Petróleo e Energia

26 de fevereiro de 2012

PCH – Na ponta do lápis, pequenas centrais mostram vantagens

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Publicado por: Nelson Valencio
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    Petroleo & Energia, Projeto para PCH no vale do rio Chapecó esta na Aneel, PCH - Na ponta do lápis , pequenas centrais mostram vantagens

    Projeto para PCH no vale do rio Chapecó está na Aneel

    As estatísticas recentes sobre as pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) não são positivas. Pelo me­nos se considerarmos o relatório de fiscalização da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), publicado em junho do ano passado. De acor­do com Ricardo Savóia, gerente de regulação, tarifas e mercado da con­sultoria Andrade & Canellas, 75% da capacidade instalada prevista para a operação a partir da geração das PCHs entre 2011 e 2015 não vai se concretizar. Isso acontece porque os empreendimentos apresentam atrasos ou têm sérias restrições para serem ativados. Os números foram apresentados pelo executivo duran­te o PCH 2012, evento promovido pela Viex Americas, entre 20 e 21 de março último, em São Paulo. O encontro fez uma espécie de balan­ço do setor e trouxe à tona um fato: o segmento precisa de uma agenda positiva. E rapidamente.

    Savóia avalia, por exemplo, que a atual expansão da geração mostra um quadro desfavorável para as pe­quenas centrais hidrelétricas, com a contratação de energia hídrica (gran­des usinas hidrelétricas), dos recentes leilões regulados com venda de energia eólica a preços competitivos, e de uma provável complementari­dade de demanda com acionamento de termelétricas a gás. Os aspectos negativos desse quadro incluem a falta de competitividade das PCHs e a não alavancagem da biomassa como fonte de geração, apesar de esta última estar prevista de forma otimista nas planificações oficiais.

    Petroleo & Energia, Ricardo Savóia, gerente de regulação, tarifas e mercado da consultoria Andrade & Canellas, PCH - Na ponta do lápis, pequenas centrais mostram vantagens

    Ricardo Savóia: panorama é desfavoravel para o futuro das pequenas centrais

    “O mercado de PCHs não tem números. É preciso fazer as contas para mostrar a importância dos empreendimentos”, complementa Leontina Pinto, diretora da Engenho Pesquisa, Desenvolvimento e Consultoria. Na opinião da especialista, os players desse mercado devem se articular para mudar o tom da discussão e provar que as PCHs representam uma alternativa muito mais viável do que o acionamento de usinas térmicas. “Em 2008, quando enfrentamos uma seca severa, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) acionou praticamente todo o sistema térmico brasileiro, a um custo de R$ 2 bilhões”, informa. Para Leontina, as PCHs seriam a opção natural, com a metade do custo, pelo menos.

    Petroleo & Energia, Leontina Pinto, diretora da Engenho Pesquisa, Desenvolvimento e Consultoria, PCH - Na ponta do lápis , pequenas centrais mostram vantagens

    Leontina Pinto: PCHs são mais viáveis economicamente que usinas eólicas

    O exemplo citado por ela mostra a necessidade de turbinar o discurso dos agentes envolvidos com a construção e operação das PCHs, acrescentando, por exemplo, o quesito qualidade ao parâmetro modicidade no caso dos leilões para o mercado regulado de energia. “Eles devem manter a relação custo/benefício, ou seja, o menor custo, mas com qualidade, o que significa incluir outros requisitos de cálculos, como a consideração de que as pequenas usinas estão mais próximas dos centros de demanda”, argumenta. “Com as fontes de geração cada vez mais distantes dos centros consumidores, a segurança no fornecimento torna-se fundamental e o ONS está atento a isso”, completa.

    O reposicionamento das PCHs não se limita aos leilões regulados. No mercado livre, ela vê a possibilidade de arranjos que favoreçam o setor. É o caso dos clientes do tipo A4, consumidores de menor demanda, mas que podem reduzir o seu custo de energia em 25% comprando de pequenas centrais hidrelétricas, em relação ao que pagam para as distribuidoras atuais.

    Essa mudança, no entanto, tem alguns entraves: primeiro, o custo de conversão para as PCHs exige a instalação de medidores específicos, cuja adoção, em média, custa R$ 50 mil. Adicionalmente, os clientes que fazem essa conversão podem voltar para os braços das distribuidoras tradicionais, precisando apenas que comuniquem com seis meses de antecedência a PCH de sua escolha. Com isso, os empreendimentos desse tipo não têm a garantia de um mercado cativo, como acontece no mercado regulado. Sem a garantia, o financiamento pelo BNDES deixa de ser viável.


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