Indústria Naval

Indústria naval – Com tradição no setor, estado planeja expansão

Bia Teixeira
26 de maio de 2012
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    O aquecimento do setor naval demanda expansão acelerada e está ajudando a promover uma descentralização do parque produtivo. Ainda assim, o Rio de Janeiro, tradicional produtor, continua abrigando o maior parque naval do país, com 114 obras em andamento que somam quase 2,3 milhões de TPB – volume inferior apenas ao de Pernambuco, que tem 2,9 milhões de TPB em 37 projetos de grande porte, como os cascos de plataformas e navios-petroleiros.

    Petróleo & Energia, Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira, Presidente da Firjan, Indústria naval - Com tradição no setor, estado planeja expansão

    Gouvêa Vieira (esq.) assina com Bueno acordo sobre polo de navipeças

    No entanto, o Rio continua à frente em empregos: estado com a maior verticalização da produção naval no país, absorve quase 50% da mão de obra empregada nessa indústria, com cerca de 28 mil trabalhadores ligados aos estaleiros fluminenses. Números que devem crescer nos próximos três anos, como informa o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira.

    Em abril, durante o II Balanço do Setor Naval e Offshore do Rio de Janeiro, ele antecipou um número do estudo Decisão Rio (publicado somente no início de junho) que aponta os investimentos no estado para cada período de três anos. O estudo calculou que o setor naval vai receber pelo menos R$ 15,4 bilhões entre 2012 e 2014 – 17% acima do triênio anterior, segundo o estudo.

    Com esses investimentos, a expectativa é gerar mais 11 mil empregos na instalação dos novos estaleiros e 16 mil na sua operação. “Vamos responder por 60% dos 60 mil empregos diretos do setor no Brasil, sem falar nos indiretos. Esse número vai crescer 60% nos próximos três anos”, calculou o presidente da Firjan.

    Nova expansão – O que parecia inimaginável há pouco mais de uma década está acontecendo: a infraestrutura naval fluminense vai se expandir. Sem contar com a indústria náutica (barcos de passeio, iates, lanchas e similares), atualmente o parque naval do estado é integrado por onze estaleiros, que somam onze diques secos, treze carreiras e 23 cais, com uma área total de 1,6 milhão de metros quadrados. Sem contar outros 316 mil metros quadrados ocupados por quatro canteiros – MacLaren, Caximbau, Superpesa (que tem três navios na carteira de encomendas) e UTC (com uma carteira atual de cinco módulos para plataformas).

    Desse total, R$ 6 bilhões vão para novos estaleiros – 37% a mais que no período anterior. “E aqui não estão incluídos ainda os investimentos na revitalização do estaleiro Inhaúma (antigo Ishibras, arrendado pela Petrobras) e também dos diversos estaleiros em Barra do Furado”, afirmou Gouvêa Vieira.

    O estudo incluiu os estaleiros Aliança Offshore,em São Gonçalo, a nova unidade do grupo Aliança, que tem quatro PSVs (Platform Supply Vessel) já contratados, tendo entregado em abril deste ano o CBO Pacífico, prevendo concluir o CBO Flamengo no segundo semestre. Também abrange o estaleiro da OSX, com duas sondas na carteira de encomendas: a Unidade de Construção Naval do Açu (UCN Açu),em São Joãoda Barra, Norte Fluminense, foi iniciada em julho do ano passado e deve estar pronta até o final de 2014.

    A expansão vai além do setor offshore, com a construção, pela Marinha, do Estaleiro ICN (Itaguaí Construções Navais), em Itaguaí, no litoral sul do Rio, que já tem em carteira cinco submarinos. A empreitada está a cargo do consórcio Odebrecht – DCNS (empresa francesa, que tem 75% de suas ações controladas pelo estado e 25% pela Thales, e que irá transferir tecnologia para a Marinha). O complexo servirá também como base de submarinos.

    Alexandre Gurgel, diretor de política industrial da Companhia de Desenvolvimento Industrial (Codin), vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedeis) do Estado do Rio de Janeiro, confirma a expectativa de que esse volume de recursos será ainda maior. “Sem dúvida nenhuma, os investimentos são crescentes e deve haver um aumento em relação ao ano anterior”, pondera, lembrando que há uma série de investimentos já anunciados e outros tantos cujos valores não foram ainda detalhados, que devem ficar acima da previsão do Decisão Rio.

    “Se considerarmos não somente as instalações de estaleiros, mas também os terminais de apoio offshore, esse número deverá crescer bastante. O Terminal Ponta Negra (TPN), por exemplo, prevê investimentos de R$ 1,5 bilhão em um estaleiro para manutenção de plataformas. Mas, considerando a área que será destinada à armazenagem de combustível, o valor total chega a R$ 5 bilhões”, contabiliza Gurgel.

    Ele observa que a Petrobras não divulgou o valor total investido no Inhaúma. “Sabe-se que apenas a reforma inicial custou cerca de R$ 250 milhões”, pontua, lembrando também que o terminal portuário da Petrobras em Itaguaí ainda não foi dimensionado, mas deve receber investimentos da ordem de R$ 8 bilhões. “Há ainda o estaleiro Caneco, que deve ir a leilão, passar por reformas e voltar a operar com capacidade bem superior à atual”, agrega o executivo da Codin.

    Gurgel destaca que, das empresas que têm interesse em se instalar em Barra do Furado, no município de Quissamã, a única que anunciou os investimentos foi a BR Offshore – um total de R$ 400 milhões. “Temos áreas reservadas pelo Cassinú, Eisa e STX, além das empresas Camorin e Alusa Engenharia. E ainda há espaço para a entrada de outros estaleiros especializados em reparo e construção de embarcações de apoio”, afiança.


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