Logística Offshore – Investimentos crescem para suprir e escoar a produção

Há uma forte demanda por embarcações especiais, como os PLSVs e os MPSVs, para a implantação de diversos projetos programados para os próximos anos. Isso exigirá não apenas mais capacidade produtiva dos estaleiros, mas também a aquisição de projetos, especialmente no exterior, além de contar com instalações adequadas para a manutenção e reparo, com dique seco e equipamentos específicos.

“Faltam diques para realizar reparos e manutenção das embarcações de apoio”, diz Lima, agregando que já estaria sendo preparada uma licitação para esse tipo de embarcação para assegurar que uma parte delas seja construída no Brasil. O que pode motivar o aparelhamento e até mesmo a instalação de estaleiros de diferentes portes.

 

O gargalo da mão de obra – O maior problema, na visão de Ronaldo Lima, não é a construção dessas embarcações, uma vez que o parque produtivo vem se expandindo. “O maior déficit estará na mão de obra, principalmente de oficiais de marinha mercante: comandante e chefe de máquinas”, comentou. De acordo com dados da Abeam, o setor de apoio marítimo emprega, atualmente, 14 mil marítimos, dos quais cerca de quatro mil são oficiais de máquinas e náutica embarcados nos navios de apoio, plataformas e navios-sonda.

A Marinha, por meio da Diretoria de Portos e Costa (DPC), coordena as Escolas de Formação de Oficiais da Marinha Mercante (EFOMM), mas não consegue abrir vagas com a mesma velocidade que o mercado vem demandando esses oficiais. No Brasil, há dois núcleos de formação de oficiais: o Centro de Instrução Almirante Graça Aranha (Ciaga), no Rio de Janeiro, e o Centro de Instrução Almirante Braz de Aguiar (Ciaba), em Belém do Pará.

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Principais classes de embarcações de apoio

“Existe a necessidade urgente de equilibrar a oferta de oficiais, por meio da disponibilização de mais vagas para formação nas escolas e da flexibilização da RN nº 72 (Resolução Normativa) do MTE/CNIg”, pontua o dirigente da entidade. Segundo ele, deveria haver maior flexibilidade nessa resolução, permitindo a manutenção pelo menos dos oficiais estrangeiros que operam no país.

A imposição de oficiais brasileiros aperta o gargalo da mão de obra. De acordo com a Abeam, tendo em vista a complexidade dos trabalhos típicos da atividade de apoio marítimo e a carência de marítimos no mercado de trabalho, com especial ênfase nos oficiais, é necessário tomar uma série de medidas. As principais são ampliar a capacidade de formação de pessoal nos diversos níveis (novas instituições oferecendo a formação), incluir nos currículos matérias específicas do apoio marítimo (treinamento especializado para as embarcações mais sofisticadas – AHTS, PSV, RSV, PLSV), além de modernos simuladores para formar profissionais mais qualificados a operar essas embarcações.

Até mesmo porque a demanda por oficiais vem também da própria Transpetro, braço logístico da Petrobras, que em meados de fevereiro abriu um processo seletivo público para 322 oficiais da mercante – para admissão imediata e formação de cadastro de reserva.

Até o final do próximo ano, a Transpetro deverá absorver cerca de 1.700 marítimos de todas as categorias. Esses números podem crescer com o Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef), que já encomendou 41 navios a estaleiros nacionais e tem outros oito em fase final de licitação. O primeiro navio do Promef, o Celso Furtado, construído pelo Estaleiro Mauá (RJ), já está em operação desde novembro de 2011. A estatal espera que os próximos sejam entregues nos prazos.

GARGALOS DE INFRAESTRUTURA DESAFIAM OS PROJETOS DO PRÉ-SAL

A infraestrutura de suporte às operações offshore, principalmente no desenvolvimento do pré-sal, representa um desafio adicional. Até 2016, está prevista a entrada em operação de alguns empreendimentos essenciais para impedir o colapso do sistema logístico do pré-sal, que hoje movimenta bases aeroportuárias em Cabo Frio-RJ e Jacarepaguá-RJ e Itanhaém-SP, além dos portos fluminenses do Rio de Janeiro e Macaé. Estão previstos pelo menos três novos aeroportos em municípios costeiros (Campos dos Goytacazes-RJ, Santos-SP e Itaguaí-SC) e dois novos portos (Ubu, no litoral norte do Espírito Santo, previsto para 2014; e Itaguaí, em 2016), além da expansão do porto de Santos, que deverá ser concluída até 2015.

Enquanto esses empreendimentos mobilizam empreiteiras e epecistas, além de fornecedores de bens e serviços que serão utilizados nessas obras de infraestrutura (e anabolizarão o Programa de Aceleração do Crescimento), a Petrobras, responsável pela maior parte da demanda nessas regiões, estuda formas de garantir o transporte seguro e eficaz de seus funcionários e de equipamentos para os próximos anos, quando o fluxo será ainda maior.

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