Abrafati 2015: Setor busca inovações tecnológicas para superar momento econômico difícil

Embora tenha um portfólio alentado, com linha de solventes sintéticos fornecidos pela Oxea, LyondellBasel e Eastman; aditivos de sílica, silanos e silicones da Evonik, com o reforço recente (contratado em junho com distribuidor exclusivo e operador logístico) do amplo leque de tipos de dióxido de titânio da Huntsman, a IMCD não pretende destacar produtos em seu estande. “Neste ano, nosso foco será apresentar nossa especialização técnica em coatings para os clientes, com o objetivo de oferecer a eles suporte técnico para resolver problemas e criar novas soluções”, resumiu Medrano.

Como explicou, a IMCD mantém sete laboratórios de revestimentos ao redor do mundo, todos eles interligados e operados por um software de gestão para novos desenvolvimentos. “É uma rede mundial com troca constante de informações; quando alguma coisa nova surge, ela é imediatamente compartilhada com todos os integrantes”, explicou. O laboratório brasileiro do grupo fica em Diadema-SP, ocupando parte da área na qual ficavam os escritórios de administração e vendas, atualmente instalados em moderno edifício em São Paulo. Isso reflete o posicionamento estratégico da distribuidora mundial, mais interessada nas especialidades químicas.

O estande da IMCD abrigará treinamentos e demonstrações para clientes, contando com a participação de especialistas internacionais do grupo, entre eles o diretor técnico global da área. Segundo Medrano, em tempos de crise, como o atual, os clientes se mostram receptivos para adotar modificações que resultem em redução de custos, melhoria de desempenho e inovações que resultem em diferenciação de produtos finais.

A análise do comportamento de mercado deste ano, porém, é decepcionante. “As vendas físicas de produtos para tintas estão entre 20% e 30% abaixo do nível verificado em 2014, mas estamos mantendo o faturamento em moeda local, o que reflete a variação cambial”, comentou. Nos últimos três anos, já se percebia uma redução de atividade nas tintas, mas o resultado anual sempre foi positivo. Em 2015, o corte foi abrupto. “Acho que será o primeiro ano de retração geral nesse setor”, disse.

Desde os tempos da Makeni, a exposição da distribuidora no país ao setor de tintas era significativa, representando quase 60% do faturamento. “Atuamos em outros setores industriais, como nos domissanitários e cosméticos, que estão com desempenho bem melhor e, por isso, estão conquistando maior participação nos resultados”, explicou. Dessa forma, a área de coatings deverá representar perto de 50% das vendas da distribuidora neste ano.

Química e Derivados, Maranho: clientes aceitam bem as novidades, apesar da crise
Maranho: clientes aceitam bem as novidades, apesar da crise

Preparando o futuro – Embora os resultados do setor não sejam animadores, a quantiQ, maior distribuidora nacional, terá participação notável na Abrafati 2015. “É o maior encontro do setor na América Latina, vem muita gente de fora do país e há grande troca de informações e contatos”, justificou Luiz Maranho, gerente da unidade de negócios de tintas da quantiQ.

Ele aponta que a venda de tintas imobiliárias deve fechar 2015 com queda de 5% a 6%, em volume, no país, enquanto os produtos para as linhas industriais e automobilística seguirã em queda mesmo em 2016. E 2014 já foi um ano fraco para o setor. “Estamos no meio de uma crise de natureza política e econômica, para qual a desvalorização do real traz mais preocupações”, disse Maranho. “Apesar disso, os clientes estão receptivos para testar novidades, isso é bom.”

Ele identifica grandes oportunidades de negócios para introdução de insumos de baixo conteúdo de VOC e com foco em sustentabilidade, principalmente com o uso de fontes renováveis. “Estamos operando com três novos parceiros, fabricantes que buscaram no Brasil um distribuidor com o caixa robusto, porque a atividade demanda muito capital de giro”, salientou.

A primeira nova parceria foi estabelecida com a Shin-Etsu, do Japão, que fornecerá hidróxi-etil celulose, modificador reológico que dispensa aditivação pesada suplementar, proporcionando mais possibilidades de formulação. O HEC já teve produção nacional, que foi descontinuada, motivo que tornou o HEC menos popular do que o CMC (nacional) e os espessantes associativos sintéticos. “A Shin-Etsu está partindo uma fábrica nova nos EUA e poderá suprir o Brasil com preços competitivos, lembrando que já existe um mercado próprio do HEC por aqui e que poderemos ampliá-lo”, comentou.

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