Petróleo e Energia

Bombas – Aumenta a disputa pelas encomendas de óleo e gás

Antonio Carlos Santomauro
26 de fevereiro de 2012
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    Petroleo & Energia, Montagem de bombas centrífugas da KSB, em Várzea Paulista, Bombas - Aumenta a disputa pelas encomendas de óleo e gás

    Montagem de bombas centrífugas da KSB, em Várzea Paulista

    Não há exatamente um boom na demanda nacional por bombas industriais, e também não existe, entre os produtores desses equipamentos, nenhum entusiasmo com os resultados das exportações, ainda muito prejudicadas pelos poderosos obstáculos da defasagem cambial do real e do custo Brasil. Porém, combinando uma situação econômica menos favorável nos países desenvolvidos com os grandes anúncios de investimentos – notadamente na exploração do famoso pré-sal –, o Brasil se coloca hoje como destino de parte significativa dos investimentos dos grandes fabricantes multinacionais de bombas, tanto daqueles aqui já instalados quanto de outros só agora mais atentos a esse mercado.

    A austríaca Andritz Hydro, com presença marcante no mercado nacional de energia, projeta a construção de uma fábrica no Brasil para esses equipamentos, e já cuida da obtenção dos recursos necessários a esse empreendimento nos órgãos oficiais de financiamento.

    Em meados deste ano, começa a operar a primeira fábrica brasileira da alemã Ruhrpumpen, originalmente parte do grupo ThyssenKrupp, mas hoje controlada por um grupo de capital mexicano. Mesmo antes de inaugurar a nova planta, essa empresa já produz no Brasil, com supervisão, ajuste e montagem com pessoal próprio, porém a partir de uma unidade terceirizada localizada no interior paulista. Os equipamentos ali fabricados, salienta Carlos Falconiery, diretor-geral da Ruhrpumpen no Brasil, destinam-se a projetos de saneamento na Argentina e de energia no Equador, e no Brasil atenderão empresas como MetrôRio, Siemens e consórcios focados na Petrobras.

    Petroleo & Energia, Carlos Falconiery, diretor-geral da Ruhrpumpen no Brasil, Bombas - Aumenta a disputa pelas encomendas de óleo e gás

    Carlos Falconiery: nova fábrica para atuar além de agua e energia

    A Ruhrpumpen opera plantas produtivas em países como Alemanha, México, Estados Unidos, Argentina e Egito; e, de acordo com Falconiery, a primeira fase da sua fábrica brasileira – uma segunda deve entrar em operação no próximo ano – empregará cerca de cem pessoas, e exigirá investimentos de US$ 20 milhões.

    A nova fábrica está sendo construída no município fluminense de Duque de Caxias; não por acaso, um dos principais polos de operação da indústria petrolífera brasileira. Mas a operação da Ruhrpumpen não focará apenas a indústria do petróleo: “Temos uma linha completa de bombas, e pretendemos aqui atuar em todos os mercados nos quais temos presença internacional: bombas para processos, em especial nos relacionados a hidrocarbonetos, saneamento, grandes bombas para o setor de energia e infraestrutura”, detalha Falconiery. “Em algo entre quatro e cinco anos, pretendemos faturar no Brasil aproximadamente US$ 50 milhões por ano”, ele acrescenta.

    A chegada de novos concorrentes é acompanhada por investimentos para fortalecer a presença de quem já atua no mercado nacional. É o caso da KSB, de origem alemã, que, em meados deste ano, começa a construir em Jundiaí-SP, no mesmo terreno onde ergue uma fábrica de válvulas, uma unidade adicional de produção de bombas. “Ela deve ser inaugurada em meados de 2013, e ampliará nossa capacidade de produção em aproximadamente 30%”, informa Carmelo Fernandez Moldes, presidente da KSB no Brasil.

    Aqui, a presença da KSB no mercado de bombas inclui as fábricas das cidades paulistas de Várzea Paulista e Vinhedo, dedicadas, respectivamente, aos equipamentos engenheirados e aos modelos standard, além da fundição instalada em Americana-SP. Com essas unidades de produção, atende diversos setores de atividade, como petróleo, indústria (química e petroquímica inclusive), saneamento, papel e celulose, mineração, entre outros. “Computando os recursos destinados à nova fábrica de Jundiaí, temos investido no Brasil a média de US$ 10 milhões por ano”, destaca Moldes.

    Linhas ampliadas – No Rio de Janeiro, deverá ser inaugurada em junho uma fábrica adicional da Flowserve que, nessa mesma cidade, há várias décadas, produz uma diversificada linha de bombas industriais. A nova planta, afirma Jorcelino Diniz, diretor comercial da empresa, resultará de investimentos de aproximadamente US$ 50 milhões. “E terá capacidade de produção três vezes superior à atual”, ressaltou.

    Petroleo & Energia, Bomba de lóbulos compacta amplia o portfólio da Netzsch, Bombas - Aumenta a disputa pelas encomendas de óleo e gás

    Bomba de lóbulos compacta amplia o portfólio da Netzsch

    A atual fábrica de bombas da Flowserve será desativada, e a nova planta focará o segmento dos produtos designados internamente na empresa como engenheirados, destinados principalmente à Petrobras e ao setor de saneamento. “A produção de bombas voltadas ao mercado industrial, no qual enfatizaremos nossa marca Durco, será transferida para nossa unidade de São Caetano do Sul-SP, onde fabricamos válvulas e selos mecânicos”, acrescentou Diniz.

    A brasileira Omel, diz Corrado Vallo, vice-presidente do Conselho de Administração, no ano passado, alocou cerca de US$ 4 milhões na atualização de seus equipamentos, e destinou mais US$ 1,5 milhão a áreas como pesquisa e desenvolvimento. Seus investimentos devem continuar este ano: “Precisaremos ampliar nossa equipe com pelo menos mais dois engenheiros – temos quatro –, e mais uns quatro ou cinco desenhistas”, detalhou Vallo.

    A Grundfos, de origem dinamarquesa, inaugurou em janeiro, em Recife-PE, um centro de distribuição dedicado especificamente às regiões norte e nordeste do país. Inicialmente, afirma a coordenadora de marketing Viviane Lorenzetti, essa unidade focará principalmente o segmento das bombas domésticas, comercializadas via revendedores.

    Mas a Grundfos, cujo portfólio inclui bombas industriais, investirá ainda em ações de qualificação dos profissionais que lidam com os vários modelos de seus produtos: relançará a Academia Grundfos, localizada em São Bernardo do Campo-SP, para oferecer neste ano, sempre gratuitamente, mais de quarenta ações de treinamento, em áreas como aplicações, soluções e manutenção de bombas. “Esperamos a participação de aproximadamente seiscentos profissionais nessas ações”, estima Viviane.

    Horizonte mais promissor – Esses vários investimentos dos produtores de bombas ocorrem em uma conjuntura mais favorável, em relação à do ano passado. Mas, considerandose as expectativas geradas por anúncios anteriores de investimentos em áreas como a indústria petrolífera e a de saneamento, tais perspectivas parecem ser apresentadas de maneira bastante cautelosa.

    A Netzsch, cuja capacidade produtiva já havia sido ampliada em 30% no decorrer de 2010, trabalha este ano com uma projeção de incremento de negócios de aproximadamente 10%. “Após uma certa estagnação em 2009 e em 2010, decorrente da crise internacional, o mercado registrou alguma elevação no ano passado e nós crescemos cerca de 5%”, avaliou Silvio Beneduzzi, diretor-geral da unidade de fabricação de bombas da Netzsch.

    Petroleo & Energia, Silvio Beneduzzi, Bombas - Aumenta a disputa pelas encomendas de óleo e gás

    Silvio Beneduzzi: produção local manteve a competitividade

    Ele prevê para 2012 um crescimento mais consistente, impulsionado principalmente pela indústria do petróleo. E esse impulso não virá apenas da principal empresa desse setor: “A demanda de equipamentos para exploração offshore – para a qual fornecemos bombas de fuso – não vem apenas da Petrobras, mas também de outros grupos, como OGX e Sete Brasil”, relatou Beneduzzi.

    Já o setor de saneamento mantém seus investimentos, se não em grandes projetos, ao menos em quantidade significativa de ações menores. Para esse mercado, a Netzsch está agora lançando no mercado nacional as chamadas ‘bombas de lóbulos’, fabricadas na Alemanha desde 2001, mas agora produzidas também aqui. “Essas bombas complementam nossa oferta de bombas helicoidais, pois são mais compactas, e assim mais adequadas a projetos nos quais há problemas de espaço, além de poder trabalhar com vazões maiores (até mil m3/h)”, detalhou Beneduzzi.

    Na Omel, as novidades incluem uma bomba com acoplamento magnético, que reduz enormemente a possibilidade de vazamentos, pois o líquido bombeado fica contido em uma espécie de caneca. É, portanto, indicada para o trabalho com produtos tóxicos, cancerígenos e/ou inflamáveis, e já foi comercializada para clientes como Petrobras, Braskem e Bayer. “Antes, esse modelo de bomba não era fabricado no Brasil”, afirma Vallo.

    A Omel também ampliou sua linha de bombas centrífugas para óleo e gás, contando agora com um modelo com fluxo axial, desenvolvido para a Petrobras, adequado para bombear grandes volumes de líquidos em alturas manométricas menores. E está ingressando no segmento das bombas de múltiplo estágio: vários impelidores montados em um mesmo rotor, com função similar à de várias bombas ligadas em série, nas quais a descarga de uma é realizada na sucção da seguinte. “Já colocamos duas bombas com dois estágios na refinaria de Manguinhos e profissionais da Petrobras virão aqui acompanhar testes desse tipo de equipamento para podermos receber a certificação dessa empresa”, diz Vallo.


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