Bombas – Aumenta a disputa pelas encomendas de óleo e gás

 

Petroleo & Energia, Montagem de bombas centrífugas da KSB, em Várzea Paulista, Bombas - Aumenta a disputa pelas encomendas de óleo e gás
Montagem de bombas centrífugas da KSB, em Várzea Paulista

Não há exatamente um boom na demanda nacional por bombas industriais, e também não existe, entre os produtores desses equipamentos, nenhum entusiasmo com os resultados das exportações, ainda muito prejudicadas pelos poderosos obstáculos da defasagem cambial do real e do custo Brasil. Porém, combinando uma situação econômica menos favorável nos países desenvolvidos com os grandes anúncios de investimentos – notadamente na exploração do famoso pré-sal –, o Brasil se coloca hoje como destino de parte significativa dos investimentos dos grandes fabricantes multinacionais de bombas, tanto daqueles aqui já instalados quanto de outros só agora mais atentos a esse mercado.

A austríaca Andritz Hydro, com presença marcante no mercado nacional de energia, projeta a construção de uma fábrica no Brasil para esses equipamentos, e já cuida da obtenção dos recursos necessários a esse empreendimento nos órgãos oficiais de financiamento.

Em meados deste ano, começa a operar a primeira fábrica brasileira da alemã Ruhrpumpen, originalmente parte do grupo ThyssenKrupp, mas hoje controlada por um grupo de capital mexicano. Mesmo antes de inaugurar a nova planta, essa empresa já produz no Brasil, com supervisão, ajuste e montagem com pessoal próprio, porém a partir de uma unidade terceirizada localizada no interior paulista. Os equipamentos ali fabricados, salienta Carlos Falconiery, diretor-geral da Ruhrpumpen no Brasil, destinam-se a projetos de saneamento na Argentina e de energia no Equador, e no Brasil atenderão empresas como MetrôRio, Siemens e consórcios focados na Petrobras.

Petroleo & Energia, Carlos Falconiery, diretor-geral da Ruhrpumpen no Brasil, Bombas - Aumenta a disputa pelas encomendas de óleo e gás
Carlos Falconiery: nova fábrica para atuar além de agua e energia

A Ruhrpumpen opera plantas produtivas em países como Alemanha, México, Estados Unidos, Argentina e Egito; e, de acordo com Falconiery, a primeira fase da sua fábrica brasileira – uma segunda deve entrar em operação no próximo ano – empregará cerca de cem pessoas, e exigirá investimentos de US$ 20 milhões.

A nova fábrica está sendo construída no município fluminense de Duque de Caxias; não por acaso, um dos principais polos de operação da indústria petrolífera brasileira. Mas a operação da Ruhrpumpen não focará apenas a indústria do petróleo: “Temos uma linha completa de bombas, e pretendemos aqui atuar em todos os mercados nos quais temos presença internacional: bombas para processos, em especial nos relacionados a hidrocarbonetos, saneamento, grandes bombas para o setor de energia e infraestrutura”, detalha Falconiery. “Em algo entre quatro e cinco anos, pretendemos faturar no Brasil aproximadamente US$ 50 milhões por ano”, ele acrescenta.

A chegada de novos concorrentes é acompanhada por investimentos para fortalecer a presença de quem já atua no mercado nacional. É o caso da KSB, de origem alemã, que, em meados deste ano, começa a construir em Jundiaí-SP, no mesmo terreno onde ergue uma fábrica de válvulas, uma unidade adicional de produção de bombas. “Ela deve ser inaugurada em meados de 2013, e ampliará nossa capacidade de produção em aproximadamente 30%”, informa Carmelo Fernandez Moldes, presidente da KSB no Brasil.

Aqui, a presença da KSB no mercado de bombas inclui as fábricas das cidades paulistas de Várzea Paulista e Vinhedo, dedicadas, respectivamente, aos equipamentos engenheirados e aos modelos standard, além da fundição instalada em Americana-SP. Com essas unidades de produção, atende diversos setores de atividade, como petróleo, indústria (química e petroquímica inclusive), saneamento, papel e celulose, mineração, entre outros. “Computando os recursos destinados à nova fábrica de Jundiaí, temos investido no Brasil a média de US$ 10 milhões por ano”, destaca Moldes.

Linhas ampliadas – No Rio de Janeiro, deverá ser inaugurada em junho uma fábrica adicional da Flowserve que, nessa mesma cidade, há várias décadas, produz uma diversificada linha de bombas industriais. A nova planta, afirma Jorcelino Diniz, diretor comercial da empresa, resultará de investimentos de aproximadamente US$ 50 milhões. “E terá capacidade de produção três vezes superior à atual”, ressaltou.

Petroleo & Energia, Bomba de lóbulos compacta amplia o portfólio da Netzsch, Bombas - Aumenta a disputa pelas encomendas de óleo e gás
Bomba de lóbulos compacta amplia o portfólio da Netzsch

A atual fábrica de bombas da Flowserve será desativada, e a nova planta focará o segmento dos produtos designados internamente na empresa como engenheirados, destinados principalmente à Petrobras e ao setor de saneamento. “A produção de bombas voltadas ao mercado industrial, no qual enfatizaremos nossa marca Durco, será transferida para nossa unidade de São Caetano do Sul-SP, onde fabricamos válvulas e selos mecânicos”, acrescentou Diniz.

A brasileira Omel, diz Corrado Vallo, vice-presidente do Conselho de Administração, no ano passado, alocou cerca de US$ 4 milhões na atualização de seus equipamentos, e destinou mais US$ 1,5 milhão a áreas como pesquisa e desenvolvimento. Seus investimentos devem continuar este ano: “Precisaremos ampliar nossa equipe com pelo menos mais dois engenheiros – temos quatro –, e mais uns quatro ou cinco desenhistas”, detalhou Vallo.

A Grundfos, de origem dinamarquesa, inaugurou em janeiro, em Recife-PE, um centro de distribuição dedicado especificamente às regiões norte e nordeste do país. Inicialmente, afirma a coordenadora de marketing Viviane Lorenzetti, essa unidade focará principalmente o segmento das bombas domésticas, comercializadas via revendedores.

Mas a Grundfos, cujo portfólio inclui bombas industriais, investirá ainda em ações de qualificação dos profissionais que lidam com os vários modelos de seus produtos: relançará a Academia Grundfos, localizada em São Bernardo do Campo-SP, para oferecer neste ano, sempre gratuitamente, mais de quarenta ações de treinamento, em áreas como aplicações, soluções e manutenção de bombas. “Esperamos a participação de aproximadamente seiscentos profissionais nessas ações”, estima Viviane.

Horizonte mais promissor – Esses vários investimentos dos produtores de bombas ocorrem em uma conjuntura mais favorável, em relação à do ano passado. Mas, considerandose as expectativas geradas por anúncios anteriores de investimentos em áreas como a indústria petrolífera e a de saneamento, tais perspectivas parecem ser apresentadas de maneira bastante cautelosa.

A Netzsch, cuja capacidade produtiva já havia sido ampliada em 30% no decorrer de 2010, trabalha este ano com uma projeção de incremento de negócios de aproximadamente 10%. “Após uma certa estagnação em 2009 e em 2010, decorrente da crise internacional, o mercado registrou alguma elevação no ano passado e nós crescemos cerca de 5%”, avaliou Silvio Beneduzzi, diretor-geral da unidade de fabricação de bombas da Netzsch.

Petroleo & Energia, Silvio Beneduzzi, Bombas - Aumenta a disputa pelas encomendas de óleo e gás
Silvio Beneduzzi: produção local manteve a competitividade

Ele prevê para 2012 um crescimento mais consistente, impulsionado principalmente pela indústria do petróleo. E esse impulso não virá apenas da principal empresa desse setor: “A demanda de equipamentos para exploração offshore – para a qual fornecemos bombas de fuso – não vem apenas da Petrobras, mas também de outros grupos, como OGX e Sete Brasil”, relatou Beneduzzi.

Já o setor de saneamento mantém seus investimentos, se não em grandes projetos, ao menos em quantidade significativa de ações menores. Para esse mercado, a Netzsch está agora lançando no mercado nacional as chamadas ‘bombas de lóbulos’, fabricadas na Alemanha desde 2001, mas agora produzidas também aqui. “Essas bombas complementam nossa oferta de bombas helicoidais, pois são mais compactas, e assim mais adequadas a projetos nos quais há problemas de espaço, além de poder trabalhar com vazões maiores (até mil m3/h)”, detalhou Beneduzzi.

Na Omel, as novidades incluem uma bomba com acoplamento magnético, que reduz enormemente a possibilidade de vazamentos, pois o líquido bombeado fica contido em uma espécie de caneca. É, portanto, indicada para o trabalho com produtos tóxicos, cancerígenos e/ou inflamáveis, e já foi comercializada para clientes como Petrobras, Braskem e Bayer. “Antes, esse modelo de bomba não era fabricado no Brasil”, afirma Vallo.

A Omel também ampliou sua linha de bombas centrífugas para óleo e gás, contando agora com um modelo com fluxo axial, desenvolvido para a Petrobras, adequado para bombear grandes volumes de líquidos em alturas manométricas menores. E está ingressando no segmento das bombas de múltiplo estágio: vários impelidores montados em um mesmo rotor, com função similar à de várias bombas ligadas em série, nas quais a descarga de uma é realizada na sucção da seguinte. “Já colocamos duas bombas com dois estágios na refinaria de Manguinhos e profissionais da Petrobras virão aqui acompanhar testes desse tipo de equipamento para podermos receber a certificação dessa empresa”, diz Vallo.

Segundo ele, este ano deverá ser mais favorável aos negócios da indústria de bombas do que foi 2011, quando a Omel sequer conseguiu repetir o resultado obtido no ano anterior. Mas, por enquanto, os sinais de melhoria nos negócios percebidos por Vallo não provêm da indústria do petróleo, e sim de setores como a mineração, papel e celulose e indústrias química e petroquímica.

Mas também a indústria petrolífera, crê o profissional da Omel, deve este ano ampliar suas encomendas, favorecidas pela chegada da nova presidente da Petrobras. “No ano passado, a Petrobras praticamente não comprou nada: ela anuncia vários investimentos, que não sei por que são sempre adiados”, lamentou Vallo.

Equipamentos maiores– Anúncios de investimentos bastante significativos, porém continuamente postergados – não apenas por parte da Petrobras, mas mesmo de outros setores –, são observados também por Jorcelino Diniz, da Flowserve. Tais anúncios, ele acrescenta, atraem ainda mais fabricantes de bombas para o mercado local e aprofundam a sua já acirrada competitividade.

Petroleo & Energia, Jorcelino Diniz: US$ 50 milhões para triplicar capacidade no RJ , Bombas - Aumenta a disputa pelas encomendas de óleo e gás
Jorcelino Diniz: US$ 50 milhões para triplicar capacidade no RJ

Além disso, acrescenta Diniz, exige- se conteúdo nacional de seus fornecedores. A Petrobras – responsável por 80% dos negócios realizados no ano passado pela Flowserve – também requer dos epecistas prioridade para os integrantes de sua vendor list (lista de fornecedores pré-qualificados pela empresa). Mas os epecistas, ele ressalva, preocupam-se muito com os preços e eventualmente solicitam à Petrobras permissão para recorrer a nomes que não constam dessa lista.

Por enquanto, disse Diniz, as encomendas geradas pelos epecistas ainda são atendidas por empresas instaladas no Brasil: “Mas, para atender a essa demanda, esses fornecedores precisam sacrificar muito suas margens.”

Em relação a 2010, afirma Diniz, no ano passado a Flowserve registrou um incremento de negócios de aproximadamente 10%. “Este ano, devemos crescer algo entre 15% e 20%”, prevê.

Na KSB, a perspectiva para este ano é de um incremento de faturamento situado na faixa entre 5% e 10%. “No ano passado, houve um crescimento moderado no mercado: talvez uns 5% no geral, e até uns 8% em alguns segmentos, como química e petroquímica”, destaca Moldes.

Este ano, a KSB foi acionada para projetos importantes em áreas como indústria química e papel e celulose. Mas no setor do saneamento, tanto no tratamento de água quanto no de esgoto, os investimentos estão ainda “muito abaixo do planejado”. De acordo com Moldes, “os órgãos federais, estaduais e municipais têm planos para o saneamento, mas a implantação dos projetos tem ainda escala muito pequena. E o Brasil precisa investir nessa área, na qual está muito distante não apenas dos países desenvolvidos, mas também de alguns emergentes”.

O presidente da KSB reconhece: a indústria de bombas e a própria KSB, que hoje realiza um terço de seus negócios com a indústria do petróleo, prepararam-se para investimentos maiores por parte da Petrobras. “Mesmo assim, no ano passado, já houve um investimento importante na área do refino, e este ano deve haver bom volume de recursos em produção de petróleo”, comenta. “E agora os recursos não virão apenas da Petrobras, mas também dos novos investidores desse mercado: caso da OGX, com quem já participamos de alguns projetos.”

Atualmente, observa Moldes, é crescente a demanda por bombas capazes de trabalhar com números de pressão ou de vazão, sempre maiores. A própria KSB, pensando no pré-sal, já testa bombas capazes de suportar pressões de até 400 Bar, mesmo sendo ainda pouco comuns as situações nas quais é preciso utilizar equipamentos para pressões de 200 Bar. “Essas novas necessidades alteram os projetos em vários aspectos: espessuras de paredes, resistência de materiais, selagem e vedação, entre outros. É uma tecnologia muito mais sofisticada, não existente no mundo, na qual a Petrobras será absolutamente pioneira”, ele destaca.

Mesmo antes de chegar ao pré-sal, mas na própria atividade de refino, a Petrobras já requer da KSB bombas com desempenho elevado – ainda neste primeiro semestre, a empresa entregará onze bombas para a torre de refrigeração da Rnest (Refinaria do Nordeste), projetadas para vazões bastante significativas. “Elas têm diâmetro de saída de 800 mm”, explica Biagio Pugliese, diretor comercial e de marketing da KSB. “Para a unidade de hidrocraqueamento do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), forneceremos um equipamento especial de alta pressão de descarga: 206 Kgf/cm2, equivalente a uma pressão superior a 2 mil metros de coluna de água”, complementa Pugliese.

Petroleo & Energia, Moldes (esq.) e Pugliese mostram bomba para petróleo, Bombas - Aumenta a disputa pelas encomendas de óleo e gás
Moldes (esq.) e Pugliese mostram bomba para petróleo

PRODUÇÃO LOCAL SOFRE COM CÂMBIO DEFASADO

As dificuldades hoje enfrentadas no mercado externo pelos produtores de bombas instalados no Brasil parecem tornar a cada dia mais relevante, no âmbito da inserção dessa indústria no mercado global, as transações intercompany, nas quais plantas instaladas em algum país exportam para as matrizes das respectivas empresas, ou para operações mantidas por elas em outros mercados.

Com essa modalidade comercial uma transnacional pode, por exemplo, beneficiar-se da especialização de uma filial em determinado tipo de bomba. Além disso, lembra Silvio Beneduzzi, da Netzsch, “contando com um projeto global, as bombas fabricadas tanto na Europa como na Ásia e no Brasil têm a mesma construção e o mesmo número de identificação; isso facilita os projetos adquiridos em uma região, mas com destino final em outra”.

E hoje, afirma Beneduzzi, embora as condições competitivas do Brasil na disputa do mercado internacional não sejam muito favoráveis, a situação já é um pouco melhor, comparativamente àquela vigente há não muito tempo, quando o real estava ainda mais valorizado (em relação ao dólar). “Com o dólar valendo algo como R$ 1,75 ou R$ 1,80, também no quesito preço voltamos a ter boa competitividade internacional”, ele diz. “E, em razão da padronização de produto, qualquer componente Netzsch pode ser adquirido em qualquer lugar do mundo com a mesma qualidade.

Apostando nesse potencial exportador, este ano a Netzsch inaugurará um novo centro de distribuição nas Américas (mercado atendido pela operação brasileira). Ele será instalado no Peru e se integrará a um conjunto já composto por centros de distribuição localizados nos Estados Unidos, Canadá, México e Argentina.

Para Biagio Pugliese, da KSB, embora a competitividade internacional da indústria brasileira de bombas esteja ainda bastante comprometida, surgem algumas oportunidades de exportação e elas não estão restritas à modalidade intercompany: “Recentemente, comercializamos bombas para uma empresa da Coreia do Sul, que as instalará em uma planta química em Cingapura”, exemplificou.

Mas, se são ainda possíveis, as exportações de bombas constituem hoje operações de “alto risco”, como avaliou Moldes. “As margens precisam ser muito apertadas e qualquer imprevisto faz a operação entrar no vermelho”, comentou. A KSB, conta Moldes, tradicionalmente exportava algo entre 15% e 20% de sua produção. “Hoje, suamos para manter esse índice ao menos nos 15%.”

Além de maiores dificuldades na exportação, a indústria brasileira de bombas precisa hoje enfrentar a crescente concorrência da importação. “Com a crise em seus países de origem, os europeus tentam colocar sua produção nas nações emergentes e a indústria brasileira nada pode fazer, pois enfrenta um conjunto de fatores que mina sua competitividade internacional”, queixa-se Corrado Vallo, da Omel.

Petroleo & Energia, Corrado Vallo, vice-presidente do Conselho de Administração da Omel, Bombas - Aumenta a disputa pelas encomendas de óleo e gás
Corrado Vallo: produção europeia desembarca no Brasil

Segundo ele, bombas feitas na Europa chegam aqui com preços entre 25% e 35% inferiores aos das bombas produzidas no Brasil. “E, no caso das bombas chinesas, não dá sequer para pensar em comparar preços”, acrescentou.

Por enquanto, ressalta Vallo, a concorrência dessas bombas chinesas se limita ao segmento dos equipamentos menores e seriados, voltados, por exemplo, para uso doméstico e para trabalhos mais simples com água. Não chegou ainda ao mercado das bombas industriais e ao das aplicações especiais, nos quais os elevados requisitos de qualidade devem ser combinados a itens como serviços, assistência e reposição de peças. A Petrobras, ele especifica, ainda não aceita bombas chinesas. “Mas quem sabe como será daqui a cinco ou dez anos? Afinal, a Petrobras já compra plataformas fabricadas na China”, indagou Vallo.

Preocupada com o crescimento das importações, a Câmara Setorial de Bombas e Motobombas (CSBM) da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) desenvolve um processo destinado a tornar não automáticas as licenças de importação de bombas centrífugas de vazão inferior ou igual a 300 litros por minuto.

Simultaneamente, trabalha para incluir bombas no PBE (Programa Brasileiro de Etiquetagem), coordenado pelo Inmetro e destinado a promover a conservação de energia pela afixação de etiquetagem informativa sobre a eficiência energética de aparelhos e equipamentos. “O PBE favorece o fabricante nacional, configurando uma barreira técnica contra as importações de equipamentos”, defende Nelson Reginato, presidente da CSBM da Abimaq.

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ENERGIA CARA PEDE MELHOR CONTROLE

Pelas estimativas de André Luis Garrido, responsável pela área de produtos da Grundfos, aproximadamente um quarto de todos os motores elétricos existentes no mundo estão ligados a bombas. Eles consomem cerca de 10% da energia elétrica total. É hoje perfeitamente possível otimizar esse consumo, reduzindo o índice de participação dos motores das bombas no uso total de energia para a casa dos 6%, como explicou.

Mas essa otimização deve considerar todo um conjunto, composto pelas próprias bombas, pelo correto dimensionamento dos invólucros que as protegem, pelos motores com os quais elas se movimentam e pelos sistemas de automação e controle. As bombas, ele detalhou, estão já próximas ao limite de sua evolução, mas mesmo assim é possível conseguir avanços, por exemplo, com detalhes como a solda dos rotores a laser, em substituição à solda por pontos. “Com as soldas a laser é possível reduzir em algo entre 1% e 2% o consumo de energia”, destaca o profissional da Grundfos (empresa que, no segmento industrial, tem entre os itens mais fortes de seu portfólio bombas multiestágio verticais em linha, usadas em sistemas de pressurização, em lavagem e limpeza, e em alguns sistemas de indústrias químicas e bebidas, entre outros).

O motor, prossegue Garrido, é também fundamental para a eficiência do conjunto. A empresa produz motores desenvolvidos especificamente para bombas, com potência até 22 kW. “Esses motores já atendem às normas da EUP (Energy Using Products, diretiva para motores elétricos na Europa), que serão obrigatórias a partir de 2017”, acrescentou o profissional da Grundfos.

E, ainda de acordo com Garrido, sistemas de controle e monitoramento permitem reduzir ainda mais o consumo de energia. Recentemente, a Grundfos começou a trazer para o Brasil sistemas desse gênero específicos para bombas. “Temos, por exemplo, um sistema de gerenciamento remoto com o qual é possível, via web, obter informações sobre percentuais de operação e possíveis problemas, além de controlar remotamente alguns parâmetros”, comentou. “Nosso sistema de pressurização Hydro PMC tem uma interface remota, via ethernet, com a qual é possível realizar qualquer operação feita in loco”, complementa Garrido.

Moldes, da KSB, também vê nos sistemas de automação e controle componentes capazes de ampliar a eficiência energética do uso das bombas, até porque, quando é desenvolvido um projeto de automação de uma estação mais antiga, normalmente há também a troca de alguns conjuntos de bombas e motores por outros mais modernos.

A KSB, afirma Moldes, já disponibiliza diversos produtos destinados à automação de sistemas de bombas. “No Brasil, a demanda por essa tecnologia é ainda bastante pequena, comparativamente a outros mercados”, disse. “Mas também aqui ela começa a ser utilizada, por exemplo, na indústria química, na produção de açúcar e álcool e na mineração, pois nesses setores há intensa demanda de energia para bombeio. E a energia, além de cara, hoje é também escassa”, finalizou. [/box_light]

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