destaque dois temas que são indissociáveis: por um lado, o estímulo à pesquisa e à inovação tecnológica; por outro, a disseminação de conhecimentos dentro e fora da cadeia produtiva.

Para atender a eles, ao longo dos últimos 30 anos foram idealizados, implementados e permanentemente aprimorados programas e iniciativas muito exitosos, que se interconectam e contribuem para que o setor e os profissionais que nele trabalham se mantenham tecnologicamente atualizados, acompanhem as principais tendências internacionais e possam constantemente desenvolver novidades.

Um dos exemplos mais representativos nessa seara é o do Congresso Internacional de Tintas, reconhecido há muitos anos como um dos principais em sua especialidade no mundo. Sua primeira edição aconteceu em 1989 e um texto daquela época resume o que se buscava – que continua valendo até hoje: “Com esta vasta gama de trabalhos técnicos envolvendo o assunto tintas, acreditamos que a Abrafati poderá contribuir substancialmente para a difusão de ideias que, levadas pelos congressistas às suas respectivas empresas, poderão ser o embrião de desenvolvimentos relevantes nas mais diversas áreas”.

Ali, nas quatorze edições já organizadas, as principais ideias, as pesquisas em andamento, as descobertas mais recentes relacionadas ao universo das tintas foram apresentadas em mais de mil trabalhos técnicos de autoria de profissionais de todo o mundo, tanto do meio empresarial quanto do acadêmico.

Com o efeito sinérgico proporcionado por sua realização concomitante com a Exposição Internacional de Fornecedores, o Congresso proporciona a milhares de profissionais a oportunidade de ter contato com os temas mais inovadores que são objeto de pesquisas e os mais recentes desenvolvimentos da indústria. Na última edição, por exemplo, mais de 12 mil pessoas visitaram o evento e saíram de lá com informações valiosas para o seu trabalho atual e futuro. “Os participantes têm – a partir dos trabalhos apresentados na programação de palestras, na Sessão Pôster e em eventos complementares, assim como nos estandes dos principais fornecedores – uma visão abrangente das soluções mais avançadas, viáveis e sustentáveis em termos de matérias-primas, formulação, aplicação de tecnologias, incremento de performance, funcionalidades e muitos outros aspectos. E tudo isso é levado para dentro das empresas, contribuindo para a inovação e o desenvolvimento tecnológicos”, explica Dilson Ferreira, presidente-executivo da Abrafati.

As empresas entendem que esse é um espaço voltado para impulsionar o conhecimento dos profissionais e debater novos desenvolvimentos e insights – o que repercute diretamente na evolução tecnológica da cadeia de tintas. Por isso, estimulam seus especialistas a inscrever papers que mostrem o atual estágio das suas pesquisas e ações voltadas para a inovação. “Essas empresas sabem que são beneficiadas por esse intenso intercâmbio de ideias e experiências, ao mesmo tempo em que consolidam a sua imagem de lançadoras de tendências e impulsionadoras do avanço, o que tem repercussões favoráveis em seus negócios”, afirma Dilson Ferreira. “Merece destaque, também, a expressiva participação de pesquisadores ligados a universidades e centros de pesquisa, o que é extremamente positivo por contribuir para a necessária integração entre indústria e academia, que precisam ter uma parceria mais efetiva em prol da ciência e da tecnologia. Isso é ainda mais relevante porque esses pesquisadores sofrem menos as pressões do tempo e da relação custo-benefício e, portanto, podem explorar mais a fundo possibilidades que a indústria algumas vezes deixa de lado”, acrescenta.

Sempre trazendo os temas mais atuais e abordando aquilo que está por vir, o evento desempenha papel indispensável na construção dos caminhos que levam à tinta do futuro. Tendo participado, desde o início do Congresso, da avaliação dos trabalhos enviados por pesquisadores de todo o mundo, o químico Jorge Fazenda, consultor científico da Abrafati e reconhecido como um dos principais especialistas brasileiros em tintas, salienta que nos últimos anos se consolidou a tendência de que os trabalhos foquem em produtos e processos cada vez mais amigáveis ao meio ambiente e que permitam oferecer respostas às necessidades do consumidor, da sociedade e do mercado. “Hoje, a sustentabilidade é um tema chave no evento e os trabalhos refletem isso. Entre os grandes drivers da pesquisa atual relacionada às tintas, podem ser destacadas a redução de VOCs e as inovações nos sistemas base água, que aparecem em inúmeros estudos”, afirma, lembrando ainda que as aplicações da nanotecnologia seguem sendo outra vertente chave do trabalho dos profissionais que se dedicam a pensar e viabilizar a tinta do futuro.Outra importante e tradicional iniciativa que estimula a pesquisa e, por extensão, o desenvolvimento tecnológico é o Prêmio Abrafati de Ciência em Tintas. Criado em 1987, vem desde então incentivando a realização de estudos de alto nível pelos principais especialistas da indústria e do meio acadêmico.

Ao longo de 16 edições, foram pouco mais de 150 os trabalhos submetidos à avaliação, revelando a existência de um forte potencial para a produção científica ligada às tintas. Destes, foram reconhecidos 38 estudos – tendo como autores mais de 70 especialistas das empresas do setor e das mais renomadas instituições acadêmicas do País. “Temos recebido um conjunto de trabalhos de muito bom nível, que confirmam que há muita pesquisa relevante sendo feita no Brasil – e foi justamente essa a nossa intenção ao criar o Prêmio, por entendermos que essa é uma atividade essencial para o desenvolvimento científico e tecnológico do nosso setor, levando a avanços e inovações”, afirma Dilson Ferreira.

Mostrando a sintonia entre a pesquisa e as demandas do mercado e da sociedade, a busca de avanços relacionados à sustentabilidade e à melhoria das propriedades das tintas é uma constante nos trabalhos premiados. Entre os principais temas estudados pelos vencedores, sobressaem a utilização de matérias-primas de fonte renovável, o uso de materiais de menor toxicidade e impacto ambiental, o aproveitamento de resíduos de processos industriais na produção de tintas, assim como o aumento da eficiência na produção com redução da utilização de insumos.

Os próprios participantes ressaltam a importância do Prêmio para abrir oportunidades para que as inovações saiam dos laboratórios e cheguem à linha de produção. Primeiro colocado na edição 2004, o pesquisador Manuel Julimar Lopes dá o seu testemunho: “Além do valor que tem para mim, esse prêmio significa também muito no mercado. Já há vários anos eu vivo de invenções que apresentei para concorrer ao Prêmio Abrafati e que, depois, chamaram a atenção de parceiros investidores. No momento em que o trabalho é apresentado, ele ainda é Ciência Pura. Nos meses seguintes, no entanto, desperta interesse por ter sido vencedor do prêmio, ganha vida e se torna Ciência Aplicada”.

A mesma visão é compartilhada por Mariane Dalpasquale, vencedora na edição 2014, que diz que o prêmio foi encarado como uma possibilidade de ter contato com a indústria de tintas, obter novas ideias, melhorias e sugestões para trabalhos futuros, além de ser uma ótima oportunidade para mostrar o estudo que vinha sendo realizado. “Vimos a possibilidade de concretizar um dos nossos objetivos, o de fazer parceria para o desenvolvimento em escala-piloto”, reforça.

Quem atua na indústria percebe esse e outros benefícios. É o que revela o depoimento de Marcos Fernandes de Oliveira, da Axalta, laureado em 2010: “Ao participar do prêmio, o pesquisador ou técnico ligado à indústria tem a oportunidade, antes de tudo, de aprimorar seus conhecimentos, pois precisa estudar profundamente sobre o tema que está abordando. As regras e exigências para a elaboração do trabalho são muito parecidas com aquelas aplicadas em dissertações e teses, incentivando a pesquisa e a comprovação científica dos resultados.”

Alinhada aos mesmos objetivos, outra iniciativa pioneira e de forte impacto no mercado é o Curso de Tecnologia em Tintas da Abrafati. Voltado para técnicos e gestores da cadeia produtiva, esse curso foi criado no final da década de 1980, tendo atraído mais de 500 profissionais em suas 26 edições – a próxima inicia-se em maio de 2016.

Com um formato desenhado especificamente para as necessidades e a realidade da cadeia brasileira de tintas, o curso oferece conteúdo amplo e aprofundado, proporcionando formação e reciclagem de conhecimentos sobre matérias-primas, processos, produtos e aplicações de tintas.

Com seu programa constantemente renovado, acompanhando a evolução tecnológica do setor e da sociedade, tem como um de seus pontos altos o fato de ser ministrado por especialistas com longa experiência no setor, permitindo a integração entre a teoria e a sua aplicação prática.

“O curso incorpora as inovações e as tendências mais recentes, possibilitando uma visão panorâmica e aprofundada dos conteúdos. Além disso, abre oportunidades para a interação e a troca de ideias entre os participantes, permitindo debater caminhos e encontrar soluções para os desafios que os profissionais enfrentam em seu dia a dia”, afirma Telma Florêncio, diretora de Eventos Corporativos da Abrafati.

As apostilas desenvolvidas para o Curso de Tintas foram o embrião para outra ação de alta relevância, conduzida pela Abrafati: a produção do livro Tintas, Ciência e Tecnologia, a primeira obra do gênero publicada em língua portuguesa, que foi reconhecida com o tradicional Prêmio Jabuti – concedido pela Câmara Brasileira do Livro. Bibliografia indispensável para técnicos do setor, a obra – lançada originalmente em 1993 e hoje em sua 4ª edição, atualizada e com acréscimo de novos conteúdos – contempla informações técnicas sobre todos os aspectos relacionados ao produto, em seus diversos segmentos e aplicações. São mais de 1.100 páginas, com textos dos principais especialistas brasileiros, sob a coordenação geral de Jorge Fazenda.“Essas são as nossas principais realizações nessa área. Poderíamos relatar diversas outras, como a criação de um curso específico sobre o GHS (Sistema Globalmente Harmonizado de Classificação e Rotulagem de Produtos Químicos), os diversos seminários e palestras que promovemos – entre os quais o Seminário de Assuntos Ambientais e de Segurança em Indústrias de Tintas – ou a participação nas grandes discussões técnicas e científicas globais”, explica o presidente-executivo da Abrafati.

O fundamental a ser destacado não é o número ou o histórico dessas atividades, mas a motivação para elas e, especialmente, os resultados que trazem. “Ao abrir oportunidades para que os profissionais da cadeia de tintas e do mundo acadêmico tenham acesso a um vasto acervo de conhecimentos e de inovações, permitimos que a informação circule, passe a fazer parte dos projetos das empresas e se renove, levando adiante o círculo virtuoso da evolução tecnológica, que foi a base para a criação de iniciativas como o Congresso, o Prêmio, o Curso de Tintas e outras – e que as mantêm mais vivas e essenciais do que nunca”, conclui Dilson Ferreira.

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