Produtos Químicos e Especialidades

Distribuição: Empresas superam crise com portfólios ampliados

Marcelo Fairbanks
28 de julho de 2019
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    Outro sinal de maturidade do setor pode ser encontrado na atitude das empresas em relação aos movimentos do mercado. “Não se vê mais o efeito manada, todos investem com planejamento e cautela em seus negócios, os Encontros Brasileiros da Distribuição Química, conhecidos como EBDQuim, ajudaram nessa evolução”, considerou.

    Medrano observa que a China está retraindo sua oferta de produtos químicos, principalmente por motivos ambientais, forçando todo o mundo a buscar fontes adicionais de suprimento. “A Associquim luta para que os clientes da distribuição valorizem o Prodir na sua cadeia de suprimento, porque a sustentablidade é importante até para as negociações com os países do Tratado Transpacífico (TPP)”, afirmou.

    Nesse ambiente global, o dirigente observa movimentos recentes de aproximação entre Brasil e Argentina, que podem aprofundar o Mercosul e o livre-comércio regional. Isso obrigará os distribuidores nacionais a ampliar sua área de atuação. “O Brasil tem vocação para ser o grande hub regional de químicos, isso impulsionará o setor”, prevê. O bloco regional oferece a possibilidade de acesso ao Oceano Pacífico para o Brasil, maior mercado regional. “A distribuição precisa agir bem nesse sentido, poderá ser o fator para a concretização do bloco.”

    Química e Derivados - Érica: infraestrutura ruim prejudica negócios no país ©QD Foto: Divulgação

    Érica: infraestrutura ruim prejudica negócios no país

    Portfólios em revisão – A distribuição sempre ajusta seu portfólio em conformidade com as tendências de mercado e com a estratégia de longo prazo de cada empresa. Atualmente, ambos os fatores apontam na direção de reforçar a participação das especialidades no mix de produtos.

    A gigante global Brenntag, com sede na Alemanha e vendas de € 12,6 bilhões em 2018 (dos quais € 807,3 milhões na América Latina), opera um mix com 75% de commodities e 25% de especialidades químicas no Brasil. “Temos por meta ampliar a venda de especialidades por complemento no portfólio, sem perder posições nas commodities, nas quais somos muito fortes”, comentou Érica Takeda, presidente da Brenntag Brasil.

    Como explicou, a distribuidora mantém uma estratégia de crescimento com base na abrangência geográfica (com atuação em todo o território nacional), diversificação das indústrias atendidas e oferecimento de portfólio amplo, integrando commodities e especialidades. “Com essa estratégia, estamos tendo crescimento no Brasil, que tem forte participação nos resultados da região”, apontou a executiva.

    A América Latina representa 6,4% do faturamento mundial da Brenntag e registrou queda de 1,4% nas vendas de 2018. O primeiro trimestre de 2019, no entanto, obteve faturamento de € 210,4 milhões, que representa uma elevação de 13,2% (ou 9,5%, descontados os efeitos cambiais). “O crescimento obtido do primeiro trimestre reflete a aquisição da Conquímica, da Colômbia, aprovada pelo governo colombiano no final de 2018”, explicou Érica.

    A presidente salienta o fato de as especialidades químicas exigirem importação, dado não haver produção nacional suficiente. A operação logística nesse caso envolve volumes menores de produtos, geralmente embalados e acondicionados em contêineres. “É mais fácil de lidar do que as commodities, que exigem infraestrutura portuária específica, como tancagem”, considerou. Para Érica a deficiência brasileira de infraestrutura logística, envolvendo portos, estradas e ferrovias, entre outros itens, causa preocupação e limita investimentos. “Seria o momento adequado para o país investir em infraestrutura, pensando no próximo ciclo de crescimento. Caso aconteça uma recuperação econômica, que não é improvável, teremos gargalos importantes a enfrentar”, afirmou.

    A expectativa ainda é positiva, tanto que a Brenntag Brasil investe na conclusão no laboratório de polímeros (poliuretanos, polióis e borracha) para desenvolvimento com clientes, em Guarulhos-SP, previsto para o segundo semestre deste ano. “Aliás, o site de Guarulhos foi revitalizado e atualizado, melhoramos as salas de reunião e a estrutura para prestação de serviços, além de ampliar a área de misturas e blends, incluindo solventes e tensoativos, estes como adjuvantes para formulação de agroquímicos, temos uma marca própria para isso”, salientou.

    Todas as regiões do país estão reportando resultados positivos, mas a estrutura física existente ainda suporta as operações, segundo a presidente. “Gaurulhos opera a plena carga, estamos alugando armazéns de carga seca na região como apoio”, disse. O prazo médio de estoques não foi alterado, uma vez que não há problemas de suprimento, nem de dificuldades extraordinárias em logística.

    Atenta às oscilações de oferta e demanda global, a Química Anastácio mantém estoques pra 75 dias de suprimento aos clientes, em média, com alguns itens mais críticos com reserva para 90 dias. Com 2.400 itens em portfólio, oferecidos para cinco mil clientes ativos em 18 segmentos de mercado atendidos, a distribuidora desenvolve contínuo trabalho de procurement global. “Lançamos, em média, dez produtos por mês e praticamente nunca tiramos um item do portfólio, alguns podem ter volume reduzido, mas sempre têm comprador”, disse Jan Krueder.



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