Mudam os atores no cenário global da área de pigmentos – Abrafati

A Abrafati 2019 registrou mudanças importantes no setor de pigmentos para tintas, ambos com potencial de alterar o panorama de negócios, tanto no dióxido de titânio, quanto nos coloridos.

A SunChemical, da DIC Corporation (antiga Dainippon Ink), anunciou recentemente a aquisição global da Basf Pigments, que já havia sido separada dos demais negócios do grupo químico alemão. “Começamos agora o processo de integração, acredito que ele estará concluído até dezembro de 2020, já com todas as aprovações de órgãos oficiais de defesa comercial”, comentou Michael Venturini, diretor de marketing de coatings da SunChemical. Não se espera grande movimentação para venda de ativos, uma vez que os negócios são altamente complementares. “Há alguma superposição apenas no caso dos pigmentos perolados”, avaliou.

Como informou, a SunChemical atua em três divisões: tintas gráficas, pigmentos e resinas. No Brasil, a companhia atua com pigmentos há apenas oito anos, usando basicamente distribuidores, atendendo clientes globais do porte da Sherwin-Williams, AkzoNobel e PPG. “Já criamos escritório local e estruturas de atendimento próprias”, apontou Venturini. Isso inclui um laboratório de suporte técnico, instalado no Rio de Janeiro, que será transferido para São Paulo até o fim deste ano.

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Com 22 fábricas de pigmentos orgânicos no mundo, cobrindo toda a oferta de grupos cromóforos, o negócio é considerado muito importante para a companhia. “A aquisição da Basf Pigments é um caminho para crescimento, eles nos trazem pigmentos de efeito e produtos industriais muito bons, além de uma presença regional estratégica”, salientou. A Basf mantém produção de pigmentos na China e na Europa, enquanto a Sun possui fábricas no Japão e nos Estados Unidos, além de uma unidade na China, porém com restrições operacionais.

Venturini aponta grande oportunidade de avançar no mercado brasileiro de tintas decorativas e industriais, embora também olhe com atenção para especialidades voltadas para agropecuária e até balões de látex, segmento no qual tem grande participação, além das tintas em pó, ramo muito dinâmico. A produção automotiva não desperta a atenção do diretor. “Não temos os pigmentos branco e preto usuais, que são as principais cores desse segmento, caso o consumidor opte por comprar carros com outras cores, temos como suprir”, disse. O mercado de tintas curáveis por UV é classificado como interessante e em expansão, mas com limitações de geometria de peças, por exemplo.

No campo ambiental, Venturini considera que os mercados dos EUA e da Europa estão em fase de mudança, exigindo que os fabricantes químicos se adaptem. “É preciso fabricar direito, não liberar nada para o ambiente, usar água nas formulações, sem desperdiçar; tudo isso eleva custos, mas é necessário acompanhar”, ressaltou. China e Índia estão sofrendo pressões ambientais mais recentes, porém igualmente severas.

No mercado atual, Venturini aponta alguma dificuldade para a oferta de amarelos, causada por limitações de produção na China. “Temos uma cadeia de suprimentos bem estabelecida e conseguimos atender os nossos clientes”, afirmou.

Os planos da SunChemical no Brasil são ambiciosos. “Estamos crescendo bem a cada ano, com a Basf Pigments conseguiremos ser o maior fornecedor de pigmentos já em 2020, aliás, seremos o maior do mundo, pois cada empresa tinha faturamento de US$ 1 bilhão por ano”, considerou.

Titânio – A compra da Cristal pela Tronox foi concluída neste ano. Para tanto, a empresa foi obrigada a vender duas fábricas que eram operadas pela Cristal nos Estados Unidos, negócio concluído em maio com o grupo britânico Ineos, que criou uma empresa exclusivamente para isso: a Ineos Pigments.

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Com capacidade total de 250 mil t/ano, a empresa é a terceira produtora mundial de dióxido de titânio pela via cloreto. As fábricas americanas abastecerão clientes nas Américas e na Europa, sem ter fôlego para atuar em outras regiões. “Seremos menos globais, porém seremos mais focados no negócio e nos clientes”, considerou Carlo Piergalini, gerente de vendas e serviços técnicos para América Latina.

Como o negócio é recente, Piergalini ainda está estruturando a operação local, hoje mais voltada aos negócios Indent e por meio da distribuidora exclusiva, a Helmer, cujo estande na feira abrigou a distribuída.

Apesar disso, ele não espera maiores dificuldades por aqui. “Basicamente, é o mesmo produto que nós já vendíamos por aqui antes pela Cristal, são os mesmos grades, fabricados nas mesmas fábricas de antes, os clientes já os conhecem e os especificam nas suas formulações”, salientou. A nomenclatura deve mudar, conforme estipulado em contrato. “Usaremos o prefixo RC, de rutile chloride, mas a numeração será a mesma.”

A Tronox, por sua vez, comemora a aquisição da Cristal, que consolidou a sua liderança no mercado mundial do pigmento. A empresa informou que os clientes que estavam sendo abastecidos pelas fábricas vendidas para a Ineos serão atendidos pelas outras unidades fabris da companhia, instaladas no Brasil (Camçari-BA), EUA, Reino Unido, França, Holanda, Arábia Saudita, Austrália e China, com produção via sulfato e cloreto.

A Tronox adotou a marca TiONA para todos os seus grades de dióxido de titânio vendidos no mundo. “Temos o portfólio mais diversificado do pigmento em todo o mundo”, destacou o comunicado oficial da companhia.

Novos negros – A Birla Carbon apresentou dois novos negros-de-fumo durante o encontro setorial. O primeiro é o Raven 675, pigmento não tratado, limpo, que pode ter contato direto com alimentos com aprovação por órgão europeu, com tom azulado forte e dispersão fácil. “Ele é produzido na nossa fábrica da Espanha, sendo indicado para tintas gráficas tanto para publicações, quanto para embalagens”, informou Leonardo Fernandes Luiz de Souza, coordenador de vendas. O Raven 625 apresenta baixa absorção de óleo, com baixa estrutura, oferecendo boa processabilidade, resultando em tintas que aceitam impressão em alta velocidade, com boa durabilidade. Foi lançado em julho e está em fase de aprovação por parte de clientes globais.

O segundo novo pigmento preto é o Raven 5100, direcionado para tintas automotivas. “Ele tem área superficial maior, perto de 350 m²/grama, e poder tintório superior”, explicou Souza. Fabricado nos EUA, o 5100 não é tratado, ao contrário do conhecido 5000, e tem aplicação em tintas de base água, tanto em repintura quanto em pinturas originais. “O mercado deverá receber bem a novidade, esse pigmento chega a uma cor muito profunda, desejada pelos clientes”, comentou.

Óxidos de ferro – A Lanxess comemora o fato de a fábrica de óxidos de ferro de Ningbo ter recebido o selo Green Plant, oferecido pelo governo chinês, atestando o bom desempenho ambiental e energético da operação. A empresa atua com foco no New Red, um vermelho intenso trazido de Ningbo desde o final de 2018.

O gerente de marketing e vendas de pigmentos da Lanxess no Brasil Givanildo Ferreira informou que as vendas desses produtos no país em 2019 foram superiores às de 2018, embora o mercado tenha se comportado de forma tímida. “Nós fomos mais ativos, substituindo outros óxidos de ferro, mas o mercado total não foi bem”, avaliou.

Os óxidos de ferro podem ser combinados com pigmentos orgânicos de modo a obter as cores desejadas com redução de custos. “Os pigmentos de Ningbo são muito limpos e por isso estão sendo usados até nos sistemas tintométricos”, disse Ferreira.

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