Petróleo e Energia

Segurança: Aspectos de Segurança na Cimentação de Poços de Petróleo

Petroleo e Energia
15 de dezembro de 2015
    -(reset)+

    Além de evitar o contato entre a pasta e o fluido, os colchões têm outras atribuições: ter hierarquia de densidade e reologia para assegurar uma boa remoção de fluido e ter aditivos que limpem as superfícies sólidas (formação e revestimento) e as deixem molháveis à água quando o fluido de perfuração utilizado for de base oleosa ou sintética.

    Movimentação do revestimento – Movimentar o revestimento com rotação e reciprocação durante a cimentação são recomendados fortemente por vários autores na literatura. Tem como maior benefício aumentar o volume de lama móvel, fazendo com que os resultados de cimentação sejam ainda melhores quando utilizados.

    Infelizmente é pouco prático movimentar colunas de revestimento em poços com cabeça de poço submarina. Algumas colunas (liners) podem ser movimentadas, no entanto, são práticas operacionais arriscadas que normalmente levam o responsável pela operação a não realizá-las.

    Vazão de deslocamento – Outro fator importante para obtenção de isolamentos é a velocidade dos colchões e da pasta de cimento no anular e a vazão no deslocamento que governa estas velocidades. Em testes de campo e em simuladores de grande porte, têm-se observado que as melhores eficiências de remoção da lama são alcançadas quando a pasta de cimento é deslocada em altas vazões, independente do tipo de regime de fluxo. A melhor eficiência de deslocamento é obtida em fluxo turbulento, mas nem sempre é possível atingi-lo, pois isso pode requerer vazões muito altas e perdas de carga que causem perdas de circulação.

    Mesmo quando não é possível estar em regime turbulento, deve-se procurar empregar a maior vazão possível, considerando as limitações impostas pela resistência à fratura das formações. Vazões baixas geralmente provocam canalizações e devem ser evitadas.

    Os projetos de cimentação devem obrigatoriamente utilizar um simulador de pressões. O projetista pode selecionar uma vazão que seja suficientemente alta, de modo a promover boa remoção do fluido, ao mesmo tempo que fraturas da formação sejam evitadas. Caso se tenha uma formação com baixo gradiente de fratura e a simulação apresente fratura da formação, é possível utilizar outros recursos, como bombeio de colchões lavadores com densidades inferiores à frente da pasta de cimento, onde também deve ser observado se a pressão dinâmica e estática da operação não fique abaixo da pressão de poros sob o risco de influxo.

    Utilização de Tampões de Fundo e Topo – São equipamentos utilizados para separar os colchões do fluido de perfuração e as pastas de cimento do fluido de perfuração durante o deslocamento.

    Os tampões de fundo têm a função de separar o fluido de perfuração no interior do revestimento dos colchões, minimizando a contaminação; e também raspar a película de fluido de perfuração aderida nas paredes internas do revestimento.

    Quanto aos tampões de topo, estes têm a função de separar a pasta de cimento do fluido usado para o deslocamento, evitando a contaminação da pasta; e também indicar o final do deslocamento quando se assentar sobre o colar flutuante, impedindo a continuidade do fluxo.

    Petróleo & Energia, Segurança: Aspectos de Segurança na Cimentação de Poços de Petróleo ©QD

    Gráfico 6

    Gráfico 6 – Sequência de liberação de tampão de fundo e de topo.

    As práticas recomendadas pela indústria, representada pelo American Petroleum Institute (API), foram elaboradas após vários anos de observação dos resultados das operações. A importância da operação deverá determinar o seguimento de cada uma das boas práticas apresentadas. Para uma operação que requeira isolamentos críticos, em cenários desafiadores, como intervalos de gás, poços HPHT (High Pressure High Temperature) e em janelas operacionais estreitas (curva de pressão de poros próxima à curva de pressão de fratura), devem ser utilizadas todas as técnicas e cuidados operacionais possíveis para o êxito do trabalho. A correção de uma falha de cimentação deve ser evitada ao máximo porque normalmente é uma operação difícil e muito onerosa, podendo não alcançar o resultado desejado.

    Migração de Gás com Origem na Cimentação

    A migração de gás na cimentação é um dos problemas de maior relevância na indústria do petróleo. Pesquisas têm auxiliado a determinar como o fluxo de gás se inicia e como vários aditivos ou propriedades da pasta controlam o fluxo. Migração de gás ou influxo de gás no anular são termos usados para definir a entrada de gás no anular do revestimento cimentado ou do poço. Esse fenômeno ocorre quando a pressão hidrostática no anular cai ao ponto de ficar igual ou menor que a pressão de poros na zona de gás.

    Devido à solubilidade do gás no fluido de perfuração, o influxo de gás é mais difícil de ser identificado, principalmente nos fluidos de base orgânica. O gás se comporta como um líquido até atingir o ponto de bolha e somente a partir deste ponto começa a haver liberação de gás no anular. Em números, significa dizer que 1 barril de gás a 10.000 psi, numa situação de fundo de poço com fluido de base orgânica, corresponde a 350 barris quando alcançar a superfície.



    Recomendamos também:








    3 Comentários


    1. Eu gostaria de saber quais as medidas a se tomar para evitar a poluição ambiental causado por poços de petróleo?


    2. Kanga Garcia João

      Eu quero tanto me formar nessa área,ou fazer este curso,o que eu posso fazer? Por favor me ajudem.



    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *