Produtos Químicos e Especialidades

Distribuição: Empresas superam crise com portfólios ampliados

Marcelo Fairbanks
28 de julho de 2019
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    Química e Derivados - Medrano: Prodir comprova evolução qualitativa do setor ©QD Foto: Divulgação

    Medrano: Prodir comprova evolução qualitativa do setor

    Futuro melhor – “Ainda há esperança no Brasil”, salienta Rubens Medrano, presidente da Associação Brasileira dos Distribuidores de Produtos Químicos e Petroquímicos (Associquim). “Ficamos mais uma década atrasados em relação ao mundo, por isso precisamos fazer as reformas previdenciária e tributária e outras mais.” Pelo menos, como observou em conversas recentes com representantes da equipe econômica do governo, a intenção de desburocratizar as atividades empresariais e reduzir a intervenção estatal permanecem como prioridades oficiais.

    Na sua avaliação, 2019 reflete os efeitos da retração do consumo de bens finais, provocada pela atitude mais cautelosa da população quanto ao seu orçamento pessoal e também pela incerteza quanto à efetivação das reformas. “O fato é que, sem consumo, as indústrias não rodam e a distribuição não vende”, comentou.

    A Associquim está concluindo o levantamento de dados setoriais de 2018 que consolidará no Perfil da Distribuição de Produtos Químicos e Petroquímicos, publicado todos os anos. Com base em dados preliminares, Medrano identifica que a distribuição brasileira deve ter obtido faturamento dolarizado entre 5% a 10% maior que o registrado em 2017. O dirigente ressalta que, por se tratar indicador em moeda forte, é preciso interpretar esse número à luz da variação cambial e da composição do mix de produtos trabalhado pelo setor.

    Portanto, parte da variação positiva pode ser atribuída à desvalorização do real e também há uma influência derivada da maior participação da venda de especialidades químicas pelos distribuidores em relação a exercícios anteriores. “Estimamos que as especialidades representem cerca de 40% das vendas da distribuição e acredito que cheguem a 50% em alguns anos”, considerou. Produtos de maior valor são atraentes, porém requerem investimentos em laboratórios e equipes especializadas de vendas e suporte técnico. Além disso, são negociações lentas com clientes, dependendo de aprovação mediante procedimentos complexos. A prestação de serviços também está avançando no setor, abrindo novas oportunidades de desenvolvimento de negócios.

    Ponto fundamental para a evolução do setor foi a instituição do Programa de Distribuição Responsável (Prodir), que já está sendo reconhecido pelas autoridades federais, estaduais e municipais como um fator de diferenciação das empresas, tendo em vista a sustentabilidade das operações. “Autoridades regulatórias demonstram confiança no Prodir, por exemplo, a Cetesb e o Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo estendem o prazo de validade das licenças para quem está certificado no programa”, disse Medrano. A aceitação mútua entre Prodir e Atuação Responsável (da Abiquim) comprova o bom relacionamento com a indústria química, facilitando as operações na cadeia produtiva. “O Prodir vai se adaptando às circunstâncias, porém sem perder a sua essência”, afirmou.

    A Polícia Federal adotou, desde janeiro, procedimentos novos de controle de produtos químicos, fruto de diálogo com a Associquim. “O procedimento agora é totalmente eletrônico, mais fácil e sem burocracia”, elogiou Medrano. Como informou, há uma tendência de adotar a autoregulação, mas isso aumenta muito a responsabilidade das distribuidoras que não poderão falhar na prestação de informações, sob pena de punições severas. “Outros órgãos fiscalizadores devem concordar, para evitar conflitos, não será fácil chegar a esse ponto, embora a Associquim esteja pedindo há anos a unificação de registro e controle de produtos”.

    Medrano aponta um antecedente exitoso: a criação do Portal Único para operações de comércio internacional. Pelo sistema, todos os órgãos intervenientes nas importações e exportações são chamados a se manifestar de uma só vez, com prazo predeterminado, agilizando os procedimentos.

    Distribuição madura – A abertura comercial promovida no governo Collor de Mello e a estabilidade econômica alcançada com o Plano Real foram divisores de águas na história da distribuição química nacional. “Nessa mesma década, a China despontou como potência econômica e fonte de suprimentos, deslocando o eixo industrial químico da Europa e dos Estados Unidos para a Ásia”, comentou Medrano. “Tudo isso obrigou a distribuição a se modernizar, bem como a logística global”.

    A dinâmica dos negócios trouxe ao Brasil grandes distribuidoras internacionais que aqui se instalaram e trouxeram experiências de gestão e governança para o mercado local. “Mas elas também tiveram de se adaptar ao Brasil, isso não foi fácil”, comentou Medrano que aponta o fato de as operações brasileiras dessas grandes companhias serem atualmente comandadas por executivos brasileiros qualificados, já adaptados ao ambiente econômico e cultural.



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