Economia

11ª Rodada: Sucesso da 11ª rodada comprova apetite do setor por mais áreas

Bia Teixeira
15 de julho de 2013
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    Petróleo & Energia, Magda Chambriard com o ministro Edison Lobão (dir.): leilão durou apenas dez horas

    Magda Chambriard com o ministro Edison Lobão (dir.): leilão durou apenas dez horas

    Consumiu menos de dez horas, do dia 14 de maio, o 11º leilão da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que ofertou 289 blocos exploratórios distribuídos em 23 setores, abrangendo onze bacias sedimentares brasileiras. O curto espaço de tempo foi suficiente para a agência arrematar R$ 2,82 bilhões em bônus de assinatura, recorde favorecido pelo dólar mais caro e pelo compromisso de 30 companhias, entre operadoras e parceiras de consórcios, de investir pelo menos R$ 6,9 bilhões nos programas exploratórios mínimos (PEM).

    Previsto para durar dois dias, o leilão foi realizado praticamente de ‘um tiro só’ (a decisão de ir até o fim em jornada única foi tomada pela organização diante da celeridade dos trabalhos), refletindo o longo jejum de quase cinco anos desde o último certame de ativos exploratórios em bacias brasileiras. Nesse intervalo, as empresas não puderam renovar seu portfólio de forma substancial, uma vez que foram poucos os farm in e farm out realizados no período, pois quem tinha blocos sob concessão não queria se arriscar a ficar sem ativos locais.

    Ainda que não contemplasse bacias de potencial mais do que reconhecido, como Campos e Santos, a rodada atraiu um número recorde de empresas que se qualificaram para o certame – 64 foram habilitadas, das quais quatro como não operadoras –, ainda que apenas 39 tenham feito lances efetivos, entre as quais 28 operadoras. Quase todas saíram com um ativo, pois apenas nove das ofertantes não venceram disputas – menos da metade dos blocos (142) recebeu lances e foi arrematada, 87 em terra e 55 no mar. Juntos, eles somam mais de 100 mil km2, dois terços da área total ofertada, dos quais quase 65 mil km2 em terra e mais de 35 mil km2 no mar (a maior área ofertada desde a sexta rodada, em 2004).

    Petróleo & Energia, ANP impõe prazos para exploraçãoO leilão de um dia só confirmou também existir uma percepção no mercado internacional e local de que o potencial do país para petróleo e gás natural vai muito além das atuais fronteiras exploratórias.  “Até hoje as licitações abrangeram áreas de exploração de óleo e gás na Região Sudeste, principalmente no Rio de Janeiro. Com essa rodada, queremos descentralizar os investimentos: as áreas licitadas estão em onze estados brasileiros e nove deles são do Nordeste”, destacou Magda Chambriard, diretora-geral da ANP.

    Foram leiloados blocos em bacias do Norte e Nordeste brasileiro – Barreirinhas, Ceará, Foz do Amazonas, Pará-Maranhão, Parnaíba, Pernambuco-Paraíba, Potiguar, Re­côn­cavo, Sergipe-Alagoas e Tucano Sul – além do Espírito Santo, um dos mais antigos produtores do Sudeste. “Chegou a vez do Norte e Nordeste. As oportunidades exploratórias são boas, de porte internacional”, acrescentou Magda, lembrando que o objetivo do leilão é ampliar a produção de petróleo, a oferta de emprego e a renda no país. Esta última, por meio de contratos de fornecimento de bens e serviços dentro das exigências de 62,32% de conteúdo local médio para a fase de exploração e de 75,96% para a etapa de desenvolvimento da produção.

    A ANP deve receber os R$ 2,8 bilhões de bônus de assinatura até 6 de agosto, mês do 15º aniversário da agência, quando serão assinados os contratos de concessão. Das 30 vencedoras, 12 são nacionais e 18 estrangeiras: Austrália (1), Bermudas (1), Canadá (4), Colômbia (2), Espanha (1), Estados Unidos (2), França (2), Guernsey (1), Noruega (1), Portugal (1) e Reino Unido (3).

    Mais risco, mais recursos – O volume total em bônus de assinatura superou em mais de R$ 700 mil o recorde anterior, de R$ 2,10 bilhões, obtido na nona rodada, em 2007. Mas não é tão representativo quanto o montante do PEM desta licitação: quase R$ 6,9 bilhões (US$ 3,435 bilhões). Não há registro de tal volume financeiro comprometido em leilões anteriores, nos programas exploratórios de áreas arrematadas. O maior de todos foi na sexta rodada, em 2004, quando o PEM somou pouco acima de R$ 2 bilhões (US$ 683 milhões, na época).

    O melhor indicador de quanto será mais caro e trabalhoso explorar estas novas fronteiras é o PEM expresso em unidades de trabalho (UT), que corresponde ao conjunto de atividades exploratórias compromissadas na oferta pelo concessionário e que deve ser integralmente cumprido no primeiro período exploratório (que varia de três a cinco anos, dependendo da área).

    O PEM dessa rodada somou acima de 400 mil UTs – mais que o dobro do comprometido em 2007, na quinta rodada. E quem vai demandar mais e mais contratações não é a Petrobras, que pagou sozinha o maior volume de bônus pela totalidade ou participação em 34 blocos – R$ 537,9 milhões – e o maior PEM total, de R$ 1.328.442.800,00, mas que totaliza apenas 46,2 mil UTs. Será a Petra Energia (e parceiros), que dispendeu R$ 111,5 milhões em bônus de assinatura de 28 blocos e R$ 745 milhões em PEM (o terceiro maior de todas as empresas). Esse volume de recursos comprometidos pela brasileira Petra em programa exploratório mínimo, quando expresso em unidades de trabalho, dá a dimensão exata de seu desafio: 185,4 mil UTs. Mais do que o quádruplo assumido pela Petrobras.



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