Navalshore – Investimento em alta anima o clima da feira da construção naval

Petroleo & Energia, Navalshore - Investimento em alta anima o clima da feira da construção Naval
Estaleiro EAS em Suape-PE: em plena carga

 

Empresários e investidores de mais de dez países estarão reunidos entre os dias 3 e 5 de agosto no Centro de Convenções SulAmérica, no Rio de Janeiro, na oitava edição da Navalshore – Feira e Conferência da Indústria Naval e Offshore, maior feira do setor da América Latina.

Com organização da United Business Media Limited (UBM) Brazil, o encontro tem o patrocínio da Aveva e apoio da Associação Brasileira das Empresas de Construção Naval e Offshore (Abenav) e da Associação Brasileira das Empresas de Apoio Marítimo (Abeam).

Neste ano, a Navalshore acontece em um momento extremamente favorável para o país. Afinal, o Brasil nunca atraiu tantos investimentos internacionais nos mais variados setores da economia, em especial, os voltados à indústria naval e à exploração de petróleo e gás. A estabilidade política e econômica, a abertura do mercado e também o plano estratégico da Petrobras para 2010-2014, que inclui os primeiros projetos do pré-sal, tornaram o Brasil a bola da vez.

“O cenário da indústria naval hoje é outro, com uma demanda crescente de encomendas de armadores nacio- nais e estrangeiros, além de projetos de instalação de novos estaleiros”, destacou o presidente da Transpetro, Sérgio Machado, reiterando que o Brasil ganhou o respeito internacional por ser, atualmente, o país com a maior demanda da área naval do mundo.

Petroleo & Energia, Sérgio Machado, presidente da Transpetro, Navalshore - Investimento em alta anima o clima da feira da construção naval
Sérgio Machado: o Brasil tem a maior demanda mundial por navios

Em seis anos, o Brasil se tornou a quinta maior carteira de petroleiros do mundo, e possui 10% das encomendas internacionais de embarcações do tipo Suezmax.

Há dez anos, a produção naval brasileira estava praticamente concentrada no Rio de Janeiro. Hoje, já se expandiu para o Sul, com o estaleiro de Rio Grande-RS, e para o Nordeste, com o Complexo Portuário de Suape-PE. E outros polos regionais de construção de petroleiros vão surgindo, com as quase duas dezenas de companhias – nacionais e internacionais – convidadas a participar dos processos de licitação do Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef).

“O Promef garantiu escala aos estaleiros para que invistam em instalações, tecnologia e capacitação profissional. Somente dessa forma eles podem alcançar preços e qualidade internacionalmente competitivos”, acrescenta Sérgio Machado.

Todos esses fatores concorreram para a expansão da Navalshore, que neste ano terá uma área de exposição 55% maior: foram agregados mais de 11 mil m² à exposição, que terá diversos pavilhões internacionais. De acordo com os organizadores, o evento contará com mais de 350 empresas expositoras nacionais e internacionais, da Argentina, Japão, China, Espanha, Suécia, Coreia do Sul, EUA, Itália, Noruega, Canadá e Holanda.
Mercado atraente – São várias as empresas do setor privado a anunciar novas linhas de produtos e serviços com tecnologia de ponta. Entre os expositores estarão presentes companhias especializadas em construção e reparo de embarcações, fornecedores de navipeças e serviços, navegação, rádio e telecomunicações, tecnologia da informação, empresas de seguros e bancos, gerenciamento logístico, fornecimento offshore e para navios, design de navios, arquitetura e engenharia naval, sociedade de classificação, inspeção etc.

Afinal, uma das fortes características da retomada da construção naval é o aquecimento das atividades da cadeia produtiva, que abrange um grande número de empresas. Isso porque a fabricação de cada navio exige a produção de dois a três mil itens, de chapas de aço, tintas e solventes e amarras a tubulações, fios, válvulas e bombas centrífugas.

Cerca de 70% dessas peças, chamadas de navipeças, são produzidas no Brasil. Mas a demanda crescente está preocupando a indústria naval e offshore, atraindo novos players para o mercado brasileiro. Muitos deles, além de fornecer, acompanham com bons olhos as possibilidades de se associar a estaleiros e empresas dessa cadeia produtiva, investindo até mesmo na ampliação do parque fabril.

Entre os estrangeiros com presença confirmada está o estaleiro holandês Damen, um dos mais importantes da Europa, com faturamento de 1,3 bilhão de euros em 2010. O Damen Shipyards Group é o maior grupo de estaleiros da Europa. Opera mais de trinta estaleiros em treze países dos quatro continentes e emprega mais de 8.500 pessoas diretamente e uma quantidade similar indiretamente. Nos 40 anos de existência, mais de 4.500 unidades foram entregues.

No Brasil, o Damen Shipyards mantém uma longa relação com o grupo Wilson, Sons, os maiores prestadores de serviços portuários no Brasil. Mais de 50 navios foram construídos, incluindo rebocadores, PSV, buoy tenders e rebocadores para a Marinha do Brasil.

A General Transportation (GT), divisão da General Electric voltada a produzir locomotivas, equipamentos pesados para mineração, prospecção marítima, motores navais e estacionários e aerogeradores, é uma das companhias que vêm investindo no setor, fabricando motores marítimos de alta performance.

A Dresser, conglomerado industrial que surgiu nos Estados Unidos em 1880, quando o petróleo começou a ser explorado no Texas, e hoje tem operações em nível global, atua em plantas do Brasil, produzindo para a indústria do petróleo e de energia derivada de hidrocarbonetos. Ela tem entre seus equipamentos de última geração de aplicação no setor naval peças que permitem a ligação de tubos com maior agilidade e ganho de produção, dispensando flanges, soldas e roscas.

A chinesa New Dafang, considerada hoje detentora da melhor tecnologia para construção de maquinário para transportes pesados, atende estaleiros e indústrias do setor naval no transporte de grandes massas com precisão e segurança.

A Unimare tem na sua linha de equipamentos o contrapiso nivelante, revestimento de resina epóxi, proteção contra incêndio e acústica, além de representar as alemãs Körting, especializada na fabricação de ejetores e misturadores, e Hamann, produtora de equipamentos de tratamento de efluentes.

A Oxipira Automação, empresa líder em corte a plasma no Brasil, é especializada em processos de corte também com jato de água, oxicorte e solda. Com parceiros internacionais, a empresa sempre está presente em feiras nacionais e internacionais, trazendo lançamentos em tecnologia de corte, solda, dobra, chanfro e puncionamento.

Outra que marca presença no evento é a Metalock Brasil, empresa especializada em serviços de reparo, vistorias e manutenção em turcos e baleeiras, representando no país alguns dos principais fabricantes internacionais de produtos e serviços para o mercado naval, como Kelvin Hughes, Blohm+Voss, Tayco Electric, SaierNico, Fassmer, Macor Marine, Global Davit, Sabb, Steyer Motors, Masson, Alamarin-Jet, Deerberg Systems, Wiska, H.A. Springer, Saab, Kidde Fire Protection, Jotron, Kannad Marine, ICS Electronics, Hatlapa Marine Equipment, Optimarin e Transas.

“Este é o evento mais importante, estrategicamente, para os setores naval e offshore, nosso principal foco de atuação”, afirmou Paul Barton, presidente da Metalock Brasil. “É uma excelente oportunidade para ampliarmos nossa carteira de clientes e divulgarmos as inovações tecnológicas do setor; além disso, é uma oportunidade para consolidar parcerias e reforçar nosso vínculo com os clientes.”

Patrocinadora do evento, a Aveva, líder mundial no fornecimento de softwares para desenho, construção e geração de eletricidade para a construção naval e de outras estruturas flutuantes, apresentará as mais recentes soluções de engenharia para o design de navios de apoio, cruzeiros e FPSOs ou petroleiros GNL de grande volume. A empresa abriu recentemente um novo escritório no Rio de Janeiro, pois entende que a América Latina é uma das regiões de maior crescimento no mundo e que o Brasil é o país com o mercado mais forte na região.

Segundo a UBM Brazil, o evento deste ano deverá superar a marca de 14 mil visitantes, um público composto por profissionais e empresários oriundos de estaleiros, empresas de navegação de longo curso e cabotagem, companhias de apoio marítimo e de apoio portuário, consultores, autoridades marítimas e profissionais das áreas de engenharia naval, petróleo e gás de cerca de 40 países.

“Temos a certeza de que em 2011 a Navalshore estará ainda mais orientada à realização de negócios entre empresas expositoras e visitantes. Isso porque estamos formatando um grupo de empresas extremamente qualificadas, de diversos elos da cadeia de produção, que trarão para o evento o que há de mais moderno para a indústria naval e offshore”, afirmou Barbara Nogueira, gerente da Feira.

Em 2011 o setor da construção naval brasileira prossegue produzindo as encomendas contratadas em anos anteriores. São esperadas novas contratações de plataformas, navios de apoio e navios petroleiros.

A indústria da construção naval brasileira, com 37 estaleiros associados ao Sinaval, tem uma carteira de encomendas de 269 empreendimentos (navios, plataformas de produção de petróleo e comboios fluviais) com um total de 6,2 milhões de TPB (Toneladas de Porte Bruto). Novas encomendas anunciadas ampliam em mais 140 empreendimentos as novas construções.

Somente a demanda de navios e plataformas para atender à solicitação da Petrobras é estimada em 200 navios de apoio marítimo (cinco por sistema de produção), 40 plataformas de produção e 30 navios-petroleiros (Suezmax) para transporte de petróleo bruto entre plataformas e terminais na costa.

“Nos últimos dez anos o setor demonstrou claramente sua capacidade de investir e promover renda e emprego em diversas regiões do país”, disse Ariovaldo Rocha, presidente do Sinaval. “Existe um mercado claramente definido de encomendas de navios e plataformas para os próximos dez anos. Nossa expectativa é que a política industrial para o setor prossiga”, destacou o dirigente.

Petroleo & Energia, Ariovaldo Rocha, presidente do Sinaval, Navalshore - Indústria em alta anima o clima da feira da construção naval
Ariovaldo Rocha: expectativa com continuidade de projetos

Conferência debaterá reestruturação – Simultânea à exposição, a Conferência da Navalshore 2011 terá como temas principais o atual estágio de desenvolvimento da indústria naval e offshore, os gargalos existentes para a instalação de fornecedores estrangeiros no Brasil e a regionalização da indústria naval e offshore.

O painel de abertura “Políticas estruturantes e investimentos privados” contará com a presença de representantes do Ministério de Minas e Energia (MME), Abenav (Associação Brasileira das Empresas de Construção Naval e Offshore), Transpetro e Sinaval (Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore).

A logística da Petrobras para transporte de longas distâncias no pré-sal, o uso de gás natural liquefeito como combustível em embarcações offshore, o projeto brasileiro do Vale Brasil, o maior navio mineraleiro do mundo (pela Projemar e Vale), a instalação do estaleiro OSX no Brasil e questões de tributação estão entre os temas das sessões de palestras do evento neste ano.

Enquanto Petrobras e Abimaq vão tratar das chamadas Ações Coordenadas para o Pleno Desenvolvimento da Indústria de Navipeças, o painel Regionalização da Indústria e dos Polos Navais no Brasil terá como foco os novos centros navais dos estados de Pernambuco, Bahia, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Rio Grande do Sul

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