Logística Offshore – Investimentos crescem para suprir e escoar a produção

Ele cita ainda o Polo de Navipeças, em fase de finalização, e a ampliação do Aeroporto de Cabo Frio, em execução pela Petrobras, assim como o terminal da petroleira no Porto do Rio de Janeiro. “Também estão em andamento as obras do Arco Metropolitano e de adequação de rodovias, assim como demais itens sob responsabilidade do governo do estado no entorno das áreas de concentração produtiva”, pontua.

“A indústria naval está consolidada”, salienta Julio Bueno, lembrando que quatro novos estaleiros estão sendo construídos no estado: da Marinha, da OSX, o Aliança e o Inhaúma. “O Inhaúma, arrendado pela Petrobras, já tem em sua carteira de encomendas os quatro primeiros FPSOs que vão atuar nas áreas de cessão onerosa e serão responsáveis por produzir 600 mil barris por dia.”

São Paulo acelera – O estado de São Paulo, que será um dos principais beneficiados com o desenvolvimento do pré-sal, começa a acelerar os investimentos em infraestrutura para consolidar sua posição no setor de petróleo e gás, no qual nunca teve grande destaque em exploração e produção, mas brilha com o maior parque refinador do país – abriga a maior refinaria nacional, a Replan, em Paulínia-SP, que somente será desbancada quando o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) entrar em operação.

Além da expansão do Porto de Santos, um dos maiores da América Latina, o governo paulista firmou parcerias com a Petrobras e com a cadeia de fornecedores para consolidar essa infraestrutura. E está a caminho de ter a primeira base logística do pré-sal. Em fevereiro, a Secretaria Estadual de Energia, recriada em janeiro de 2011, assinou protocolo de intenções com a Saipem do Brasil, que iniciará a construção de base logística de dutos submarinos no Guarujá-SP, em área próxima da base aérea regional.

A empresa do grupo italiano ENI, com forte presença na Europa, África, Ásia Central, Oriente Médio e Sudeste Asiático, operando com óleo e gás em áreas remotas e águas profundas, tem um histórico de respeito no setor: já perfurou mais de 7.300 poços, instalou 2,3 milhões de estruturas metálicas no mar e lançou 27 mil km de dutos submarinos.

No Brasil há dez anos, vinha concentrando suas atividades no Rio de Janeiro, Vitória-ES, Catu-BA e Mossoró-RN, somando 400 funcionários. Esse número pode duplicar, pois, além da base logística para recebimento, estocagem e expedição de dutos submarinos que a Petrobras vai usar na Bacia de Santos, a Saipem pretende implantar um Centro de Tecnologia e Construção Offshore. O duplo empreendimento vai gerar 950 empregos diretos e quatro mil indiretos.

No total, a empresa pretende investir US$ 300 milhões nesses projetos, uma vez que a base, que ocupará uma área de 350 mil metros quadrados no complexo industrial naval do Guarujá, visa a atender a uma parte dos US$ 1,3 bilhão em contratos que a Saipem possui com a Petrobras, bem como futuros projetos. A previsão é ter tudo pronto até 2014, de olho na demanda aquecida por equipamentos submarinos. Com essa base, que a posiciona como o primeiro grande fornecedor da Petrobras para o pré-sal da Bacia de Santos a ingressar na região, a empresa italiana quer aumentar também o índice de nacionalização de seus produtos.

As novas instalações vão abrigar, logo na primeira etapa de implantação, que pode ser concluída até o final do ano, dois projetos em andamento, ambos para a Petrobras: um duto submarino para o campo de Cernambi, na Bacia de Santos, e o trunk line (duto que conecta a plataforma marítima à costa) de 380 km de extensão e 24 polegadas de diâmetro, ligando o campo de Lula à estação de Cabiúnas, no Rio.

Essa infraestrutura da Saipem de apoio ao pré-sal também se estende a São Sebastião-SP, próximo ao Guarujá: em área alugada perto do local, a empresa vai cuidar de outros empreendimentos da Petrobras, que tem em sua carteira o duto de Guará-Lula, de 18 polegadas e 30 km de extensão, e os risers da plataforma P-55, para o campo de Roncador, na Bacia de Campos.

Rio de Janeiro –“A logística será o grande gargalo dos próximos anos nas atividades offshore de exploração e produção de petróleo”, vaticinou Eduardo Paes Leme, CEO do grupo G-Comex, quando criou a empresa há nove anos com o intuito de aproveitar essa demanda aquecida. A visão do empresário se confirmou e hoje a G-Comex tem uma posição forte no setor, graças à sua infraestrutura de armazenagem e localização privilegiada: tem uma base operacional própria, com 20 mil m², adjacente ao porto do Rio de Janeiro.

Petroleo & Energia, Eduardo Paes Leme, CEO do grupo G-Comex, Logistica Offshore
Eduardo Paes Leme: decisão de investir mais cedo garantiu posição

“Temos mil metros quadrados de área coberta, com área segregada e licenciada para armazenagem de químicos. Contamos com toda infraestrutura, entre a retroárea e o porto. Ou seja, tudo que é necessário para dar o apoio logístico ao setor, desde equipamentos de içamento, guindaste, empilhadeira, até carretas etc.”, observa o empresário, acrescentando: “Oferecemos total apoio portuário, operamos em qualquer porto comercial com infraestrutura própria, atuamos com alto padrão de excelência em QSMS (qualidade, segurança, meio ambiente e saúde), exigência do mercado de óleo e gás.”

Os projetos desenvolvidos são eloquentes: para a Subsea 7, cuidou do carregamento de dois manifolds no navio Skandi Acergy, destinados ao campo de Tambaú, na Bacia de Santos – uma operação que envolveu mais de 300 pessoas – , sendo o operador nomeado para atividades portuárias no Rio de Janeiro.

Para a Petrobras, deu apoio logístico à reforma e manutenção da P-X; e, para a OSX, cuidou de toda a operação logística e portuária, incluindo recebimento, inspeção, armazenagem, guarda e controle dos materiais utilizados no FPSO OSX-1, que já está produzindo na Bacia de Campos. Entre os clientes atendidos estão ainda a Cepemar, Norskan, Baker Huges/ BJ Services, McDermott, Aker Solutions e Perenco.

Com um faturamento de R$ 30 milhões em 2011 e uma projeção de R$ 50 milhões para esse ano, a G-Comex já pensa na expansão. “Temos projeto de abrir bases similares à do Rio na Região Norte ou Nordeste”, diz Paes Leme, lembrando que a empresa tem um backlog de R$ 150 milhões com a Petrobras.

Uma empresa nova no setor, criada para atender aos desafios dessa logística marítima da indústria brasileira de óleo e gás é a Brasco Logística Offshore. “O mercado de apoio logístico está muito demandado e acreditamos que as perspectivas sejam muito positivas”, diz Renata Pereira, diretora da empresa que pertence ao grupo Wilson Sons.

Petroleo & Energia, Renata Pereira, diretora da empresa que pertence ao grupo Wilson Sons, Logística Offshore
Renata Pereira: apoio logístico revela boas perspectivas de negócios

“A Brasco vem investindo muito em tecnologia da informação para dar suporte às operações logísticas, capacitação de pessoal e ampliação da sua infraestrutura, de forma que mantenha a excelência em segurança e operacional”, afirma a executiva, comemorando os bons resultados obtidos em 2011. “As operações na Base de Niterói (que atendem Statoil, Chevron, Anadarko, entre outras), em Salvador (Statoil), em São Luís (Petrobras e OGX) e no Porto do Rio (Petrobras) colaboraram para o bom desempenho do ano passado, quando fomos reconhecidos como excelentes pelo Boletim de Avaliação de Desempenho da estatal”, disse.

Além desse desempenho, a empresa também consolidou alguns marcos, como a atracação do Skandi Salvador em Niterói, um navio de construção submarina de 106 metros de LOA. “A atracação de popa no cais três viabilizará a atracação de dois barcos. E a aplicação de TI de ponta na gestão de materiais e controle de inventário também foi algo inédito na indústria offshore”, afiança Renata Pereira.

Razões pelas quais a empresa também dá passos rumo à expansão de suas atividades, com o início da negociação para aquisição de uma nova base, no Rio de Janeiro, que tem previsão para entrar em operação ainda este ano. A companhia, que tem experiência consolidada em montar bases temporárias onde o cliente precisar, possui hoje uma base em Niterói, na Ilha da Conceição, que compõe o Sistema Niterói junto com a unidade de Guaxindiba. A nova base fluminense será criada com a aquisição da antiga Briclog. Toda essa infraestrutura contará ainda com uma unidade no Caju, que funcionará como retroárea.

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Petroleo & Energia, Helicóptero leva petroleiros para as plataformas, Logística Offshore
Helicóptero leva petroleiros para as plataformas

Transportar milhares de pessoas diariamente para postos de trabalho avançados no mar é o grande desafio das petroleiras com operações offshore em águas profundas. Na costa brasileira, o maior fluxo de passageiros embarcados se concentra no Norte Fluminense.

Com pouco menos que 70 plataformas em operação nessa bacia, somente a Petrobras responde pelo fluxo de algo em torno de 45 mil passageiros por mês. Segundo dados da estatal, no final do ano passado a frota somava 94 helicópteros contratados e o movimento diário era de 150 voos por dia, partindo dos aeroportos da região – Macaé, Campos dos Goytacazes e Cabo Frio.

O aeroporto de Macaé é a maior base de apoio à exploração de petróleo, com a média de 400 mil passageiros ao ano e mais de 60 mil pousos e decolagens de aviões (táxi-aéreo e duas companhias aéreas, Team e Trip). A quase totalidade dessa movimentação está relacionada às atividades petrolíferas.

Depois da modernização do Aeroporto Internacional de Cabo Frio, que hoje dispõe de infraestrutura para recebimento de cargas nacionais e internacionais nos modais aéreo, terrestre e marítimo, além do terminal de passageiros, está programada a construção de novo aeroporto no Farol de São Tomé, na região de Campos.

Para atender as operações da Bacia de Santos, a estatal utiliza os aeroportos de Jacarepaguá, na cidade do Rio de Janeiro, e de Itanhaém-SP. Como as distâncias percorridas são praticamente o dobro da média da Bacia de Campos, não bastam apenas investimentos na infraestrutura. São necessários também helicópteros maiores, tanto em capacidade de passageiros como em autonomia de voo.

O relatório final de atividades da Comissão Especial de Petróleo e Gás Natural (Cespeg), que mobilizou nove grupos de trabalho entre 2008 e 2010, avaliou que a infraestrutura aeroportuária no litoral paulista atendia às demandas da região “quanto ao número de voos e de passageiros registrados nos últimos anos”, destacando os investimentos efetuados em meados da década passada, que somaram R$ 5,5 milhões.

Por conta do incremento das operações de apoio às atividades em áreas de pré-sal, a movimentação de passageiros praticamente quadruplicou, passando de 4.183, em 2006, para 18.210, em 2010, ainda que não houvesse voos regionais, que podem surgir nos próximos anos.

Para atender os empreendimentos dos próximos anos, avaliase que essa infraestrutura aeroportuária paulista possa ser reforçada, uma vez que já dispõe de uma Base Aérea, no Guarujá, que, no momento, atende às demandas da Força Aérea Brasileira. Para isso seria necessária uma reconfiguração da Base Aérea de Santos, para realizar operações aéreas de suporte à exploração e à produção de petróleo.

Há outros dois aeroportos, estaduais, de uso possível: um em Ubatuba (pista com 940 metros de extensão e 30 metros de largura) e outro em Registro (pista com 1.500 metros de extensão e 30 metros de largura). Um quarto aeroporto, privado, poderá ser implantado no município da Praia Grande-SP, com foco no transporte de cargas e passageiros. [/box_light]

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