Economia

Abiquim 50 anos: Soluções da química promovem eficiência energética em edificações

Petroleo e Energia
28 de julho de 2015
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    Petróleo & Energia, Paredes de espuma rígida de PU Elastopor receberam pintura com pigmentos Sicopal/Paliogen que refletem a radiação solar

    Paredes de espuma rígida de PU Elastopor receberam pintura com pigmentos Sicopal/Paliogen que refletem a radiação solar

    Nesse sentido, o uso de painéis de poliuretano (PU) em fachadas e coberturas de prédios, por exemplo, pode gerar uma economia de energia para refrigeração de até 40%, de acordo com Marcelo Fiszner, coordenador da Comissão Setorial de Poliuretanos da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim). Além do controle térmico, o uso de painéis de PU nas edificações também aumenta a velocidade da construção. Vale lembrar que a fabricação de cimento é altamente poluente e consumidora de energia, mais um motivo para classificar a substituição do material pelo poliuretano como sustentável, pois evita o aumento das emissões de gases de efeito estufa (GEE) e o consumo energético. Na mesma comparação, diferente do cimento, os painéis de PU são reutilizáveis e recicláveis.

    Além do poliuretano, que já é bastante usado em construções comerciais e industriais, como shoppings e aeroportos, a fim de reduzir o uso do ar condicionado, em busca de soluções para o desenvolvimento de edificações energeticamente mais eficientes, a indústria química oferece ainda outras matérias-primas, como o EPS (poliestireno expandido), tintas que refletem a radiação incidente e revestimentos que fazem o controle térmico do ambiente.

    O EPS modificado com grafite, por exemplo, funciona como absorvedor de radiação na faixa do infravermelho, reduzindo o consumo de energia por isolar melhor a temperatura em casas nos climas quentes e úmidos. Existem também pigmentos aplicados às tintas que gerenciam o calor ao promover a reflexão, ao invés da absorção da radiação solar, mantendo a superfície pintada fria, mesmo nas cores escuras. Microcápsulas poliméricas são utilizadas nos revestimentos de gesso/dry wall para ajudar a manter a temperatura do ambiente a partir de propriedades físicas e químicas. As microcápsulas possuem parafina em seu interior e, quando ocorre aumento da temperatura, elas absorvem a energia térmica na forma de calor latente, usado na fusão da parafina. Quando a temperatura cai, o calor é devolvido ao ambiente e a parafina volta ao estado sólido.

    De acordo com os fabricantes, o uso desses materiais não reduz a segurança das edificações e, algumas, trazem até benefícios nesse sentido, em comparação aos materiais tradicionais. O poliisocianurato (PIR), por exemplo, também usado como isolante térmico, aumenta a resistência ao fogo, assim como a espuma rígida de poliuretano garante maior durabilidade.

    Apresentando um grande exemplo de que é possível construir uma casa energeticamente mais eficiente e segura sem deixar o bom gosto em segundo plano, a Basf construiu em São Paulo a CasaE. “Queríamos mostrar ao mercado que este tipo de projeto é factível e que é possível que a casa tenha uma bela arquitetura, sendo totalmente sustentável e eficiente. As soluções da química encontradas na CasaE foram desenvolvidas para que possam ser amplamente empregadas na construção”, afirma Camila Lourencini, gerente de estratégia para indústria da construção da Basf. Segundo a especialista, além da eficiência energética, as inovações que fazem parte da casa proporcionam uma obra mais rápida, com menor consumo de água, importante redução na emissão de CO2 e de resíduos de construção, além de maior durabilidade.

    Petróleo & Energia, Por conter grafite, bloco de Neopor apresenta isolamento térmico 20% superior ao do EPS convencional

    Por conter grafite, bloco de Neopor apresenta isolamento térmico 20% superior ao do EPS convencional

    Na opinião de Adriano Pires, diretor do CBIE, o incentivo ao uso eficiente da energia é uma maneira moderna e inteligente de se gerenciar a demanda. “A energia mais barata e limpa é aquela que não é consumida”. Para Pires, as licenças de obras de empreendimentos imobiliários deveriam ser atreladas ao fato de o prédio ser construído de maneira a usar eficientemente a energia e, ainda, apresentar soluções de geração própria. Especificamente para a eficiência energética em edificações, foi promulgada em junho de 2014 a Instrução Normativa nº 2, pela Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação (SLTI), do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG), que dispõe, dentre outros, sobre a etiquetagem compulsória em edificações públicas federais. Segundo o chefe do Departamento de Projetos da Eficiência Energética (PFP) da Eletrobras, George Alves Soares, este foi um marco para o início da obrigatoriedade da Etiqueta Nacional de Conservação de Energia (ENCE) nos edifícios do País. As edificações com ENCE classe “A” (alta eficiência energética) têm incentivos financeiros, como juros e prazos para financiamento mais atrativos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).



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