Produtos Químicos e Especialidades

Distribuição: Empresas superam crise com portfólios ampliados

Marcelo Fairbanks
28 de julho de 2019
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    Química e Derivados - Distribuição: Empresas superam crise com portfólios ampliados e abertura de mercados ©QD Foto: iStockPhoto

    A distribuição química brasileira não está “dormindo no ponto”. Embora, a exemplo de todas as atividades produtivas no Brasil, o setor acompanhe com muita atenção a tramitação de projetos legislativos de reformas importantes e também procure incentivar a redução de entraves burocráticos cotidianos, o comércio químico promove esforços para ampliar o rol de mercados atendidos, diversificar portfólios e reforçar laços com clientes e fornecedores. Com isso, busca o duplo objetivo de ampliar vendas e diluir riscos.

    Química e Derivados - Krueder: próximo passo será montar empresa na Colômbia ©QD Foto: Divulgação

    Krueder: próximo passo será montar empresa na Colômbia

    Não são tarefas fáceis, nem baratas. Exigem doses crescentes de esforço e investimento. Deixar de fazê-las, no entanto, não é uma opção para quem pretende permanecer no ramo, pois a concorrência é cada vez mais acirrada.

    O panorama atual é diferente do registrado pela Edição Especial de Perspectivas 2019 de Química e Derivados, publicada no início do ano, quando as expectativas do setor eram muito positivas para a economia nacional. As reformas previdenciária e tributária se apresentavam como fundamentais a ponto de não se esperar dificuldades de aprovação nas casas legislativas. O novo governo prometia dar um choque de liberdade e modernidade na economia e na sociedade, iniciando um ciclo virtuoso de desenvolvimento.

    Não foi isso que se viu nos primeiros cinco meses do ano. Embora ainda se registre a confiança do empresariado no futuro do país, este parece ter ficado um pouco mais distante. As reformas não foram concluídas e o governo federal se enredou em disputas internas de alto poder implosivo, porém de baixa relevância para a atividade empresarial.

    “O ano começou promissor, mas havia mais expectativas do que fatos para fundamentar o otimismo”, resumiu Érica Takeda, presidente da Brenntag Brasil. Ela informou que a demanda no primeiro trimestre apresentou forte estabilidade, com mínimo crescimento em relação ao mesmo período de 2018. Melhores resultados foram percebidos nas áreas ligadas ao agronegócio, alimentos e nutrição, cuidados pessoais e domissanitários. “Os demais segmentos apenas acompanharam a variação do PIB”, apontou.

    Química e Derivados - Dosualdo: construção do centro logístico de Cajamar prossegue ©QD Foto: Divulgação

    Dosualdo: construção do centro logístico de Cajamar prossegue

    “O mercado químico segue o ritmo lento da economia nacional, em compasso de espera em relação às reformas econômicas necessárias para a retomada dos investimentos”, comentou Gustavo Dosualdo, diretor de distribuição da MCassab. Ele acredita que, com o êxito das reformas, o Brasil tem todas as condições para receber uma onda de investimentos e crescer acentuadamente, favorecendo o comércio químico, entre outros setores. “Entendemos que isso só começará a acontecer no último trimestre deste ano, ou ainda no início de 2020.”

    “A economia brasileira está andando de lado, o PIB não deve crescer além de 1% neste ano e isso se refletirá no setor químico”, avaliou Jan Krueder, presidente da Química Anastácio. “Além disso, há turbulências globais a considerar, decorrentes da guerra comercial entre China e Estados Unidos.” Com dificuldades para acessar o mercado americano, sobram alguns produtos chineses no mundo, ainda que a demanda interna tenha aumentado por lá e algumas fábricas tenham sido desativadas por pressão ambiental. Isso derrubou o preço de várias commodities vegetais e derivadas de petróleo, enquanto as especialidades químicas sofreram menos, pois têm dinâmica de mercado diferente. “Para nós, o desafio é a precificação das mercadorias em estoque e em trânsito, precisamos considerar flutuações de oferta e demanda, mas também a taxa cambial daqui, que está muito volátil”, afirmou. Apesar disso, a empresa registrou aumento de vendas de 26% em moeda local em 2018, e espera manter o ritmo de crescimento de dois dígitos neste ano.

    Química e Derivados - Jorge: TI ajuda a desenvolver soluções personalizadas ©QD Foto: Divulgação

    Jorge: TI ajuda a desenvolver soluções personalizadas

    Alvim Jorge, diretor geral no Brasil da GTM Holdings, proprietária da distribuidora quantiQ, vê a necessidade de promover reformas estruturais na indústria química, assim como no desenvolvimento de uma política industrial mais estruturada. “Os negócios com químicos avançarão ao lado de drivers como a retomada da economia brasileira, ainda lenta, o avanço no consumo e recuperação da confiança na indústria, com aumento de investimentos, e do setor de serviços”, afirmou. Ele aponta o rápido desenvolvimento das transformações digitais, que o grupo GTM acompanha com foco em gestão mais eficiente e tecnológica, traduzida em agilidade e rapidez dos processos internos, bem como no fortalecimento de parcerias com representadas e clientes. “No Brasil, estamos implementando uma ferramenta de CRM que permitirá gestão mais eficiente de atendimento aos clientes”, informou.

    Embora aponte a estagnação da economia brasileira, a Midland projeta para 2019 um aumento de 5% a 10% de faturamento, em relação a 2018. “Isso resultará da introdução de novos parceiros, produtos e mercados de atuação”, comentou Paula Hattori, gerente de vendas da distribuidora. Como informou, atividades ligadas à exploração do pré-sal tendem a gerar negócios na área de manutenção industrial. Em contrapartida, a redução das exportações de automóveis aos países vizinhos afetou alguns mercados atendidos pela Midland, como OEM, plásticos e autopeças. “Continuaremos focados nos nossos mercados estratégicos, ampliando a oferta de novos produtos e tecnologias, além de ingressar em outros segmentos, para tanto, mantemos investimentos na capacitação e desenvolvimento dos nossos profissionais”, informou.

    Química e Derivados - Castro investe em Pernambuco e reforça as especialidades ©QD Foto: Divulgação

    Castro investe em Pernambuco e reforça as especialidades

    A Morais de Castro, sediada em Salvador-BA, tem obtido crescimento significativo de vendas nos últimos anos, resultado da introdução de novas distribuídas e produtos. “Somos uma empresa tradicional na região, temos acesso aos clientes locais e por isso encontramos interesse de parceiros para oferecer mais especialidades por aqui, a exemplo de Wacker, Vantage e Symrise”, explicou o diretor André Castro. Na sua avaliação, a região Nordeste alimenta grandes expectativas, mas roda com o “freio de mão puxado”, exigindo desenvolver projetos inovadores. Em 2019, a distribuidora planeja crescer 12% em vendas.

    A Rudnik iniciou 2019 com a meta de aumentar seu faturamento em 15% em relação a 2018, mas encontra dificuldades. “O mercado está muito ruim, até agora só crescemos 4%, o primeiro trimestre nos decepcionou, os clientes estão manifestando muita incerteza”, disse Tiago Reis, diretor operacional. Com foco nas especialidades, a distribuidora busca aumentar seus fornecimentos para a base de clientes, propondo a eles alternativas. Isso exige ampliar o portfólio. “Incluímos seis produtos adicionais ao nosso portfólio no ano passado e, em 2019, já adicionamos outros quatro itens”, informou.

    Ainda jovem, a SQ Química obteve crescimento de 30% nas vendas de 2018 e espera manter o ritmo neste ano. “A expectativa é grande, mas ainda não se concretizou, esperamos que as reformas econômicas atraiam mais investimentos e reforcem a confiança no mercado”, comentou Petra Shie, sócia-fundadora e diretora de marketing da distribuidora.

    Química e Derivados - Petra: mudanças chinesas pedem esforço maior da equipe técnica ©QD Foto: Divulgação

    Petra: mudanças chinesas pedem esforço maior da equipe técnica

    Nascida com base em produtos para formulações curáveis por ultravioleta, a SQ Química prioriza especialidades no portfólio, porém ampliou a abrangência de segmentos atendidos (atua em tintas, compósitos, polímeros, plásticos, borrachas, adesivos, lubrificantes, materiais dentários, entre outros), com a respectiva ampliação de itens oferecidos. “Entendemos que um período de incertezas abre uma janela de oportunidades, ou seja, é um momento para inovarmos e criarmos diferenciais no mercado”, afirmou.

    A SQ Química adquire grande parte de seus produtos de fornecedores situados no exterior, dos quais 70% estão na China. “Nos últimos anos, o governo chinês tem criado barreiras para a produção de insumos básicos e, por consequência, existe cada vez mais dificuldade para obter produtos com um lead-time curto”, comentou. Isso exige um esforço extra tanto do departamento de compras, quanto da área técnica, que precisa desenvolver produtos alternativos, mas também da equipe comercial para lidar com as necessidades dos clientes. “O cenário é desafiador, estamos atentos e animados”, afirmou Petra.



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