Logística e Transporte

25 de fevereiro de 2012

Logística Offshore – Investimentos crescem para suprir e escoar a produção

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Publicado por: Bia Teixeira
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    Petroleo & Energia, Navios especializados realizam serviços e suprem plataformas, Logística Offshore

    Navios especializados realizam serviços e suprem plataformas

     

    Com 50% a 60% do escoamento nacional de óleo dos campos offshore realizado por meio de navios aliviadores, a indústria petrolífera tem na área logística um de seus maiores desafios para desenvolver não somente o pré-sal como também suportar a crescente produção de óleo e gás em águas cada vez mais profundas e mais distantes da costa brasileira.

    A megalicitação em curso na Petrobras, estimada em US$ 4 bilhões, para construção, montagem e integração dos módulos de oito plataformas de produção de petróleo para a área do pré-sal da Bacia de Santos, cujos cascos estão em construção no estaleiro Rio Grande-RS, teria recebido cerca de 50 lances de pelo menos três dezenas de empresas. Essa licitação, já programada, não colocou em polvorosa apenas os fornecedores de equipamentos e navipeças. Reforçou também as expectativas do setor de apoio offshore, que tem reiterado o gargalo existente nessa atividade chave da indústria de petróleo e gás. Afinal, assim como a segurança operacional e a questão ambiental, a logística é crucial para garantir as operações das quase 150 unidades de produção instaladas ao longo da costa brasileira.

    A grande concentração delas aparece justamente no litoral da Região Sudeste, onde estão as bacias mais produtivas, como a de Campos e a do Espírito Santo, e a de maior potencial, a Bacia de Santos, com a sua rica camada do pré-sal. Por mar e por terra, a indústria offshore movimenta uma imensa cadeia de suprimentos e de logística offshore.

    Tráfego no mar e no ar – No mar, além do tráfego contínuo de navios aliviadores e barcos de apoio às operações das unidades de produção, há um aumento no fluxo de embarcações que suportam desde as atividades exploratórias, ao lado das sondas, à instalação de equipamentos submarinos (dutos, umbilicais etc.) dos projetos em implantação, boa parte deles em águas profundas. E também distantes da costa, caso do campo de Lula, no pré-sal de Santos, que está a mais de 300 km da costa do sul do Rio de Janeiro, o triplo da média verificada nas unidades da Bacia de Campos, explorada desde meados da década de 1970, mas ainda com grande potencial de crescimento da produção.

    No ar, uma frota de helicópteros transporta a força humana que faz da Bacia de Campos, no Norte Fluminense, uma província marítima com uma população flutuante em torno de 50 mil pessoas. Segundo números da própria Petrobras, hoje, o transporte aéreo movimenta mensalmente mais de 70 mil passageiros, atingindo em torno de 850 mil pessoas por ano.

    Dadas as novas unidades que estão sendo instaladas ou previstas para os próximos anos, além das atividades exploratórias, a expectativa da estatal é a de que o número desses passageiros dobre até 2017 e continue a crescer até 2020. E o volume de carga, hoje em torno de 500 mil toneladas, deve superar um milhão de toneladas até o final da década.

    De acordo com dados da petroleira, apresentados no fim do ano passado, entre 2003 e 2010 entraram em operação na costa brasileira nada menos que 35 unidades estacionárias de produção (UEP).

    De 2011 a 2015, a previsão é de mais 21 UEPs, duas das quais já entraram em operação em 2011: a plataforma de Mexilhão, na Bacia de Santos, e a P-56, que começou a produzir em agosto no campo de Marlim Sul (Campos). De 2016 até 2020, a Petrobras prevê instalar mais 30 UEPs.

    Sem falar nos testes de longa duração (TLD), implementados em número crescente no país, tornando-se uma prática da indústria brasileira que começa a ser olhada com mais atenção em outras partes do mundo. Afinal de contas, além de propiciar um volume maior de informações sobre o reservatório que vai ser explorado, gera recursos financeiros, mesmo que a produção dos TLDs seja limitada por diversos fatores, entre eles a queima do gás associado ao óleo, pois não há como escoá-lo para o continente.

    Frota deve dobrar– Com respaldo nesses números, a Associação Brasileira das Empresas de Apoio Marítimo (Abeam) mantém a expectativa de dobrar a atual frota de apoio marítimo, hoje pouco superior a 430 embarcações. Como explica o presidente da Abeam, Ronaldo Lima, atualmente há 121 empresas autorizadas pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) a atuar no país, das quais cerca de 50 operam efetivamente no apoio marítimo – 29 delas estão associadas à Abeam.

    Petróleo e Energia, Ronaldo Lima, presidente da Abeam, Lofistíca Offshore

    Ronaldo Lima: frota de apoio deve ser duplicada no Brasil até 2020

    “Temos uma frota de 433 embarcações, das quais 176 de bandeira brasileira e 257 estrangeiras, mas acreditamos que, até 2020, essa frota alcance quase 700 unidades e que pelo menos 300 sejam de bandeira brasileira”, contabiliza o dirigente, lembrando que são gastos anualmente cerca de US$ 2,5 bilhões com afretamento. Essa expectativa é endossada pela Petrobras, prevendo a contratação, até 2020, de 568 barcos de apoio e embarcações especiais (usadas em operações de implantação de sistemas subsea, assim como em intervenções em poços) e 65 sondas de perfuração para lâminas d’água superiores a 2 mil metros de profundidade.


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