Petróleo e Energia

Bombas – Aumenta a disputa pelas encomendas de óleo e gás

Antonio Carlos Santomauro
26 de fevereiro de 2012
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    Segundo ele, este ano deverá ser mais favorável aos negócios da indústria de bombas do que foi 2011, quando a Omel sequer conseguiu repetir o resultado obtido no ano anterior. Mas, por enquanto, os sinais de melhoria nos negócios percebidos por Vallo não provêm da indústria do petróleo, e sim de setores como a mineração, papel e celulose e indústrias química e petroquímica.

    Mas também a indústria petrolífera, crê o profissional da Omel, deve este ano ampliar suas encomendas, favorecidas pela chegada da nova presidente da Petrobras. “No ano passado, a Petrobras praticamente não comprou nada: ela anuncia vários investimentos, que não sei por que são sempre adiados”, lamentou Vallo.

    Equipamentos maiores– Anúncios de investimentos bastante significativos, porém continuamente postergados – não apenas por parte da Petrobras, mas mesmo de outros setores –, são observados também por Jorcelino Diniz, da Flowserve. Tais anúncios, ele acrescenta, atraem ainda mais fabricantes de bombas para o mercado local e aprofundam a sua já acirrada competitividade.

    Petroleo & Energia, Jorcelino Diniz: US$ 50 milhões para triplicar capacidade no RJ , Bombas - Aumenta a disputa pelas encomendas de óleo e gás

    Jorcelino Diniz: US$ 50 milhões para triplicar capacidade no RJ

    Além disso, acrescenta Diniz, exige- se conteúdo nacional de seus fornecedores. A Petrobras – responsável por 80% dos negócios realizados no ano passado pela Flowserve – também requer dos epecistas prioridade para os integrantes de sua vendor list (lista de fornecedores pré-qualificados pela empresa). Mas os epecistas, ele ressalva, preocupam-se muito com os preços e eventualmente solicitam à Petrobras permissão para recorrer a nomes que não constam dessa lista.

    Por enquanto, disse Diniz, as encomendas geradas pelos epecistas ainda são atendidas por empresas instaladas no Brasil: “Mas, para atender a essa demanda, esses fornecedores precisam sacrificar muito suas margens.”

    Em relação a 2010, afirma Diniz, no ano passado a Flowserve registrou um incremento de negócios de aproximadamente 10%. “Este ano, devemos crescer algo entre 15% e 20%”, prevê.

    Na KSB, a perspectiva para este ano é de um incremento de faturamento situado na faixa entre 5% e 10%. “No ano passado, houve um crescimento moderado no mercado: talvez uns 5% no geral, e até uns 8% em alguns segmentos, como química e petroquímica”, destaca Moldes.

    Este ano, a KSB foi acionada para projetos importantes em áreas como indústria química e papel e celulose. Mas no setor do saneamento, tanto no tratamento de água quanto no de esgoto, os investimentos estão ainda “muito abaixo do planejado”. De acordo com Moldes, “os órgãos federais, estaduais e municipais têm planos para o saneamento, mas a implantação dos projetos tem ainda escala muito pequena. E o Brasil precisa investir nessa área, na qual está muito distante não apenas dos países desenvolvidos, mas também de alguns emergentes”.

    O presidente da KSB reconhece: a indústria de bombas e a própria KSB, que hoje realiza um terço de seus negócios com a indústria do petróleo, prepararam-se para investimentos maiores por parte da Petrobras. “Mesmo assim, no ano passado, já houve um investimento importante na área do refino, e este ano deve haver bom volume de recursos em produção de petróleo”, comenta. “E agora os recursos não virão apenas da Petrobras, mas também dos novos investidores desse mercado: caso da OGX, com quem já participamos de alguns projetos.”

    Atualmente, observa Moldes, é crescente a demanda por bombas capazes de trabalhar com números de pressão ou de vazão, sempre maiores. A própria KSB, pensando no pré-sal, já testa bombas capazes de suportar pressões de até 400 Bar, mesmo sendo ainda pouco comuns as situações nas quais é preciso utilizar equipamentos para pressões de 200 Bar. “Essas novas necessidades alteram os projetos em vários aspectos: espessuras de paredes, resistência de materiais, selagem e vedação, entre outros. É uma tecnologia muito mais sofisticada, não existente no mundo, na qual a Petrobras será absolutamente pioneira”, ele destaca.

    Mesmo antes de chegar ao pré-sal, mas na própria atividade de refino, a Petrobras já requer da KSB bombas com desempenho elevado – ainda neste primeiro semestre, a empresa entregará onze bombas para a torre de refrigeração da Rnest (Refinaria do Nordeste), projetadas para vazões bastante significativas. “Elas têm diâmetro de saída de 800 mm”, explica Biagio Pugliese, diretor comercial e de marketing da KSB. “Para a unidade de hidrocraqueamento do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), forneceremos um equipamento especial de alta pressão de descarga: 206 Kgf/cm2, equivalente a uma pressão superior a 2 mil metros de coluna de água”, complementa Pugliese.

    Petroleo & Energia, Moldes (esq.) e Pugliese mostram bomba para petróleo, Bombas - Aumenta a disputa pelas encomendas de óleo e gás

    Moldes (esq.) e Pugliese mostram bomba para petróleo

    PRODUÇÃO LOCAL SOFRE COM CÂMBIO DEFASADO

    As dificuldades hoje enfrentadas no mercado externo pelos produtores de bombas instalados no Brasil parecem tornar a cada dia mais relevante, no âmbito da inserção dessa indústria no mercado global, as transações intercompany, nas quais plantas instaladas em algum país exportam para as matrizes das respectivas empresas, ou para operações mantidas por elas em outros mercados.

    Com essa modalidade comercial uma transnacional pode, por exemplo, beneficiar-se da especialização de uma filial em determinado tipo de bomba. Além disso, lembra Silvio Beneduzzi, da Netzsch, “contando com um projeto global, as bombas fabricadas tanto na Europa como na Ásia e no Brasil têm a mesma construção e o mesmo número de identificação; isso facilita os projetos adquiridos em uma região, mas com destino final em outra”.

    E hoje, afirma Beneduzzi, embora as condições competitivas do Brasil na disputa do mercado internacional não sejam muito favoráveis, a situação já é um pouco melhor, comparativamente àquela vigente há não muito tempo, quando o real estava ainda mais valorizado (em relação ao dólar). “Com o dólar valendo algo como R$ 1,75 ou R$ 1,80, também no quesito preço voltamos a ter boa competitividade internacional”, ele diz. “E, em razão da padronização de produto, qualquer componente Netzsch pode ser adquirido em qualquer lugar do mundo com a mesma qualidade.

    Apostando nesse potencial exportador, este ano a Netzsch inaugurará um novo centro de distribuição nas Américas (mercado atendido pela operação brasileira). Ele será instalado no Peru e se integrará a um conjunto já composto por centros de distribuição localizados nos Estados Unidos, Canadá, México e Argentina.

    Para Biagio Pugliese, da KSB, embora a competitividade internacional da indústria brasileira de bombas esteja ainda bastante comprometida, surgem algumas oportunidades de exportação e elas não estão restritas à modalidade intercompany: “Recentemente, comercializamos bombas para uma empresa da Coreia do Sul, que as instalará em uma planta química em Cingapura”, exemplificou.

    Mas, se são ainda possíveis, as exportações de bombas constituem hoje operações de “alto risco”, como avaliou Moldes. “As margens precisam ser muito apertadas e qualquer imprevisto faz a operação entrar no vermelho”, comentou. A KSB, conta Moldes, tradicionalmente exportava algo entre 15% e 20% de sua produção. “Hoje, suamos para manter esse índice ao menos nos 15%.”

    Além de maiores dificuldades na exportação, a indústria brasileira de bombas precisa hoje enfrentar a crescente concorrência da importação. “Com a crise em seus países de origem, os europeus tentam colocar sua produção nas nações emergentes e a indústria brasileira nada pode fazer, pois enfrenta um conjunto de fatores que mina sua competitividade internacional”, queixa-se Corrado Vallo, da Omel.

    Petroleo & Energia, Corrado Vallo, vice-presidente do Conselho de Administração da Omel, Bombas - Aumenta a disputa pelas encomendas de óleo e gás

    Corrado Vallo: produção europeia desembarca no Brasil

    Segundo ele, bombas feitas na Europa chegam aqui com preços entre 25% e 35% inferiores aos das bombas produzidas no Brasil. “E, no caso das bombas chinesas, não dá sequer para pensar em comparar preços”, acrescentou.

    Por enquanto, ressalta Vallo, a concorrência dessas bombas chinesas se limita ao segmento dos equipamentos menores e seriados, voltados, por exemplo, para uso doméstico e para trabalhos mais simples com água. Não chegou ainda ao mercado das bombas industriais e ao das aplicações especiais, nos quais os elevados requisitos de qualidade devem ser combinados a itens como serviços, assistência e reposição de peças. A Petrobras, ele especifica, ainda não aceita bombas chinesas. “Mas quem sabe como será daqui a cinco ou dez anos? Afinal, a Petrobras já compra plataformas fabricadas na China”, indagou Vallo.

    Preocupada com o crescimento das importações, a Câmara Setorial de Bombas e Motobombas (CSBM) da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) desenvolve um processo destinado a tornar não automáticas as licenças de importação de bombas centrífugas de vazão inferior ou igual a 300 litros por minuto.

    Simultaneamente, trabalha para incluir bombas no PBE (Programa Brasileiro de Etiquetagem), coordenado pelo Inmetro e destinado a promover a conservação de energia pela afixação de etiquetagem informativa sobre a eficiência energética de aparelhos e equipamentos. “O PBE favorece o fabricante nacional, configurando uma barreira técnica contra as importações de equipamentos”, defende Nelson Reginato, presidente da CSBM da Abimaq.



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